Episódio 3: MEL COM SANGUE 

-Base Aérea de Manaus, próxima a região da Floresta Amazônica, Amazonas/Brasil, 25/10/2015, 08h15min-

Um pouso de emergência foi realizado por Miguel. Uma espécie de mapa eletrônico mostrava onde deveriam fazer o pouso. Ramon ainda perdia muito sangue. Todos desceram e retiraram suas armas e munições. Estavam em uma grande rocha, rodeada por grandes árvores e rios imensos. Algumas bandeiras cravadas na rocha simbolizavam que ali era uma base aérea. A beleza da floresta ainda não havia sido atingida com o apocalipse zumbi.
- Primeiramente, devemos decidir quem vai e quem fica. Ramon com certeza irá ficar aqui, nos esperando. Você não tem condições para ir até a mata fechada procurar pelos ingredientes. - disse Gabriel. Ramon concordou com a cabeça. A hemorragia estava parando, mas a dor era insuportável. - Ramon, eu queria deixar alguém contigo, no caso de você ter algum problema. Você quer que fique sua irmã?
- Não. Ninguém ficará tomando conta de mim. Sei que nossas chances de sobrevivência já se diminuem por eu não poder ir, imagine se apenas duas pessoas forem! Os três deverão ir pegar estes ingredientes o mais rápido possível. Eu irei ficar bem. - disse Ramon, enquanto caminhava para dentro do jatinho. Diana deu um abraço no irmão antes de ele entrar.
- Se cuida, mano. Logo estaremos aqui, novamente. - Diana voltou para perto de Gabriel. Ramon entrou, desejou sorte e sucesso para o grupo e fechou o compartimento de entrada do jato. Diana ficou com o coração na mão em deixar o irmão sozinho, mas ele estava certo. Se apenas duas pessoas fossem em busca dos ingredientes, as chances de haver sucesso na missão seriam muito baixas.


-Interior da Floresta Amazônica, Amazonas/Brasil, 25/10/2015, 08h40min-

O trio já andava a um bom tempo, e não haviam encontrado nada: nem zumbis, nem os ingredientes. Todos estavam muito atentos a qualquer barulho. Miguel estava com um mini-computador que servia para procurar as regiões que mais produziam os ingredientes da ALFA X. Mas o sinal estava baixo e ainda não havia rastreado nada. O jeito era caminhar até encontrar algo. Um som estranho fez todos pararem. Diana levantou a arma para cima, mirando nos troncos grossos das árvores da flora amazônica. Os sons eram rápidos e vinham dos galhos das árvores. O mini-computador de Miguel começou a apitar sem parar.
- Pessoal, o computador encontrou algo. Estamos em um ninho de macacos da espécie Cacajo calvus, mais conhecidos como Uacari-Branco. Mas eles estão se movendo muito rápido sobre nós! Tem algo de errado! - disse Miguel, também mirando a arma para cima, logo depois que leu o que o computador havia lhe informado.
- Calma, grupo! Estes macacos devem estar infectados! Então, qualquer movimento brusco pode ser fatal. Andem com cuidado. - sussurrou Diana para todos. 
Começaram a andar mais lentamente. Mas um baralho fez todos pararem. Um macaco pulou sobre o cangote de Miguel e abriu a boca para mordê-lo. Diana acertou com a arma na cabeça do macaco, fazendo-o cair no chão. Dezenas de macacos iguais aquele que estava no chão começaram a saltar rapidamente nos galhos e faziam um som demoníaco. Parecia um ritual. Os macacos começaram a pular nas direções do grupo, que começaram a correr rapidamente. Três macacos pularam nas costas de Gabriel, mas o líder pegava-os pela calda e os jogava longe. Os primatas zumbis eram ágeis, mas não fortes. 
- Têm muitos atrás de nós! Temos que fazer algo! - gritou Miguel.
- Eu tenho uma ideia. - Gabriel começou a mexer em sua grande mochila, onde estavam munições e armas, e retirou uma espécie de granada. - Isto vai fazer eles pararem de correr atrás de nós. Mas eu não queria usar esta granada de luz agora. É a nossa única! - Gabriel puxou o pino que armava a granada de luz e jogou na direção dos macacos. O grupo fechou os olhos, enquanto uma grande luz tomou conta do local. O trio olhou para trás e apenas cinco macacos ainda estavam correndo atrás deles. Diana levantou sua metralhadora e disparou na cabeça dos macacos zumbis, com tiros certeiros. Finalmente a correria havia terminado.
- Meu Deus! Este vírus atinge até mesmo os animais! Já vi cães e gatos com o vírus, mas nunca pensei que em uma floresta tão grande como esta poderiam haver animais infectados. - disse Miguel. Quando Gabriel ia falar algo, um som vindo do mini-computador o interrompeu. - Pessoal, é outro aviso. E este é dos bons! Aqui diz que estamos perto de onde são produzidas os Pólens Reais! Este é um dos ingredientes, não é Gabriel? - o líder fez com a cabeça que sim. O grupo começou a andar cuidadosamente. Não queriam mais nenhum ataque de macacos zumbis.

Chegaram até um local plano, sem árvores muito altas e sem muitas plantas. Algumas árvores baixas e rasteiras escondiam uns grandes casulos negros que, na verdade, eram as colmeias das abelhas africanas. Gabriel já paralisou-se ao ver tantas abelhas voando loucamente naquele lugar. Miguel olhou para Gabriel e viu como ele estava com medo.
- Espere ali atrás, cara. Não tem por que você ir conosco até as colmeias. Sabemos que você tem muito medo de insetos e não faremos você passar por esta fobia. Eu e Diana vamos até lá, pegamos o pólen e voltamos correndo para cá. Vi que perto daqui tem um pequeno rio. Logo que pegarmos o pólen, devemos correr até este rio, para que as abelhas não nos peguem. Entendeu Gabriel? Ahh! E fique com meu mini-computador. Não quero derrubá-lo na correria em busca do pólen. - disse Miguel, preocupado com o amigo e entregando seu computador de mão.
- Está bem. Obrigado por entender o meu medo. Boa sorte para vocês! O pólen deve estar dentro das colmeias. Levem um frasco e retirem de dentro um pouco. - disse Gabriel. Diana acertou com um disparo de sua metralhadora uma das grandes colmeias que estavam penduradas nos galhos de um árvore. Aquele grande "casulo" se despedaçou quando chegou ao chão. Diana e Miguel se distanciaram um pouco, para tomarem coragem e fôlego. As abelhas africanas voavam loucamente pelo lugar, estavam nitidamente nervosas. 
- Miguel, temos que correr até lá e trazer a colmeia inteira. Não tem como pegarmos um pouco do pólen com tantas abelhas voando por perto. - disse Diana, preocupada. Ela não tinha o mesmo pavor de insetos que Gabriel, mas era impossível não ter medo daquelas abelhas africanas. 
- Fazemos assim: eu corro até lá, jogo a colmeia na sua direção para você pegá-la e você corre para a água, junto com Gabriel. - disse Miguel, se aprontando para correr.
- Está louco? Se você for sozinho, você pode morrer! Se eu for junto...
- Se você for junto, nós dois podemos morrer. É algo bem pior, não acha? - Miguel interrompeu Diana, que ficou em silêncio. Miguel deu um sorriso para ela e partiu em direção ao grande enxame de abelhas. Ele pegou a colmeia e jogou o mais longe possível. Diana conseguiu pegá-la e Miguel gritou para ela correr. Ela foi em direção ao rio, junto com Gabriel, mas ambos pararam quando ouviram os gritos desesperadores do amigo. Era perceptível que as abelhas estavam o atacando. Ele caiu no chão e começou a se contorcer. Muitas abelhas entraram em sua boca, enquanto gritava sem parar. Diana tentou correr até Miguel, mas Gabriel evitou. E estava certo. Não tinha por que ir até lá, sendo que Miguel já estava morto. As abelhas saíam pelo nariz, boca e orelha de Miguel. Pelo menos havia morrido com honra, com a certeza de que foi útil na missão. Muito útil. 


-Interior da Floresta Amazônica, Amazonas/Brasil, 25/10/2015, 09h17min-

Diana e Gabriel não precisaram correr até o rio. As abelhas nem perceberam que a colmeia estava com eles. Gabriel usou um frasco para guardar uma espécie de líquido, que era o pólen das abelhas africanas. Ninguém tinha dito uma palavra após a morte. Até o momento.
- Você acha certo o que eu fiz? - perguntou Diana para Gabriel.
- O quê, Diana?
- Deixar Miguel morrer... meu irmão ser mordido...
- Não fale besteiras, Diana! Não teve culpa de nada! Miguel fez o certo e nos ajudou muito. Ramon foi descuidado, e não tens culpa por isso. - disse Gabriel, num tom de sermão.
- Eu não impedi Miguel de ir sozinho até a colmeia e fui eu quem tirou a concentração de Ramon. - Diana estava nervosa.
- Acalme-se! Vamos parar um pouco e descansar. Estamos muito longe do jato para voltarmos até lá. Teremos que dormir esta noite na floresta. - disse Gabriel, já colocando no chão sua grande mochila e retirando de seu interior várias ferramentas e um pacote, que iria se tornar seu acampamento. 


-Interior da Floresta Amazônica, Amazonas/Brasil, 25/10/2015, 20h28min-

Após algumas horas de montagem e procura de madeira para fazer uma fogueira, Diana deitou-se dentro da pequena cabana de plástico e adormeceu. Gabriel, sem avisar sua colega de missão, foi em busca do outro ingrediente: a planta Nethyddus Alfae. Ele gostava mais da noite. Achava que teria mais sorte se fosse sozinho em busca do último ingrediente. Seria tão bom encontrar para saírem logo daquela bela e demoníaca floresta, pensava Gabriel. Seus pensamentos foram interrompidos com um sinal de alerta vindo do mini-computador. O sinal ficava mais forte a cada passo que dava. Gabriel começou a correr sem olhar para a frente, apenas para o computador. Um passo em falso fez o grande líder do grupo cair e rolar em um barranco de argila. Quando parou de rolar, percebeu que estava com a perna prensada no grande lamaçal e que, por nada, conseguia se mexer. Sua arma havia caído longe, fora de seu alcance. O mini-computador quebrou-se ao se bater fortemente no chão. Gabriel se assustou ao ver várias ocas em sua volta. Ele estava numa tribo indígena abandonada. Gabriel começou a gritar por ajuda. Torcia para que Diana escutasse seus berros por socorro. Mas quem o ouviu não foi alguém que ele queria muito. Aos poucos, vários índios começaram a sair de dentro das ocas obscuras. Todos estavam com mordidas brutais nos braços, pernas, pescoços. Um deles estava com a metade da cabeça caída para o lado esquerdo. Gabriel começou a gritar ainda mais. Os zumbis estavam chegando e ninguém vivo estava o ouvindo. Aquela tribo indígena não estava tão abandonada quanto ele pensava.


CONTINUA... 

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