Episódio 7: REENCONTROS 

-Floresta do Parque (próximo ao riacho), Washington, 26/10/2015, 01h22min-

A noite estava bela, apesar da tempestade que caía horas antes. Ecos de corujas, atentas para achar algum alimento, eram ouvidos a todo momento pelo trio que estava preso numa espécie de jaula. Os três estavam desmaiados, já que, logo depois que Giulian apareceu no paiol, sofreram mais disparos de dardos soníferos. Anderson abriu os olhos e, quando percebeu que estavam todos presos em uma jaula, começou a chacoalhar Luciana e Ketlyn. Tinham que sair dali o mais rápido possível. Mas uma voz estranha, vinda de fora, o fez parar.
- Não adianta, idiota. Não tem como você sair daí. Nem você e nem suas amiguinhas. Se continuar a tentar acordá-las, eu vou até aí e te mato agora mesmo! Sua carne nem deve ser tão boa assim. - disse um homem com uma espingarda em mãos, sentado em uma cadeira totalmente torta. Anderson precisava daquela arma para saírem dali. Mas como a pegaria? Enquanto pensava, Ketlyn também acordou. Anderson foi para perto dela.
- Tem algum plano? - cochichou Ketlyn no ouvido de Anderson.
- Precisamos pegar a espingarda daquele homem, mas não sei como, ainda.
- Parem de sussurrar! Não adianta vocês tentarem criar uma espécie de plano para saírem daí! Você, cara, já, já estará morto e você, garota, será comida das duas formas. - o homem começou a rir. Mas Anderson e Ketlyn se assustaram ao ver algo que apareceu atrás do homem que ria sem parar: um zumbi! A criatura pulou no pescoço do homem, que tentou escapar, mas sem sucesso. O zumbi começou a mordê-lo sem parar. A arma do homem estava caída no chão, perto da "gaiola" em que Anderson estava.
- É nossa chance! Pegue a arma, Ketlyn! Só a sua mão passa por entre as grades. - disse Anderson, enquanto Ketlyn agachava-se para pegar a arma e Luciana começava a acordar. O zumbi começou a ver a mão de Ketlyn mexendo para pegar a arma e largou o corpo do homem. Estava indo em direção a jaula. Mas Ketlyn conseguiu ser mais rápida, pegou a espingarda e passou para Anderson, que atirou na cabeça do zumbi. Logo depois, atirou no grande cadeado que segurava os portões da jaula e saíram.
- Acho que eles estão fugindo! Ouvi disparos de armas, senhor! - alguém gritava para os outros, avisando que alguém tinha escapado. Anderson, Ketlyn e Luciana começaram a correr em direção a floresta, que, com a escuridão, parecia mais um labirinto. Era perceptível que vários homens estavam correndo atrás deles. E, por um descuido, Anderson acabou caindo.
- Corram! Não parem! Eu vou ficar bem! Vão, garotas! - Anderson gritava para que Ketlyn e Luciana escapassem. Sua perna tinha ficado presa em uma raiz de árvore e em poucos segundos os canibais estariam ali. Ketlyn voltou para perto de Anderson e começou a puxar seu braço, mas já era tarde demais. Cinco homens estavam ali, parados atrás deles. Na frente estava Giulian.
- Seus idiotas! Eu não vou perdoar duas fugas! Você vai morrer agora mesmo, retardado! - Giulian apontou a arma para Anderson, mas, milagrosamente, um outro tiro foi disparado, acertando bem na cabeça de Giulian. Todos se assustaram. Ricksonn havia acertado o tiro. Felizmente o "líder" do grupo e Cris apareceram, na hora certa. Os outros homens que estavam correndo levantaram suas armas também, mas Cris e Ricksonn foram mais rápidos. Mataram todos os canibais que corriam atrás de Anderson, Ketlyn e Luciana.
- E então? Estão todos bem? - perguntou Ricksonn, enquanto puxava o braço de Anderson e o fazendo desprender-se da raiz.
- Sim, estamos. Aqueles homens eram malucos! Eles são canibais! Acho que estavam estocando comida por causa dos ataques zumbis, ou eram doidões mesmo. - disse Anderson.
- Mas ainda tem muitos outros lá! Devemos sair daqui imediatamente! Vamos voltar para as cabanas, com o grupo! - disse Luciana, apavorada.
- Este é outro problema... - disse Cris.
- Problema? Pior do que este que acabamos de enfrentar? - indignou-se Anderson.
- Bom, como era o nosso combinado, após uma hora deveríamos ter retornado para as cabanas, mas eu e Cris acabamos nos atrasando também. Quando chegamos lá, estava quase tudo destruído e cheio de zumbis. O carro em que Cris veio com os sobreviventes não estava mais lá. Achamos que eles tenham fugido para sobreviverem. - disse Ricksonn, com um tom de desprezo, já que sua namorada, Jenny, também o abandonou.
- Então vamos voltar para as cabanas! Pegamos tudo de que precisamos e depois vamos embora, a procura deles. - disse Luciana, louca para sair dali.
Todos correram rapidamente. Queriam sair daquele transtorno o mais rápido possível. Anderson pensava que era alucinação de Luciana quando ela disse que tinham mais canibais do que aqueles, pois ninguém mais estava atrás deles. Talvez o medo de Luciana era tanto que ela já estava acreditando em coisas que não existiam.


-Rota 504, Washington, 26/10/2015, 01h30min-

- Você nos falou para virar aqui, eu virei! - gritou George para Jenny, que havia dito errado para qual caminho deveriam seguir. George bufava de ódio.
- Eu disse para vocês que não sabia como voltar para o Parque Florestal de Buggyans! - gritou Jenny, que logo após terminar a frase, levou um bofetão de Candy em seu rosto.
- É melhor você nos ajudar a achar Anderson, sua vadiä! Não estamos aqui para brincadeira, ouviu? - Candy mostrou sua verdadeira face. Jenny estava começando a ver que estava metida em uma enrascada. Candy foi para trás, junto com Jenny, amordaçou sua boca e amarrou suas mãos.
- Vou ligar o GPS. Ele deve ser mais útil do que esta vaca. - disse George, enquanto Candy voltava para o banco da frente do carro. O carro deu meia volta e começou a seguir outro caminho.


-Vilarejo Sunshine, Washington, 26/10/2015, 01h32min-

Após alguns minutos de caminhada, o grupo que se separou de Ricksonn e os outros chegou em um vilarejo, chamado Sunshine. Uma grande placa, caída no chão, avisava o nome da vila. Horina pediu para que parassem de andar um pouco, pois estava com falta de ar e dores no peito. Felippo achou melhor examiná-la para ver o que estava acontecendo. Tirou de seu bolso uma pequena lanterna. Pediu para que a idosa abrisse a boca, enquanto ele a examinava.
- Você precisa descansar, Horina. Acho que a caminhada até aqui foi muito exaustiva para a senhora. Creio que foi cansativa para todos. Vamos encontrar algum lugar neste vilarejo que parece estar vazio e descansar um pouco. - disse Felippo, que estava certo. Deveriam dormir para continuarem a caminhada. Mas, antes de procurarem uma casa abandonada, Horina caiu no chão. Começou a tremer sem parar.
- Ela está tendo um ataque cardíaco! - gritou Brenda.
- Nossa, ela parece que está levando choque no chão! - disse Alex, enquanto batia palmas e gritava assustado.
- Não temos tempo! Eu e Willian vamos até aquele prédio. Uma placa dizia que tinha uma farmácia ali. - os dois saíram correndo em direção a farmácia. 
Entraram e encontraram várias salas vazias no prédio. Um odor horrível vinha de outra sala. Willian queria abrir a porta para ver o que fedia tanto, mas Felippo achou melhor não. Depois de alguns segundos, acharam a farmácia. Estava, também, quase que totalmente vazia, mas ainda haviam prateleiras com algumas caixas com comprimidos.
- Willian, eu vou entrar naquela porta para verificar se tem algum comprimido útil para o caso de Horina. Enquanto isso, pegue todas as caixas que você puder encontrar. Já volto! - Felippo correu para uma porta que ficava nos fundos da farmácia. Normalmente, eram lá que ficavam a maioria dos medicamentos. Tudo estava muito escuro lá. Felippo usou sua pequena lanterna para iluminar a sala, mas se assustou quando, na mesma hora que ligou a lanterna, conseguiu enxergar um zumbi. Quase que instantâneo, o zumbi mordeu o braço de Felippo, que liberou um grito atormentador. Encontrou um cano de ferro encostado na parede e enfiou na cabeça do zumbi que tentara lhe dar mais uma mordida. Logo, apareceu Willian, perguntando o que havia acontecido. Quando viu o zumbi caído, se assustou.
- Nossa! Mas como podem ter zumbis aqui? Deve haver outro caminho em que estes monstros estão passando da cidade para cá. Ei, o que houve com seu braço? - perguntou Willian, preocupado.
- Eu caí e raspei meu braço na parede. Mas estou bem. Temos que sair daqui logo! E aqui não tem nenhum remédio de que Horina precise! Vamos voltar para lá! - os dois retornaram rapidamente para onde estava o resto dos sobreviventes, mas perceberam que algo estava errado. Todos estavam em silêncio e o corpo de Horina estava no chão, imóvel.
- Acho que ela não aguentou este novo mundo de desgraças... - disse Brenda, olhando para baixo.
Horina estava morta. A parada cardíaca era quase que irreversível quando tratada em um hospital, com profissionais e acessórios indicados. Felippo já sabia que Horina tinha poucas chances, já que não tinham nada para assegurar sua sobrevivência. Quando Felippo chegou mais perto, todos viram seu braço, sangrando.
- Antes que pensem que fui mordido por um zumbi, não, eu não fui! Mas estávamos enganados quando pensamos que não teriam zumbis aqui. Deve ter algum caminho alternativo ou um atalho. Precisamos sair daqui o mais rápido possível!
- Mas não vamos deixar o corpo de Horina aqui, exposto aos zumbis, vamos? Vamos, pelo menos, enterrá-la! - disse Brenda.
- Não temos tempo para fazer isto, Brenda. Vamos apenas juntar nossas mãos e rezar para a alma dela. - todos deram-se as mãos e começaram a orar. Mais nuvens se juntavam no céu, aparentando que ia chover novamente. E realmente choveu. Pingos lentos caíam das nuvens, que mais pareciam panos brancos rasgados. Talvez a morte fosse o melhor remédio para Horina. Havia perdido o marido e não sabia mais o que fazer. Talvez a morte fosse a resposta para tudo.


-Parque Florestal de Buggyans, Washington, 26/10/2015, 01h42min-

Ricksonn e os outros estavam, finalmente, chegando nas cabanas do parque. Ketlyn e Anderson estavam um pouco mais atrás, conversando sobre tudo o que havia acontecido naquela noite. Anderson se desculpou por ter sido grosso quando conversavam sobre Ricksonn ser ou não ser líder do grupo. Ketlyn disse que tudo bem. Enquanto conversavam, Ketlyn não percebeu que tinha um tronco em sua frente, acabou batendo a cabeça e caindo no chão. Os dois riram.
- Não olha por onde anda, Ketlyn? Pensei que uma jornalista atlética era, no mínimo, atenta. - disse, sarcasticamente, Anderson, enquanto aproximava seu rosto ao dela.
- Eu estava olhando para você, nem percebi que tinha uma árvore na minha frente. E, só pra constar, eu sou uma ex-jornalista atlética. - Ketlyn também aproximou seu rosto ao de Anderson. Ficaram se olhando por alguns segundos.
- Eu não consigo tirar você da minha cabeça. Eu só estou vivendo por você. Só estou querendo sobreviver para ter você junto a mim. - sussurrou Anderson no ouvido de Ketlyn, que o correspondeu com um beijo. Um grande beijo. Finalmente estavam mostrando, um para o outro, que ainda havia razões para querer viver em um mundo caótico. Mas o beijo foi interrompido com o som de aplausos. Os dois se assustaram quando viram quem estava ali, na frente deles. Era George, com o mesmo sorriso cínico de sempre.
- Como o amor é lindo! É muito lindo! Mas é uma pena que eu vou acabar com isto em poucos minutos! - George deu uma gargalhada, Ketlyn e Anderson se entreolharam. Como poderia George ter encontrado eles no meio da mata? O reencontro não era esperado por Anderson. Pelo menos achava que não se encontraria novamente com George tão rápido.


Continua...   

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