-Parque
Florestal de Buggyans, Washington, 26/10/2015, 01h43min-
Ketlyn e Anderson ficaram imóveis por alguns segundos. Não acreditavam que, bem
ali na frente deles, estava George Müller. Anderson tentou avançar para dar um
soco nele, mas George foi mais rápido e apontou uma pistola para ele.
- Se você mexer um músculo que seja, vou te matar antes da hora, querido! -
Anderson voltou para o lado de Ketlyn. - Eu não quero ouvir um pio! Vão para
lá! Perto das cabanas, junto com seus amiguinhos. Minha amiga já está cuidando
deles. - os dois começaram a andar lentamente em direção as cabanas do parque.
George chutou a bunda de Anderson e disse "Mexe esse traseiro mole,
idiota! Eu quero que caminhem, não rastejem! O último que rastejou na minha
frente foi degolado sem piedade!".
Quando Anderson e Ketlyn chegaram juntamente com George, viram Ricksonn caído
no chão, com a perna sangrando.
- O que houve, Candy? Já teve que atirar em um desses animais? - gritou George,
com sorriso no rosto.
- Sim. Este idiota tentou me acertar com um facão e eu tive que atirar em sua
perna. Agora está aí, chorando, que nem um bebezão! - Candy olhava com nojo
para Ricksonn, que tentou usar o facão para matá-la quando viu Jenny amordaçada
no carro.
- O quê vocês querem de nós? Não fizemos nada para vocês! - gritou Ricksonn,
caído no chão. Cris e Luciana estavam mudos, quase não respiravam de tanto
medo. Cris até cochichou no ouvido de Luciana "Não sei se não teria sido
melhor termos ficado com os canibais!".
- Ahhh, não fizeram nada? Tem certeza? Bom, pelo menos algumas pessoas do seu
grupinho fizeram coisas terríveis! Para ser mais exata, duas pessoas: Ketlyn
Moura, uma jornalista decaída e Anderson Grindd, que deve estar traindo a
esposa que ele mesmo matou com esta perua do jornalismo. Foram eles que
disseminaram esse vírus, tanto aqui como em Wingstonn! - Candy envenenava o
ouvido de Ricksonn. Luciana, Cris e Jenny ficaram pasmos. George e Candy
queriam colocar a culpa em Anderson e Ketlyn, e estavam conseguindo.
- É mentira! Foi George quem instalou o vírus em alguém, no Laboratório Alfa!
Nós apenas estamos querendo mostrar para todo o mundo quem são vocês! - gritou
Ketlyn.
- Querida, George apenas estava testando o vírus em uma cobaia, alguém que já
estava morto! O teste deu errado e apenas a parte rural de Wingstonn foi
infectada. Mandamos isolar a cidade da parte infectada. E vocês? O que fizeram?
Colocaram centenas de zumbis em um esgoto, contaminaram a água de Wingstonn e
tornaram a cidade um caos! Depois trouxeram um homem com o vírus para
Washington e estamos aqui, fugindo de pessoas que querem comer nossas cabeças!
Vocês dois vão ter a cara de pau de negarem que fizeram tudo isso? - disse
Candy, enquanto colocava um pirulito na boca, dava uma chupada e tirava de
novo. Anderson e Ketlyn ficaram quietos. Realmente a mulher estava certa.
Infelizmente, a infestação dos zumbis em Wingstonn e Washington tinha sido
culpa deles. Mas Anderson não sabia o quê George e Candy estavam tramando.
Anderson pensava que eles queriam apenas matá-los e pronto, mas não, George
estava querendo colocar a culpa toda em suas costas. Ricksonn olhava para
Ketlyn e Anderson, depois olhava para Candy e George.
- E então, babacas? Vocês acreditam em nós, que falamos a verdade, ou irão acreditar
no caipira e na atleta vädia, que só mentem para vocês? - George perguntou para
Cris, Luciana e Ricksonn.
- Não sei em quem acreditar! Vocês vêm aqui, atiram na minha perna e amarram
minha namorada! Deixe Jenny falar o que ela pensa. Dependendo da resposta dela,
eu vou acreditar em vocês. - disse Ricksonn. Candy puxou Jenny para fora do
carro e retirou sua mordaça. A garota começou a gritar histericamente.
- Não acredita nela, Ricksonn! Ela é uma louca! É cruel! É cruel!
- Sua vaca! Cala esta maldita boca! - Candy apenas levantou sua arma e
disparou. Acertou em cheio na cabeça de Jenny. A moça caiu instantaneamente,
com as mãos ainda amarradas.
Ricksonn percebeu que Candy e George não eram os heróis. Com uma força
desconhecida, Ricksonn levantou-se e acertou um murro em Candy, que caiu,
atordoada. Seu pirulito despedaçou-se no chão. George tentou atirar em
Ricksonn, mas Anderson aproveitou sua perda de atenção e também acertou um soco
em seu rosto. Duas brigas simultâneas começaram. Candy levantou sua arma para
atirar em Ricksonn, mas Ketlyn correu até ela e chutou seu braço, fazendo a
arma voar longe. Cris pegou a pistola que foi jogada longe e correu até o carro
de luxo em que George estava até chegar ao parque. Luciana correu junto com
Cris e também se instalou no carro. Anderson jogou George longe, fazendo-o cair
num arbusto. Candy já estava desmaiada, com tantos socos que havia levado de
Ricksonn e Ketlyn.
- Vem Anderson! Vamos pegar o carro! - gritava Ketlyn, desesperada, enquanto
entrava no carro juntamente com Ricksonn. Estava com muito medo de que George
fizesse algo de mal com seu novo amor. Anderson começou a correr em direção ao
carro, mas George levantou-se do arbusto e mirou nas costas de Anderson.
- Não vou deixar você escapar, caipira imbecil! Pelo menos não mais! - e quando
George ia disparar o tiro, um zumbi apareceu, do nada, por trás de George, e
mordeu seu pescoço. O tiro foi disparado, mas longe de acertar Anderson. O
ex-fazendeiro virou-se para ver o que tinha acontecido. George deu um soco no
zumbi, fazendo-o soltar seu pescoço. Mas já era tarde demais.
Anderson entrou no carro e Cris acelerou o carro. George disparou vários tiros
no zumbi que havia lhe mordido, e bufava de raiva.
- Maldição! Como eles sempre consegues escapar? Como? Malditos! - Candy começou
a levantar, ainda um pouco tonta. Quando viu que o carro não estava mais ali,
nem Anderson e os outros e George estava ferido no pescoço, também começou a
gritar.
- O quê houve? Você levou um tiro ou foi mordido, imbecil? Como deixamos
aqueles filhos de mulas escaparem? E o carro? Como você foi burro! O frasco com
a substância ALFA X estava dentro da maleta preta, e esta maldita maleta estava
dentro do carro! Nossa, como você e eu somos burros! O chefe vai me matar, já
que você estará morto daqui alguns minutos! - Candy estava furiosa. Falava da
maleta preta em que dentro tinha um frasco que deveria ser entregue para seu
chefe, o dono da voz misteriosa. No frasco havia a substância ALFA X, a qual o
cientista Wolfin estava pesquisando.
- Bom, querida amiga, eu menti. Como você deve lembrar, nosso chefinho havia
ordenado que, após eu inserir o vírus que ele mesmo criou no cientista que
matei no laboratório de Wingstonn, eu deveria pegar um dos frascos da
substância ALFA X e trazer para ele. Depois eu deveria destruir todos os outros
frascos, para que nosso chefe tivesse a única amostra da substância. E eu e
você também sabemos que, na verdade, ALFA X é o antídoto contra este vírus
zumbi que nosso chefe criou! Mas eu menti! Eu peguei mais alguns frascos e
guardei comigo. Tenho três, aqui no meu bolso, e o resto está naquele
apartamento em que eu e você fizemos loucuras! Eu não vou morrer agora, pois
vou usar um dos frascos em mim mesmo. O vírus será anulado e eu estarei normal
em poucos dias! Você acha que eu ia ser burro de pegar apenas um frasco? -
George falava muito rápido, mas Candy entendeu tudo. Ela acertou um tapa em seu
rosto.
- Você está doido? Se nosso chefe descobre que você pegou frascos a mais e
ainda estão guardados com você, ele nos mata! O plano dele é de que, quando o
mundo estiver quase que totalmente acabado por causa dos zumbis, e apenas os
ricos e poderosos do planeta Terra estiverem vivos, ele venderia este antídoto
para eles por uma fortuna! Meu Deus! E agora? Anderson está com a maleta preta.
É questão de dias, horas ou até mesmo minutos para que eles descubram o
conteúdo da maleta! - disse Candy, surtada.
- Não se preocupe! O que devemos fazer, agora, é ligar para o chefe, pedindo
por um helicóptero. Dizemos que eles conseguiram escapar, mas não falamos que a
maleta está com eles. Caso ele desconfie, eu mostro um dos frascos que tenho
aqui. Ele pensa que a substância ALFA X é única! Ele nunca desconfiará que o
grupinho de Anderson estará com ela! E além do mais, a maleta está trancada com
senha! Fique tranquila! - disse George. Logo, ele pegou do bolso um frasco
fino. Tirou o lacre e tomou todo o líquido. - Pronto, estou novo em folha! -
George tirou o celular do bolso, teclou alguns dígitos. Uma voz misteriosa
atendeu. - Chefinho, tivemos um pequeno problema...
-Rota 806, Washington, 26/10/2015, 01h55min-
Cris parou o carro. Ninguém tinha dito uma palavra. Todos saíram do carro após
perceberem que tinha uma ponte caindo aos pedaços, a mesma em que Felippo, Willian
e os outros passaram. Ricksonn recebeu ajuda de Luciana e Cris para sair do
carro. De dois em dois, todos foram para o outro lado. Exceto Ketlyn que,
quando começou a andar na ponte, voltou correndo para o carro. Todos
estranharam o porquê de Ketlyn fazer aquilo. Logo, ela saiu do carro com uma
maleta preta e munição em mãos.
- Eu aprendi, quando estudei jornalismo investigativo, que devemos procurar
provas em qualquer lugar! - gritou Keltyn. Em poucos segundos, todos estavam
andando do outro lado da estrada. A ponte havia tremido um pouco quando Luciana
passou, já que ela era um pouco acima do peso. Em poucos minutos, passaram por
uma placa dizendo "Vilarejo Sunshine". Cris olhou para Luciana e
lembrou-se de que havia achado seu bloco de anotações, que encontrou caído
enquanto procuravam por ela.
- Luciana, esqueci de lhe entregar antes. É seu bloco de anotações. Encontrei
quando estávamos a sua procura, no mato.
- Nossa! Muito obrigada! Mas você não leu o seu conteúdo, leu? - ao mesmo tempo
que Luciana ficou feliz que havia recuperado seu bloco de papel, ficou tensa.
Parecia que o conteúdo do bloco era algo muito secreto.
- Não, é claro que não li! Pegue, é seu. - Luciana guardou rapidamente o bloco
no bolso. Cris achou muito estranho. Agora, estava curioso. Queria saber o que
tinha naquele bloco. Mas seus pensamentos foram interrompidos quando vozes
começaram a ser ouvidas, de longe.
- Olhem! São eles! Pessoal, eles encontraram Luciana! - gritava Mattheus, a
alguns metros de distância do grupo. Logo, todos estavam reunidos, conversando.
Ricksonn era o único que ainda não tinha dito nada.
- Nossa, agora que estamos juntos novamente, precisamos pensar em um plano! -
disse Brenda, após Mattheus e Willian terem explicado o porquê de terem os
abandonado.
- Precisamos sair daqui o mais rápido possível! - disse Anderson. Quando
Ricksonn ia abrir a boca, um barulho começou a ser ouvido, longe. Os faróis de
um trailer iluminaram o rosto e a esperança de todos. A cabeça de um homem
gordo e barbudo saiu para fora do trailer, pela janela.
- Eita, parece que encontramos mais sobreviventes! Sou Caetano, e estou com
minha família, aqui neste trailer velho! Estamos escapando destas criaturas
malditas. Temos bastante espaço aqui dentro, vocês querem se juntar a nós? - na
mesma hora em que o homem deu o convite, sua cabeça foi puxada por alguém para
dentro do trailer. Vozes de uma mulher eram ouvidos de dentro do automóvel.
- Você está louco, homem? Não sabemos quem eles são! Imagina se um deles está
infectado! Imagina se um deles ataca a mim ou a você, a mamãe ou a nossos
filhos? E são muitos! O trailer é grande, mas nem tanto! Não vamos ter comida
para todos!
- Mas Catherine, não seja burra que nem sua mãe! Eles tem armas e nós não! Eles
podem ser nossa segurança! Não sobreviveremos muito sem defesas! Se eles
quiserem, eles virão conosco! E fim de papo! - logo depois o homem apareceu
novamente. - E então, gente, vocês entram ou ficam?
- Eu vou, com certeza! - disse Willian, já indo em direção ao trailer. Em
poucos minutos, quase todos já estavam no automóvel, exceto Ricksonn, que já
conseguia andar sozinho, Anderson e Ketlyn. Quando Ricksonn subiu na escada do trailer,
e Anderson iria entrar, o líder virou-se e empurrou Anderson com força,
fazendo-o cair no chão. Todos ficaram surpresos.
- Estes dois malditos não vão ir conosco! Ketlyn e Anderson vão ficar! Além de
terem trazido os zumbis para Washington, ainda trouxeram assassinos que estão
atrás da gente e que mataram minha namorada! Vocês não vão entrar aqui! -
Ricksonn penetrou seu olhar de raiva em Ketlyn e Anderson, que o olhavam com
surpresa. Quase ninguém sabia o que, de fato, Ricksonn estava falando, mas
Anderson e Ketlyn sabiam muito bem. O silêncio tomou conta do lugar, enquanto
Ricksonn estava como uma barreira na porta do trailer.
Continua...