Episódio 8: SOBREVIVENTES 

-Indústrias Ângar, Wingstonn, 23/10/2015, 20h47min-

Guilherme Folx estava encurralado. Os zumbis estavam perto demais. Sua secretária, Donnes, parecia ser a líder do grupo de zumbis, já que era ela quem estava na frente dos outros. Guilherme dava murros no decodificador de digitais. Só havia uma maneira de escapar. Donnes chegou muito perto e tentou agarrá-lo, mas com um chute de Guilherme, ela caiu e interrompeu a passagem dos outros zumbis, que não paravam de gemer. Guilherme abriu uma janela de vidro que ficava ao lado da porta de sua sala. Olhou para baixo. Viu o rio de Wingstonn bastante turbulento.
- Não acredito que estas criaturas idiotas estão obrigando-me a molhar meu paletó que comprei em Genebra! - Guilherme disse olhando para os zumbis que se debatiam em busca de seu alimento. Deu uma olhada para o rio novamente e saltou. Era uma queda de mais ou menos doze metros, mas o rio era profundo e Guilherme caiu como um peixe. Nadava como tal, também. Logo saiu da água, que estava muito fria naquela noite. Quando já estava em terra firme, cuspiu toda a água que estava em sua boca e colocou dois dedos na garganta, causando ânsia. Não saiu mais nada de sua boca.
- Bom, se a secretária estava certa quando disse que a água estava infectada com algum vírus maléfico, então é melhor eu não a engolir. - Guilherme pegou o celular do bolso para tentar chamar seu motorista, mas o telefone móvel estava encharcado. Com certeza não estava mais funcionando. - Que bom, agora, para melhorar ainda mais a noite, vou ter que andar todo molhado por esta rodovia escura. Maldito dia! - Guilherme falava sozinho como se fosse um maluco. Sua raiva estava tão grande que ele estava fora de si. Agora andava sozinho pelas estradas de Wingstonn.


-Rodovia 702, Wingstonn, 23/10/2015, 20h55min-

Estella Stars estava em alta velocidade com o carro de luxo de seu ex-cafetão. Ninguém ainda havia dito uma palavra que fosse. Estella ligou a rádio, mas apenas chiados e barulhos estranhos eram percebíveis. Ketlyn quebrou o silêncio.
- Agora nós temos apenas as provas que estão no disquete, não é, Anderson? Já que Luciano está morto agora...
- Sim. Estella, coloque este disco no aparelho de rádio. Vamos ver se ele funciona em qualquer mídia de som. - Anderson entregou o CD para a pröstituta. Estella inseriu o disco e só ouviam-se ruídos estranhos. Não passaram dez segundos e o aparelho retirou o CD.
- Pelo jeito, quando saímos pelo esgoto e caímos no rio de Wingstonn, o CD danificou-se. - disse Mattheus.
- Que droga. Sofremos para conseguir pegar provas no laboratório para nada! - Ketlyn ficou muito irritada. Sabia o quanto tinham sofrido para pegar aquele disco. Estella devolveu o disco para Anderson, que também estava triste por ter perdido a única chance que tinham para destruir George.
- Estamos chegando ao centro da cidade, pessoal. - Estella parecia estar feliz, mesmo com tudo que aconteceu naquela noite. Deveria ser porque não precisaria nunca mais vender seu corpo para homens bêbados e nojentos.

Anderson estava curioso para ver o estado em que estava Wingstonn. Ele já sabia que, devido ao vírus ter entrado em contato com a água que abastecia a cidade, muitas pessoas deveriam estar infectadas no momento. Tinha quase certeza de que o homem que atacou Estella Stars na boate havia tomado a água infectada pouco antes. Estella interrompeu os pensamentos de Anderson.
- Olhem, gente! Um zumbi bem vestido a nossa frente! - a moça acelerou ainda mais o carro.
- Não, Estella! Ele está vivo! - Anderson gritou para Estella, quando viu que o homem que andava na rodovia fazia sinal para que eles parassem. Estella se assustou e perdeu o controle do carro, que ziguezagueou pela estrada e acabou tombando. Por sorte, todos estavam com o cinto de segurança, e não foram lançados para fora do veículo. O homem que fazia sinal para que Estella parasse correu até o acidente e agachou-se na janela da motorista.
- Tinha que ser mulher no volante. Vocês queriam me matar, idiotas? Vou ajudá-los a saírem daí! - Guilherme estava ainda mais louco de raiva. Era ele quem pedia por uma carona. Mas precisava socorrê-los, para conseguir mais informações do que estava havendo. Aos poucos, tirou todos que estavam no carro. - Vocês estão bem?
- Sim. E idiota é você! Pensei que era um zumbi, já que está neste estado deplorável! - Estella gritou com Guilherme.
- Zumbis? Não me façam rir. Aquelas pessoas malucas são zumbis? - Guilherme duvidou.
- Se quiser, acredite. Caso não queira, isto não importa para nós. Estella, demora muito para chegarmos ao centro da cidade se formos a pé? - Anderson não gostou muito de Guilherme. O achou muito grosso.
- Não, não demora muito. Talvez uns quinze minutos.
- Você vem conosco, senhor? - Anderson se referia ao dono das Indústrias Ângar.
- Sr Folx, por favor. E acho que vou. É melhor do que caminhar só nesta rodovia obscura.

Os sobreviventes caminharam bastante até chegar a cidade. Demoraram em torno de quarenta minutos, o que fez com que Estella ouvisse algumas piadinhas sobre o fato de ser loura e não saber a diferença entre quinze e quarenta minutos, mas ela aceitava tudo com muito humor. Quem não abriu a boca até chegar a cidade foi Guilherme. Andava como se fosse o rei de um império, com as pernas muito bem articuladas. A jornalista disse que estava o reconhecendo. Uma vez fez um artigo sobre as Indústrias Ângar, e lembrou que sua foto foi publicada junto. Guilherme só mexeu a cabeça para cima e para baixo, mostrando que Ketlyn estava certa. Quanto mais perto chegavam da cidade, mais sons de tiros e gritos eram ouvidos.
- A cidade já está infestada de zumbis, pelo jeito. Precisamos encontrar armas para nos defender. - Anderson falou ao grupo, que aos poucos ficavam com mais medo. Os barulhos de explosões eram nítidos e os gritos das pessoas traziam agonia para quem os ouviam. Guilherme começou a acreditar que a cidade estava realmente sendo atacada por zumbis. Muitos carros estavam bloqueando a passagem na rodovia. Um odor fortíssimo tomava conta da estrada.
- Vamos vasculhar os carros, para vermos se existe alguma arma que possamos usar. - disse Ketlyn, que correu em direção a uma caminhonete com a porta aberta. Mattheus foi junto com Anderson e Estella com Guilherme.
- Não acredito que terei que ir junto com uma vadia procurar armas.
- Mas são das vadias que vocês, homens pervertidos, gostam, não é? - Estella passou a mão pelo peito de Guilherme, que apertou seu pulso no mesmo instante.
- Você não me conhece! Nunca mais ouse me encostar, ok? - a pröstituta se assustou com a força que o empresário usou para machucá-la. Ela saiu de perto dele, indo para junto de Anderson.

Passaram-se alguns minutos e o grupo se encontrou novamente. Ketlyn encontrou duas pistolas sem munição. Anderson e Mattheus pegaram facas e Estella encontrou uma foice. Guilherme disse que não havia encontrado nada. Aos poucos, os gritos iam diminuindo. Vários helicópteros voavam no céu de Wingstonn. Guilherme acenou para eles, e gritou bem alto por ajuda. Anderson tapou sua boca na mesma hora.
- Você está louco, imbecil? Você vai atrair zumbis para cá! - Guilherme empurrou o braço de Anderson para frente.
- Seu idiota! Você me encostou! - Guilherme pegou um lenço do bolso de seu paletó e limpou o local onde Anderson havia o encostado. - Gritei por ajuda! Vocês deveriam ter feito o mesmo!
- Parem de brigar! Temos que tentar encontrar sobreviventes! Eles devem haver mais informações de o que está havendo na cidade! - Ketlyn apartou a discussão.


-Centro da Cidade, Wingstonn, 23/10/2015, 22h10min-

A cidade estava em um silêncio mórbido. No caminho, poucos zumbis atacaram o grupo. Anderson era habilidoso com as facas. Todos que atacaram o grupo foram mortos por ele. O celular de Guilherme começou a tocar. Era uma música bem alta.
- Nossa! Pensei que ele havia estragado! Vamos ver quem é... - Guilherme atendeu com o sorriso no rosto. - Alô. Oi. Sei sim. O quê? - Guilherme abriu ainda mais o sorriso. - Sim, com certeza. Irei ir aí imediatamente! Obrigado! - desligou o telefone.
- Quem era? Você ficou tão feliz... - Ketlyn estava bastante curiosa com a ligação que o empresário havia recebido.
- O governo da cidade está a procura das pessoas mais importantes da cidade para poderem salvá-las! Eu, é claro, fui incluído nesta lista! Se vocês me ajudarem a chegar até lá, poderemos sair daqui vivos!
- E onde está o helicóptero que irá nos salvar? - Anderson já estava com esperanças novamente.
- Ele está no heliporto que fica no topo de minha empresa. Ela não é muito longe daqui, se encontrarmos algum carro que funcione e que nos leve até lá!
- Ok! Então apenas precisamos de um carro para chegar até sua empresa, certo? Isto é moleza. Meu tio mora aqui perto, ele tem um fusca na garagem. - disse Estella.
- Fusca? Esta coisa ainda existe? Não tem como encontrarmos algo um pouco melhor? Uma Ferrari cairia muito bem. - Guilherme não gostou da ideia de ter que entrar em um fusca.
- Ou é isto ou é nada. Duvido que aqui por perto encontremos algum carro que funcione.
- Mas e como você tem tanta certeza de que o fusca ainda está na garagem? Quem garante que seu tio não o usou para fugir? - Anderson indagou.
- Ele foi viajar para realizar uma cirurgia em sua catarata. Iria ficar uns dois meses fora da cidade. Ele foi de avião, e deixou o fusca em casa. Vamos logo! O barulho do celular do Guilherme com certeza chamou a atenção dos desmiolados!

Muitos zumbis apareceram no caminho até a casa de seu tio. Mas as facadas de Anderson e os golpes de judô de Ketlyn foram o bastante para acabar com eles. Estella correu até a porta da casa e pegou uma chave que estava embaixo do tapete que dizia "Boas-Vindas". Abriu a porta, mas algo estranho havia acontecido. A porta já estava aberta, mais especificamente, arrombada. Alguém já estava lá dentro. Tudo estava muito escuro. Estella foi entrando aos poucos na casa. Mas alguém apareceu por entre a escuridão, com uma arma em mãos. Disparou na perna de Estella. Ela gritava de dor.
- Estella? Me perdoe! Por favor! Eu estava muito assustada! Desculpe!
- Está tudo bem, Raquel. Você não iria atirar em mim por querer, não é, irmã? - as duas se abraçaram. Raquel chorava muito por ter ferido a própria irmã.
- Titio ligou. Perguntou sobre você. Eu disse que não sabia onde estava. De fato, eu não sabia mesmo! Você sumiu faz quase um mês! Para onde você foi? Por que você está com esta roupa de putä? - Raquel Wordgann era uma moça muito devota ao catolicismo. Sempre tinha Deus como o centro de tudo. Tinha a aparência de ter uns 40 anos, mas na realidade tinha apenas 28. Estella tinha 21 anos.
- É uma longa história! Agora, me traga algum pano para eu fazer parar o sangramento. Acho que foi apenas de raspão. - Anderson pegou um pano que estava sobre o sofá e amarrou na coxa de Estella, que lhe agradeceu com um sorriso. Ketlyn não queria demonstrar ciúmes, mas detestava o jeito sedutor que Estella olhava para Anderson. Ketlyn estava, realmente, apaixonada.
- Pessoal, acho que temos companhia... - Guilherme estava na porta e conseguiu ver uma multidão de zumbis que chegavam perto da casa. Com certeza o estrondo do disparo da arma de Raquel e os gritos de Estella foram as maiores causas para chamar a atenção dos zumbis. Mais uma vez estavam encurralados. Estella estava ferida e não conseguia andar, muito menos correr. Estavam sem munição, já que Raquel gastara a última bala. Anderson tinha facas, mas não havia como ele matar todos aqueles zumbis com apenas aquilo. Guilherme fechou a porta e Raquel começou a orar. Mas nem Deus conseguiria ajudá-los a sair daquele situação desesperadora.


CONTINUA...

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