Episódio 7: PROSTÍBULO 

-Esgoto de Wingstonn, Wingstonn, 23/10/2015, 12h00min-

Algumas dezenas de zumbis não paravam de correr atrás dos sobreviventes que estavam no esgoto. Além de Luciano ter perdido o mapa subterrâneo, se deparavam com corredores sem saídas, que dificultava ainda mais a fuga do grupo. O esgoto estava muito úmido e escorregadio, devido aos inúmeros musgos que tinham no chão e nas paredes. Ketlyn era a mais rápida. Corria como se não gastasse um pingo de energia. Já Mattheus era o mais lento. Era um garoto sedentário, odiava praticar esportes. Agora ele percebia como teria sido importante algumas caminhadas diárias. Os zumbis também não perdiam o fôlego, parecia que os pulmões não eram órgãos tão úteis para eles. Após muitos minutos de correria, finalmente encontraram uma luz no fim do túnel, literalmente. A luz do sol começava a incendiar os olhos de Ketlyn, que gritava sem parar "A saída está ali, ali!", o que lhe dava mais vontade de correr. Mas Mattheus não aguentava mais. Suas pernas pararam de correr involuntariamente. Nem pedir por socorro ele conseguiu. Estava muito cansado para mexer um músculo que fosse. Luciano percebeu que o garoto tinha caído e correu para salvá-lo. Puxou-o pelo braço, fazendo-o levantar. Por alguns instantes, o garoto conseguiu andar uns poucos passos, mas fora o bastante para Anderson colocá-lo nos ombros e correr para perto da saída. Mas, quando Luciano ia voltar a correr para a saída, um grande musgo fez ele escorregar e cair. Em poucos segundos, Luciano foi coberto por bocas e mãos de zumbis. Só conseguia gritar de dor, enquanto os zumbis dilaceravam-o. Ketlyn e Anderson tentaram atirar com as metralhadoras, mas a munição não conseguiu acabar com toda aquela aglomeração de zumbis. Só o que podiam fazer agora era correr para a luz. Mas, quanto mais chegavam perto da saída, mais forte ficava a velocidade da água. A força da água fez os três deslizarem e caírem, sendo levados para a saída rapidamente. Quando perceberam, estavam sendo desaguados em um rio da cidade. Ketlyn era a única que sabia nadar. Quando viu Anderson e Mattheus afundando, foi rápida e salvou os dois sem nenhuma dificuldade. Depois de saírem da água, sentaram na grama verdinha que ficava perto do rio, para descansarem.
- Você não havia me dito que era nadadora nata também!
- Não iria dar tempo de eu te contar tudo o que eu sou e que gosto de fazer, Anderson. - Ketlyn levantou-se e cobriu as sobrancelhas com as mãos, para tapar o sol forte. Mattheus ainda estava desacordado, mas Anderson também viu o que Ketlyn estava querendo ver. Vários corpos de zumbis estavam caindo no rio.


-Indústrias Ângar, Wingstonn, 23/10/2015, 13h22min-

As Indústrias Ângar eram uma grande fonte de economia de Wingstonn. Era a empresa que mais lucrava na cidade com a reciclagem do lixo, além de ser responsável também pelo esgoto da cidade. Mas a corrupção também era algo que rolava sem parar na direção da empresa. Guilherme Folx Ângar era o dono destas grandes indústrias. Neste momento, Guilherme estava ao telefone com um de seus sócios.
- Não, não vai ter problemas! É só desviarmos uma pouca parte do dinheiro para aquela conta bancária do Japão. Dizemos que é doação para fundos beneficente e pronto. Sim, entendo. Mas podemos desviar bem pouco, talvez uns dois milhões de dólares. Sei que é pouco. Está bem. Está bem! - Guilherme bateu o telefone na mesa, com muita raiva. Alguém bateu na porta de sua sala e já entrou. Era sua secretária.
- Desculpe, Sr. Folx, mas tenho algo importantíssimo para lhe avisar.
- Diga logo, criatura. Se for notícia ruim, é melhor dar meia volta e sair daqui! Hoje não estou bom para consertar problemas dos outros.
- É que, senhor, o problema está situado nos esgotos de Wingstonn. O nosso laboratório de estudos nos enviou agora pouco um relatório de dados, explicando que uma substância altamente tóxica entrou em contato com a água, que irá abastecer a casa de todos os moradores da cidade!
- Meu Deus! Será que tenho que fazer tudo aqui? Olhe, senhorita Donnes, ligue para o laboratório e mande-o enfiar a substância tóxica bem naquele lugar, ok? Tenho mais com o que se preocupar. Mais alguma coisa?
- Não senhor, com licença! - a secretária saiu rapidinho da sala de Guilherme. Ele estava tão bravo com seu sócio - que não aceitara o valor de desvio - que nem percebeu o tamanho do problema que a cidade iria vir a enfrentar.


-Local desconhecido, Wingstonn, 23/10/2015, 20h01min-

Anderson, Ketlyn e Mattheus estavam muito cansados. Caminharam horas e horas pela mata fechada. Mattheus era o mais exausto do grupo. Mas, finalmente, chegaram nas rodovias de Wigstonn. Sentaram um pouco em uns bancos que haviam do outro lado da rua. Parecia uma praça abandonada.
- O que, exatamente, eram aquelas pessoas que corriam atrás de nós? - Mattheus falava muito devagar.
- São pessoas infectadas com algum tipo de vírus. Pelo menos é o que achamos, não é Anderson?
- Só sei que aquelas criaturas são zumbis. Se eles te mordem, você torna-se como eles, em poucos instantes. Agora é melhor encontrarmos algum lugar vivo neste fim de mundo.

O trio começou a andar de novo. Mas não demorou muito para encontrarem uma boate de estrada. Eram guiados pelo som altíssimo que lá tocava. A placa dizia "Boate Mon Amour", com neon vermelho em volta do outdoor. Quando entraram lá, parecia mais um prostíbulo - uma casa de prostituição. Várias mulheres, quase que totalmente nuas, dançavam e giravam em grandes pilares de ferro, ao som da música "Hotel Nacional", grande hit musical de alguns anos atrás. Mattheus estava fissurado na performance das prostitutas que faziam Pole Dance. Vários homens - a maioria com aliança nos dedos - jogavam dólares e mais dólares no "palco" de dança das moças. Aos poucos elas iam tirando suas vestimentas (que já eram poucas): as luvas, as meias, o sutiã e, por fim, a calcinha. Os homens iam a loucura. Anderson estava procurando alguém, naquele local, que lhe emprestasse um telefone, para ligar a um taxista. Precisavam ir logo para o centro da cidade. Uma mulher com pouquíssimas roupas o atendeu.
- Oi, moça. Estamos procurando algum telefone. Você poderia nos conseguir?
- Desculpe, garanhão, mas aqui dentro não temos telefones ou algo parecido. Mas o senhor pode esperar o dono desta boate. Ele tem um telefone em sua sala. Você pode se divertir, enquanto espera, com uma de nossas mais lindas ninfetas. Pode escolher. - a atendente, enquanto falava com Anderson, acariciava as curvas do quadril e dos peitos. 
- Não, muito obrigada, mas ele não está interessado nestas vacas se requebrando em cima de postes de ferro! - Ketlyn interrompeu a conversa, um tanto quanto irritada.
- Ok, então. Vocês podem aguardar o Sr. Feltry naqueles bancos ali. - a moça apontou para alguns sofás vermelhos. Mattheus passou por ela. - Ei, este garoto está com vocês?
- Sim, moça. Mas não se preocupe, ele não irá fazer nada. - disse Anderson, puxando o braço de Mattheus.
O trio sentou naqueles sofás macios e aveludados. Ketlyn não estava suportando ficar naquele local. Para ela, era quase tão pior quanto o laboratório ou o esgoto. Os três começaram a ouvir gemidos de prazer em um corredor ao lado da sala de espera. Ali ficavam os quartos particulares, para quem quisesse fazer algo a mais com as pröstitutas.
- Aquele homem me salvou, mas acabou perdendo sua vida. Foi tudo culpa minha. - disse Mattheus, com a cabeça baixa.
- Não diga isso, garoto. Você não teve culpa. Se alguém tem culpa em tudo isso, é George. - disse Anderson.
- Quem é George? - quando Ketlyn ia responder a pergunta do garoto, ouviram gritos desesperados por socorro, vindos de um dos quartos do corredor. Anderson levantou-se na mesma hora, Ketlyn em seguida, mandando Mattheus esperar sentado ali. A música estava tão alta que só quem estivesse na sala de espera conseguiria ouvir os gemidos e os gritos de socorro dos quartos particulares. Os gritos vinham do quarto 101. Anderson arrombou a porta, e surpreendeu-se com o que viu: um zumbi, nu, estava tentando morder o lindo rosto de uma pröstituta, que estava apenas com os seios à mostra. Os dois estavam no chão.
- Me ajudem, me ajudem! - a garota suplicava por socorro, depois que viu Anderson e Ketlyn na porta. Anderson pegou um abajur que estava ligado à tomada e acertou em cheio na cabeça do homem, que apenas caiu para o lado. A moça levantou-se rapidamente, pegou seu sutiã e colocou-o ainda mais rápido. O zumbi levantou-se, e a pröstituta foi para trás de Ketlyn. Anderson viu uma banheira de hidromassagem cheia de água e espuma. No mesmo instante, deu um chute fortíssimo no zumbi, que caiu dentro da banheira. Logo depois, inseriu o abajur novamente à tomada e, em seguida, jogou-o na banheira. O zumbi gemia de dor enquanto era eletrocutado. A moça abraçou Anderson e agradeceu muito. Ketlyn não gostou do que viu.
- Você foi mordida? Como ele virou aquela criatura? - Anderson perguntou para a moça, tirando-a de seus ombros.
- Não, não fui mordida. Este maluco chegou um pouco alterado aqui na boate. Pensei que ele estava bêbado. Ele não parava de tossir enquanto eu fazia strip-tease. Ele levantou-se para me abraçar e eu o impedi, pois ele havia pago apenas por uma stripper particular. Mas ele me empurrou, eu caí, e logo depois ele me atacou. E então você me salvou. Isto foi tudo. - vários gritos de terror vindos do hall da boate interromperam a moça. Mattheus veio correndo do sofá.
- Vários zumbis entraram na boate, Anderson! Eles estão mordendo todos que estão lá.
- Existe outra saída, garota? - Anderson perguntou.
- Meu nome é Estella Stars, querido. E não, não há outra saída. Teremos que sair por onde vocês entraram.
Anderson foi na frente, como se fosse o líder. Muito sangue estava pelo chão, várias dançarinas nuas gritavam por ajuda, enquanto eram comidas, literalmente, pelos zumbis. Quando os quatro saíram da boate, um carro de luxo estacionou. Estella correu até o carro, e um senhor gordo saiu dele.
- Sr. Feltry! Algo terrível aconteceu! Muitos clientes estão comendo as dançarinas!
- E o que há de errado nisto? Eles estão comendo sem pagar? - disse Feltry, enquanto coçava a orelha.
- Não, senhor! Estou falando que eles estão comendo no sentido literal da palavra. Eles estão mordendo-as! Tem muito sangue lá dentro!
- Eu vou lá ver o que está acontecendo!
- É melhor o senhor não ir lá dentro! Vamos com seu carro até o centro! É o mais seguro! - Anderson tentou alertar Feltry.
- Cale a boca, seu imprestável! Ninguém diz o que devo ou não fazer! - no mesmo instante em que Feltry resmungava, uns três zumbis caíram por cima dele, e começaram a mordê-lo sem parar! - Me ajudem! Me ajudem, seus idiotas!
- Venham, gente! O idiota deixou a chave no carro! - Estella gritava para Anderson, Ketlyn e Mattheus, que entraram no carro sem pensarem duas vezes. Estella deu partida e saiu rapidamente da boate. Estavam indo em direção ao centro de Wingstonn.


-Indústrias Ângar, Wingstonn, 23/10/2015, 20h47min-

- É melhor eu ir indo para casa. Este dia foi irritantemente inútil hoje! - Guilherme se levantava de sua cadeira empresarial falando sozinho. Seu dia tinha sido horrível. Saiu de sua sala, pegou o celular e tentou ligar para a esposa, mas sem sucesso. Posicionou a mão direita em um decodificador de digitais, para poder trancar a porta de sua sala. Tudo era muito tecnológico em suas empresas. Começou a andar em direção a mesa da secretária, para avisá-la que poderia ir embora. Mas, quando chegou até a mesa, viu Donnes caída no chão, com um copo de água vazio na mão. Guilherme, pensando que ela estava morta, correu para o elevador. Estava com nojo de encostá-la. Quando chegou no elevador, uma grande surpresa: vários zumbis estavam se debatendo lá. Quando perceberam que Guilherme estava ali, parado em frente a eles, se viraram e começaram a correr atrás dele. Guilherme começou a correr em direção a sua sala, mas algo segurou sua perna, que o fez cair um grande tombo no chão. Na queda, um vaso caiu em sua mão direita, causando um grande corte. A mão que estava segurando sua perna era de sua secretária. Guilherme deu um chute no rosto de Donnes, que soltou sua perna na mesma hora. Levantou-se e posicionou a mão direita no decodificador de digitais.

- "Leitura indisponível! Líquido não identificado!" - disse uma voz robótica. O sangue que escorria sem parar da mão de Guilherme bloqueava a leitura das digitais. Então, Guilherme colocou a mão esquerda, mesmo sabendo que não iria funcionar, já que o decodificador só aceitava a mão direita. Sem sucesso, olhou para trás. Os zumbis estavam cada vez mais perto. Guilherme não tinha para onde correr. 


CONTINUA...

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