-Floresta
do Parque (próximo ao riacho), Washington, 26/10/2015, 00h38min-
Anderson foi abrindo os olhos aos poucos. O dardo paralisante tinha uma
substância forte, que fez ele e Ketlyn desmaiarem no mesmo momento em que
sofreram o disparo. Anderson olhou para os lados. Percebeu que não conseguia se
mexer e que estava amarrado com cordas em um tronco de árvore. Olhou melhor
para seu lado direito e viu, ainda desmaiada, Ketlyn. Anderson tentou chamá-la,
mas não acordara. Estavam dentro de um paiol de madeira caindo aos pedaços. A
porta se abriu. Giulian, um homem barbudo, com cabelos compridos e olhos
cansados entrou na pequena casa. Estava com a mesma arma que seu outro amigo
havia usado para atirar minutos antes em Anderson e na jornalista.
- Nossa, já acordou, cara? Você não deve ser idiota, não! Por isso descanse um
pouco mais, tudo bem? - o homem chegou mais perto de Anderson, com uma seringa
em mãos. Anderson chutou a mão do homem, que acabou derrubando a seringa no
chão e a quebrando. Giulian olhou com raiva para o fazendeiro. - Eu pensei que
você era mais inteligente! Eu estou lhe fazendo um favor em fazê-lo dormir sem
violência! Mas você escolheu dormir do jeito mais doloroso! - Giulian pegou um
pedaço de madeira no chão, com alguns pregos enferrujados na ponta, e acertou
em cheio na cabeça de Anderson, fazendo-o desmaiar na mesma hora. No instante
em que Giulian acertou-o com a madeira, Ketlyn acordou. Ela viu aquela cena
aterrorizante, mas ficou quieta. Fingiu que estava dormindo, para depois tentar
fazer algo. Giulian olhou para ela, cuspiu no chão, passou a mão no corpo dela
e saiu rindo. Ketlyn, depois que o homem saiu, começou a pensar no que poderia
fazer. Ela não fazia ideia de quem eram aquelas pessoas e por que estavam
agindo daquela forma. Uma coisa ela tinha certeza: não eram zumbis.
-Rota 806, Washington, 26/10/2015, 00h39min-
O carro de luxo que Felippo dirigia estava cheio de sangue. Já havia atropelado
vários zumbis. Ninguém sabia como apareceram tantos zumbis em poucas horas.
Jenny estava quieta como um túmulo, mas minutos antes não parava de falar sobre
Ricksonn. William mandou ela calar a boca, e ela obedeceu. Todos estavam muito
nervosos, exceto Alex, que estava achando tudo divertido. Sua febre havia
abaixado e já não tossia mais, mas não parava de cantar músicas de filmes de
faroeste. Horina estava quieta, no seu canto, pensando em tudo o que já havia
acontecido. Mattheus e Brenda conversavam sobre assuntos variados. Ele estava,
realmente, gostando dela. Todos se assustaram com a grande freada que Felippo
deu com o carro.
- O que aconteceu? Por que parou deste jeito? - perguntou Jenny, que estava
sentada ao seu lado.
- Vocês não estão vendo? Olhem a ponte! - todos olharam. Uma placa dizia
"Ponte em Obras. Apenas passem duas pessoas por vez!". - Teremos que
sair do carro e ir de a pé até o outro lado. Ou podemos voltar com o carro para
aquele posto de gasolina que havíamos parado. Não sei se teremos combustível
até lá...
- Eu acho melhor voltarmos para as cabanas! Ricksonn e os outros já devem estar
com Luciana lá! - disse Jenny, como se estivesse preocupada com todos, mas na
verdade estava apenas receosa pelo namorado.
- Se você quiser voltar, volte! Mas não estamos aqui para ficar ouvindo sua voz
irritante! - gritou William.
- Tudo bem! Eu vou voltar com o carro para lá! Alguém quer voltar comigo? -
Jenny tinha tomado uma decisão difícil. Voltaria para o parque apenas pelo
namorado. Mas ela poderia perder muitas coisas com sua decisão, principalmente
sua vida. - Alguém quer voltar?
- Ninguém quer ir com você, Jenny! Precisamos sobreviver e voltando para lá seria
burrice. Faça o que quiser com o carro, não precisaremos dele.
Jenny pegou a chave do carro da mão de Felippo com raiva. Colocou na ignição e
girou a chave. E saiu gritando "Espero que vocês morram!". William e
Horina foram os primeiros a atravessar a ponte. Em poucos minutos já estavam do
outro lado.
- Qual é o plano, agora? - perguntou William.
- Piano, piano, piano! Amo piano! Eu tinha um quando era criança, mas titio
quebrou na cabeça da vovó, não é Brenda? Né que é verdade? Eu quero banana! -
Alex havia dito mais coisas sem nexo. William riu do que o homem esquizofrênico
tinha falado, e Brenda não gostou muito. Ela odiava quem tratava mal e ria
sarcasticamente das pessoas que tinham doenças, principalmente as mentais.
- Bom, acho que devemos encontrar um carro, primeiramente. Só será difícil
encontrarmos um carro com chave, pronto para uma fuga! - disse Felippo.
- Não se preocupem com isto. Eu sei fazer ligação direta. Sou um adolescente
rebelde, ainda não perceberam? - disse William, enquanto começaram a caminhar
pela estrada. A noite estava bela, a tempestade havia parado e o vento estava
suave.
-Floresta do Parque (próximo ao riacho), Washington, 26/10/2015, 00h45min-
Ketlyn já havia tentado de todas as maneiras se libertar das cordas, mas não tinha
jeito. Precisava de algo afiado, algo que pudesse cortar as cordas. Anderson
ainda estava caído, desmaiado. Alguém estava chegando no paiol e Ketlyn voltou
a fingir que estava desmaiada. Um homem entrou com Luciana nos ombros,
desacordada. Jogou-a no chão e fechou a porta. Ketlyn conseguiu ouvir quando o
homem gritou para alguém "Pronto, a gorda já está lá. Depois é a vez da
outra gostosinha que está lá, com o cara. Já cortaram alguém? Estou
com...", mas a voz foi sumindo. Ketlyn ficou ainda mais assustada. A roupa
de Luciana estava rasgada e sua boca sangrava muito. Ketlyn percebeu que o
homem havia deixado o paiol destrancado. Era sua chance, talvez a única.
Começou a pular em direção a saída. Precisava encontrar algo para se soltar,
liberar seus amigos e descobrir quem eram aqueles homens. Quando saiu, olhou
para os lados. Não tinha ninguém. Um pouco longe dali havia uma grande fogueira
e três homens deitados em pedras. Ketlyn foi, silenciosamente, mais perto dos
homens. Conseguiu enxergar uma faca na mão de um deles. Uma faca cheia de
sangue. Era sua oportunidade. Chegou ainda mais perto. Sem querer, pisou em uma
lata de refrigerante amassada, mas ninguém acordou, felizmente. Como suas mãos
estavam amarradas para trás, Ketlyn ajoelhou-se e pegou com a boca a faca que
estava com o homem. Levantou-se e voltou rapidamente para o paiol. Quando
entrou, foi surpreendida com uma pedrada na testa. Luciana se desculpou, pois
tinha sido ela quem havia acertado Ketlyn.
- Desculpe! Por favor! Me ajude! Precisamos sair daqui! Esses homens são piores
que zumbis! Eles querem nos matar! Eles querem! - Luciana falava muito rápido.
A pedrada não tinha sido forte, Luciana não tinha forças o suficiente para
falar, muito menos para jogar uma pedra em alguém.
- Tudo bem, Luciana! Estávamos te procurando. Pega esta faca e me solta, por
favor. - Luciana começou a cortar as cordas que prendiam Ketlyn. Logo depois,
Ketlyn soltou Anderson, que ainda estava desmaiado. Sua cabeça sangrava muito.
- Quem são aqueles homens?
- Eu não sei muito bem. Eles fizeram coisas horríveis comigo. - enquanto
Luciana falava, cobria com suas mãos os seios, que estavam quase aparecendo. -
Eles me... estupraram! Rasgaram minha roupa a força, me bateram até que eu
desmaiasse! Estou com dores dentro de mim. Mas antes que eles fizessem isto
comigo, eu vi algo horrível!
- O que poderia ser mais horrível que isto? Eles são loucos! - disse Ketlyn,
enquanto tirava sua jaqueta e dava para Luciana se vestir.
- Eles... estavam... meu Deus, eu não consigo falar! Não consigo! - Luciana
estava muito nervosa. Sua perna machucada era a coisa menos importante para a
escritora, naquele momento.
- Tudo bem, eu entendo você! Sei que está nervosa! Precisamos acordar Anderson
e sair daqui imediatamente! Fique aqui com ele. Se eles voltarem, finja-se que
ainda está desmaiada! Eu vou buscar um pouco de água do riacho, para jogar no
rosto de Anderson.
Ketlyn saiu do paiol, enquanto Luciana se deitava no chão novamente. Ketlyn viu
que um dos três homens estava de pé, jogando pedras no rio. A jornalista voltou
para o paiol, pegou a faca, e foi em direção ao riacho. Pegou uma grande pedra,
jogou na água e se escondeu rapidamente. O homem ouviu o barulho e foi
verificar o que havia acontecido. Ketlyn saiu detrás de uma moita e enfiou a
faca no pescoço do homem, enquanto ele debatia-se sem parar. Tudo foi
silencioso. Ketlyn estava com nojo daqueles homens. Como poderiam ter feito
aquilo com Luciana, enquanto vários zumbis matavam pessoas inocentes? Ketlyn
jogou o corpo do homem atrás de um grande arbusto, pegou um pouco de água do
rio e voltou para o paiol.
- Consegui matar um deles, Luciana. Agora só faltam dois! - disse Ketlyn,
enquanto jogava água no rosto de Anderson.
- Você está maluca? Não são dois! Tem mais de dez homens envolvidos nisto! Eu
sei porque quando eles me trouxeram para cá, eu vi que tem várias casinhas como
essas perto da fogueira. Em cada uma tinha uns três homens! Meu Deus, nós
estamos ferradas!
- Calma Luciana! Precisamos sair daqui, mesmo que tenhamos que matar um por um!
- enquanto Ketlyn falava, Anderson acordou. Falou algumas palavras sem sentido,
mas logo voltou ao seu normal.
- Nossa, quem são aqueles homens? Um deles me acertou com uma madeira na
cabeça. Nossa, parece que eu tomei dez garrafas de tequila com energético em
cinco minutos. Estou com muita dor de cabeça.
Ketlyn contou rapidamente o que havia acontecido. Anderson queria levantar-se e
acabar com os homens, mas Luciana conseguiu convencê-lo que sem armas, não
teriam chances contra eles.
- E então? O que faremos? - perguntou Ketlyn.
- Vamos sair daqui, por favor, gente! Não quero que eles façam comigo o mesmo
que fizeram com os outros... - disse Luciana.
- Outros? Tem outras pessoas aqui? O que eles fizeram? - perguntou Anderson,
que ficava, a cada minuto, mais nervoso.
- Está bem, eu vou contar! Ai, meu Deus! Bom, quando eu cheguei aqui, eles me
deixaram amarrada, como ele fez com vocês. Depois, me levaram para perto da
fogueira. E lá, eu vi quando um deles pegou um homem, nu, desmaiado. Eles o
jogaram no fogo e o tiraram depois de alguns minutos. E então, meu Deus, eles
começaram a comê-lo! Eles pareciam zumbis! A fome deles era insaciável! Eles
comiam, riam das coisas que falavam, contavam piadas! Para eles era normal! Mas
a única diferença é que eles pensam, eles raciocinam! Eles farão isto conosco
também! - Anderson e Ketlyn realmente ficaram com medo.
- Ok! Vamos sair daqui o mais rápido possível! Consegue correr, Luciana? -
quando Anderson falou, a porta do paiol se abriu. Era Giulian.
- Sair daqui? Vocês? Meus amigos, tenho que, infelizmente, avisá-los que vocês
nunca mais sairão daqui! De agora em diante vocês são nosso banquete! - os três
ficaram perplexos. Não sabiam o que fazer. Nunca haviam pensado que, mesmo com
zumbis na cidade, serviriam de alimento para pessoas que não estavam
infectadas. Virariam alimento para canibais.
-Rota 806, Washington, 26/10/2015, 01h01min-
Jenny estava, realmente, perdida. Entrou em estradas diferentes e o combustível
havia acabado. Chutava o carro com força, com raiva. Mas algo fez ela parar.
Muitos zumbis começaram a aparecer. Ela não tinha armas e não conseguiria fugir
deles, já que estavam vindo de todos os lados. Algo milagroso aconteceu. Um
outro carro de luxo, prata, chegou, com alguém atirando em todos os zumbis. O
carro estacionou do lado de Jenny, que estava boquiaberta com a quantidade de
zumbis que a mulher que estava no carro matou em poucos segundos. O homem que
estava no carro abaixou a janela.
- Moça, você conhece Anderson Grindd? Ou Ketlyn Moura?
- Sim! Conheço os dois! Eu não sei o sobrenome deles, mas eles vieram de
Wingstonn para cá! Por que querem saber disso? - disse Jenny.
- Querida, podemos ajudá-la a sair daqui! Se levarmos eu e George até esses
dois! Você aceita? - disse Candy, a mulher que matou todos os zumbis.
- É claro! Eu não sei como chegamos lá, mas vocês devem saber! Vamos até o
Parque Florestal de Buggyans, eles estavam lá!
- Entre no carro. Iremos para lá imediatamente. - disse George, enquanto Jenny
entrava no carro. Algo estranho estava acontecendo. Talvez Jenny havia caído em
uma armadilha. George e Candy não eram pessoas confiáveis, e estavam ali apenas
para acabar com Anderson e seus amigos. O carro saiu rapidamente do local,
deixando vários corpos de zumbi caídos no chão.
Continua...