Episódio 5: SEPARAÇÃO 

-Parque Florestal de Buggyans, Washington, 25/10/2015, 23h18min-

Os gritos de Luciana ainda ecoavam na mente de todos. Ricksonn andava de um lado para outro sem parar, aparentando estar preocupado com o acontecido. A tempestade estava apenas começando, mas o vento já era forte. 
- Pessoal, acalmem-se! Precisamos encontrar Luciana, mas não adiantará todos irem. Seria muito perigoso, não sabemos o que houve com ela. Faremos assim: alguns virão comigo, o resto ficará junto em apenas uma casa, esperando nosso retorno com Luciana. Entenderam? - Ricksonn estava certo. Se o grupo inteiro fosse em busca da escritora, mais pessoas poderiam desaparecer.
- E quem irá junto com você, Ricksonn? - perguntou Anderson.
- Eu, Cris, Anderson e Ketlyn. O resto, volta para a cabana. Quero que todos fiquem juntos! Cris, pegue quatro lanternas, por favor! - enquanto Ricksonn falava com Cris, o grupo voltava para a cabana. Jenny ficou ainda mais com ódio de Ketlyn, pois ela fora escolhida para ir junto com Ricksonn. Em poucos minutos, o silêncio já voltara no parque. O som de grilos era a única melodia do lugar.

Rastros eram vistos no chão de terra vermelha. Parecia que alguém arrastou Luciana para a mata fechada. Ricksonn estava com um cinto cheio de granadas e um facão em mãos, Anderson com uma espingarda e munição, Ketlyn com uma metralhadora e Cris com um grande machado. Andavam com muita atenção. Qualquer som era um alarme para os ouvidos do quarteto. 
- Olhem, gente! - Cris apontou para um bloco de papéis caído no chão. Estava encharcado, com a chuva, mas ainda dava para ler o que estava escrito. - É o bloco de Luciana! Vou guardar, depois entregamos a ela! - Cris colocou no bolso o pequeno bloco, e voltaram a andar. Um grito atormentador ecoou na floresta.
- Vamos nos separar! Se ficarmos juntos, teremos menos chances de encontrar Luciana! Eu e Cris vamos para este lado, Ketlyn e Anderson seguem reto. Nos encontramos na cabana daqui uma hora! Boa sorte para vocês! - Ricksonn e Cris saíram correndo para um lado da mata. Anderson estava feliz que tinha ficado junto com Ketlyn.
- Preparada para correr, atleta? - perguntou Anderson para Ketlyn.
- Eu sempre estou preparada! Vamos lá! - a dupla começou a correr. Tinham de encontrar Luciana de qualquer forma.


-Cabanas do Parque Florestal de Buggyans, 26/10/2015, 00h10min-

Todos estavam atenciosos para ver se alguém aparecia com Luciana. Estavam, também, receosos, pois tinham medo de que algo ruim acontecesse com os outros. Jenny era a mais histérica. Andava pela cabana sem parar, perguntando para si mesma "Por que ele escolheu ela, e não eu, que sou sua namorada?". Brenda passava um pano molhado na testa do pai, que estava com febre. Mattheus tentou puxar conversa.
- Ele parece estar um pouco mal. Você sabe o que ele tem?
- Papai está gripado já faz alguns dias, e com este banho de chuva que ele acabou de tomar só o fez piorar. Mas em breve ele estará bem. E muito obrigada, novamente, por ter salvo meu pai no cinema. Se não fosse você, aquelas criaturas teriam matado ele. - disse Brenda, com um sorriso especial para Mattheus, que a retribuiu com um mesmo sorriso. William só cuidava do que o garoto fazia. Felippo chegou perto de Alex e Brenda.
- Você quer que eu o medique, garota? Encontrei uma dispensa cheia de remédios, lá fora, e posso pegar uns comprimidos de dipirona ou paracetamol. Pode ser? - perguntou Felippo, aparentando ser um ótimo médico. Era prestativo com seus pacientes.
- Seria muito bom, senhor. Ele está com uns 39 graus e meio. Ficarei muito grata.
- Tudo bem, já volto! - Felippo começou a andar em direção a porta, para sair da cabana. Jenny correu na frente do médico e segurou o trinco da porta.
- Você está maluco, doutor? Você não ouviu o que Ricksonn disse? Ninguém sai das cabanas! Ele é o líder e devemos respeitá-lo!
- Diz isso porque é seu namorado! Saia da minha frente, moça. Não quero tirá-la a força. - Jenny saiu da frente de Felippo na mesma hora. O médico saiu da cabana em direção ao hall do parque ecológico. Entrou na cabana principal, onde não haviam quartos, apenas estantes de livros, mesas e sofás. Havia uma porta nos fundos desta cabana, onde estava a enfermaria do local. Felippo entrou e começou a pegar várias caixas de remédios. Tinha de ter certeza de que não precisaria voltar para lá. Estava muito escuro, e os trovões o deixavam amedrontado. Quando começou a voltar para a cabana em que estava, ouviu um barulho. Algo tinha caído na sala de entrada do parque. Felippo deu alguns passos, mas parou, perplexo, quando viu o que estava na sala: um zumbi, grande e gordo. A criatura começou a correr atrás de Felippo, mas devido seu peso, corria de forma lenta. O médico conseguiu sair do hall, e começou a voltar para a cabana. Entrou rapidamente, ofegante. Todos ficaram olhando para ele, assustados.
- Um zumbi! Um zumbi! Estava lá fora! Ele está lá fora! Temos que sair daqui! - Felippo estava muito assustado. Falava sem parar. Todos começaram a falar rapidamente. Não sabiam o que fazer. Parecia que sem o "líder", eles não eram nada. Alguém começou a bater forte na porta. Gemidos eram ouvidos a toda hora. Mattheus foi ver na janela e se assustou quando a vidraça estourou em milhares de cacos de vidro na sua frente. Vários zumbis estavam ali. O mais obeso deles era também o mais forte, e em poucos minutos eles conseguiriam arrombar a porta.
- Vamos sair pela porta dos fundos! - gritou Jenny, enquanto foi correndo para trás. Abriu a porta e um zumbi quase a puxou para fora. Jenny trancou a porta rapidamente e voltou para a sala, com o resto do grupo.
- Como vamos sair daqui? Todas as saídas estão bloqueadas, e os zumbis já estão quase conseguindo pular a janela! - começou a falar Mattheus, preocupado com o grupo.
- Só há um jeito... - disse Felippo, com uma voz baixa. Parecia que sua ideia não era favorável a todos. Todos olharam para ele. - Alguém terá de se sacrificar. Não conseguiremos sair daqui, todos, vivos. Precisamos de um voluntário que corra até a caminhonete que Ricksonn veio dirigindo, pegue alguma arma que tem lá dentro, e volte para cá. Este voluntário com certeza receberá algumas mordidas, por isso digo que será um sacrifício. Tem de ser alguém novo para correr até lá. - Felippo olhou para William, Mattheus e Brenda. Jenny e Horina acharam a ideia do médico absurda, mas antes de qualquer outra crítica, William deu um passo a frente.
- Eu irei até lá. Mas não será um sacrifício. Eu voltarei para cá sem nenhuma mordida! Todos afastem-se! - o grupo ficou perplexo com William. Ele estava, realmente, confiante. Será que conseguiria salvar o grupo inteiro sem sacrificar-se? Era o que todos pensavam. 

William correu para a cozinha da cabana. Pegou uma garrafa de cerveja que tinha na geladeira e um isqueiro que estava em cima da mesa. Correu para a janela, onde alguns zumbis já estavam pendurados. Deu chutes nas mãos dos zumbis, fazendo-os se soltarem. Jogou cerveja nos zumbis que estavam mais perto, acendeu o isqueiro, e jogou em seus alvos. Começaram a correr sem parar e William aproveitou para pular a janela. Correu até a caminhonete de Ricksonn, que por sorte estava destrancada. Retirou algumas armas e pegou uma granada. Quando começou a mirar, o zumbi gordo começou a correr em sua direção. William atirava muitas vezes, mas a gordura da criatura era tanta que as balas não faziam nem cócegas. O adolescente entrou no carro, fechou a porta e abriu a janela. O grande zumbi colocou a cabeça para dentro do carro, tentando morder William. Mas o garoto foi mais rápido, retirou o gatilho de segurança da granada e enfiou na boca do zumbi. William saiu pela outra porta do carro e pulou para o mato, o mais longe possível. A explosão foi grande. A caminhonete estava em chamas, e o corpo do zumbi que tentara morder William tornou-se pó. O garoto começou a atirar nos outros zumbis, que eram mais fracos e caíam rapidamente. Todos ficaram pasmos quando viram como William conseguiu acabar com todos os zumbis.
- Nossa! William, você é normal? - perguntou Felippo, com uma cara de felicidade em ver que o garoto estava bem. Mas o sorriso em seu rosto saiu rapidamente, quando viu uma multidão de zumbis entrando no Parque Florestal de Buggyans. Todo o grupo saiu da cabana e foram em direção ao carro de luxo que Cris havia dirigido. Todos entraram rapidamente, e Felippo foi na direção.
- E os outros? Não podemos deixar meu namorado aqui! Eles estarão perdidos, pois estamos levando todas as armas que Ricksonn trouxe! - disse Jenny.
- Não há outro jeito! Ou saímos daqui e nos salvamos ou esperamos Ricksonn e os outros como idiotas e morremos. Eu decido sobreviver! - disse William, com um tom de voz ríspido. Felippo acelerou o carro, enquanto dizia "Eu também escolho viver!". O carro saiu cantando pneu, enquanto todos os outros zumbis, que invadiam o parque, entravam nas cabanas, em busca de comida. O grupo havia separado-se.


-Floresta do Parque, Washington, 26/10/2015, 00h25min-

Ketlyn e Anderson ainda não haviam achado Luciana. Estavam correndo sem parar, às vezes, gritos eram ouvidos. Ketlyn, mesmo tendo um corpo de atleta, estava exausta. Decidiram parar um pouco em um riacho, para tomar um pouco de água.
- Acho que devemos voltar para as cabanas. Uma hora já deve ter passado, e Ricksonn pediu para que voltássemos para lá. - disse Ketlyn.
- Então você também o obedece? Você também o considera "líder" do grupo? - disse Anderson, com um pouco de ciúmes.
- Eu não disse isso. Só acho que devemos fazer isto porque é o mais correto a se fazer. Não adianta ficarmos andando e girando pela floresta sem achar ninguém. E, aliás, você também obedeceu ele. Quando ele lhe chamou para ir junto com ele procurar pela Luciana, você não o contrariou.
- Eu não fui contra porque era o que eu queria fazer. Eu teria ido de qualquer maneira, mesmo que ele não me chamasse. Eu não gosto dele. É melhor... - um grito feminino interrompeu Anderson. O som não vinha de longe. Os dois não hesitaram, e começaram a correr. Mas, em poucos minutos, o chão em que os dois pisaram desabou. Caíram em um buraco. Era uma grande armadilha, igual àquelas em que desenhos animados fazem. Um chão falso enganou Anderson e Ketlyn, fazendo-os caírem em um buraco bem fundo. Os dois olharam para cima e se assustaram com o que viram. Duas pessoas estavam lá em cima, os olhando.
- Essa garota vai dar um bom caldo. - disse um dos indivíduos.
- É. E o amiguinho dela não vai servir nem para petisco de cachorro. - disse o outro, enquanto riam sem parar. Um deles levantou uma arma e disparou no pescoço de Ketlyn. Logo depois acertou Anderson. Os dois desmaiaram rapidamente. Eram dardos soníferos, usados para caçar animais selvagens.

- Jogue a corda, Giulian. Está na hora do jantar! - disse o homem que atirou em Ketlyn e Anderson. Algo muito estranho estava acontecendo. Muito estranho.


Continua... 

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