-Aeroporto
de Vitória, Espírito Santo/Brasil, 25/10/2015, 06h24min-
A viagem de Guarapari até Vitória não tinha sido muito longa. Vários zumbis
apareciam, mas eram atropelados no mesmo instante. Ramon e Diana tiveram alguns
bons minutos de descanso. Miguel estava atento no volante e Gabriel não parava
de olhar os ingredientes do papel. Finalmente estavam no aeroporto, e Miguel
estacionou próxima a entrada, onde antes ficavam taxistas à espera de turistas
que precisassem de uma corrida até um certo lugar. Miguel acordou Ramon, que
cutucou a irmã para acordar. Saíram em silêncio. Não tinha sinal de zumbis no
local, mas prevenção era o melhor método para sobreviver. Gabriel foi na
frente. Com sua metralhadora em mãos, andava cautelosamente até chegar na
entrada do aeroporto. A porta automática estava estilhaçada no chão, deixando a
passagem mais acessível.
- Devemos encontrar Aroldo, certo? Ele deve estar no setor de embarque! -
sussurrou Diana, para Gabriel.
- Sim. O jatinho que iremos pegar deve estar lá. Mas o problema é sabermos onde
é o setor de embarque. Aqui está tudo tão escuro. Temos que tomar muito cuidado
onde pisamos. Deve ter muito zumbi aqui dentro. Mas enquanto eles não
descobrirem que tem carne fresca aqui, eles não serão perigo algum para nós! -
o grupo entrou na escuridão interna do aeroporto, enquanto Gabriel falava.
Os passos eram cautelosos. Um vulto passou correndo por trás do grupo, sem eles
perceberem. Diana ouviu um barulho vindo da estação de desembarque do
aeroporto.
- Alguém está lá, pessoal. E eu diria que é mais do que um. - disse Diana, indo
alguns passos para trás. Cabos elétricos soltos batiam no chão, jogando faíscas
e iluminando o local. Diana estava certa. Uma multidão de zumbis começou a sair
daquele setor. Mas eles estavam mais rápidos, mais inteligentes.
- Corram para o segundo andar, grupo! Não temos como acabar com todos eles aqui
embaixo! - gritou Gabriel, que começou a correr em direção a escada rolante,
que, por falta de luz, estava desligada.
- O que iremos fazer, Gabriel? Aqui em cima está ainda mais escuro, podemos
estar ainda mais em perigo! - disse Ramon, sussurrando. Os zumbis começaram a
subir a escada também. O grupo se escondeu no banheiro do segundo andar.
Trancaram a porta e ficaram em silêncio. Mas um gemido vindo por detrás de
Diana acabou com o sossego do grupo. Uma mulher zumbi pulou em cima de Diana,
que começou a gritar involuntariamente. A multidão de zumbis começou a bater na
porta do banheiro, onde Miguel e Ramon ficaram segurando. Gabriel usou sua
metralhadora para atirar na cabeça da morta-viva, fazendo-a soltar Diana.
- Está tudo bem? Ela te mordeu? - perguntou Gabriel, preocupado. Diana
respondeu com a cabeça que não estava ferida.
- Pessoal, não vamos aguentar segurar esta porta por muito tempo! Eles são
muitos! Procurem alguma saída ou algo assim! - Ramon gritou para Gabriel e
Diana. Gabriel foi ajudá-los a segurar a porta, enquanto Diana foi procurar uma
janela ou algo parecido para escaparem dali. Para desespero de todos, não havia
um buraco na parede que fosse. Mas, do nada, uma explosão no segundo andar fez
Gabriel, Ramon e Miguel voarem para longe. Vários corpos de zumbis também
entraram, mas estavam todos imóveis. A explosão tinha vindo de fora. O grupo
aproveitou para sair, e um homem, lá embaixo, com uma granada em mãos, estava
sorrindo.
- Nossa! Ainda bem que eu estava aqui! Já iria jogar outra granada, pensei que
ainda não tinham parado de atacar vocês! Desçam aqui! Sou Aroldo, o piloto de
vocês! - enquanto Aroldo falava, Gabriel levantou sua metralhadora em direção a
Aroldo. - Ei, pare de mirar esta arma para mim! Eu não estou infectad... -
Gabriel disparou. Aroldo chegou a por as mãos nos ouvidos, pensando que o tiro
iria acertar nele, mas o alvo era um zumbi que estava pronto para atacar o
piloto. Aroldo começou a tirar as mãos da cabeça aos poucos. Quando abriu os
olhos, o grupo já estava em sua frente. Aroldo olhou para trás e viu um zumbi
caído.
- Ele quase mordeu você. Desculpe se te assustei. Agora estamos quites, você
nos salvou e nós salvamos você. Agora, nos leve até o jatinho, por favor. Já
estamos atrasados! - disse Gabriel, com um tom simpático e, ao mesmo tempo,
autoritário. Aroldo deu um sorriso e começou a andar. O grupo começou a
segui-lo. Em poucos minutos estavam em frente a um lindo jato particular, com o
símbolo dos Laboratórios ALFA. Miguel viu umas manchas de sangue no jato.
- Senhor Aroldo, por que tem sangue na parte de fora do jatinho? - Miguel
apontou o dedo para as manchas.
- Não é nada de mais. Alguns zumbis também vieram aqui, e tive que atirar
neles. Um deles foi em frente ao jatinho, e eu atirei na sua cabeça, onde
soltou um pouco de sangue no jato. Agora entrem, pois, como vocês mesmos
disseram, estamos atrasados! - todo o grupo entrou rapidamente. Todos ficaram
muito confortáveis, já que era um jatinho de luxo. Tinha, até mesmo, uma
garrafa de champanhe. Ramon tirou a garrafa do balde com gelos, pegou quatro
taças e distribuiu para todos do grupo. Estourou a champanhe e colocou um pouco
em cada taça.
- Vamos lá, pessoal! Um brinde para que consigamos completar a missão com
sucesso! E também porque pode ser a nossa última taça com champanhe de nossas
vidas! - disse Ramon e todos brindaram. Beberam com muita felicidade. Aroldo
gritou de sua cabine.
- Estaremos em Manaus daqui umas duas horas, então aproveitem a viagem em um
jato de luxo e durmam um pouco. Irão precisar de toda a energia possível! - o
grupo obedeceu Aroldo, após beberem quase metade da garrafa de champanhe.
-Sobre o Rio Negro, Amazonas/Brasil, 25/10/2015, 07h59min-
Um sinal de alerta acordou o grupo inteiro. Gabriel olhou no relógio e já
tinham passado quase duas horas. Diana olhou pela janela e percebeu que estavam
sobre o Rio Negro, o mais extenso rio de águas negras do mundo e que ficava em
Manaus. Mas o rio estava ficando cada vez mais próximo do jatinho. O grupo
concluiu que o jato estava caindo. Miguel sabia pilotar aviões de pequeno porte
e, talvez, pudesse controlar o jatinho. Ele correu até a cabine do piloto. Aroldo
estava desmaiado.
- Preciso de ajuda, aqui! Ramon, leve Aroldo para o banheiro, tente acordar
ele. Eu irei pilotar o jato! - gritou Miguel e, em poucos segundos, Ramon já
estava com o homem no banheiro. Miguel sentou na poltrona do piloto e começou a
verificar os controles de voo. Percebeu que não era nada difícil e logo
estabilizou o jatinho. Estaria tudo bem, com Miguel no comando. Diana apareceu
na porta do banheiro.
- E então, irmão, ele está bem? - perguntou Diana, enquanto olhava para Aroldo.
Sua pele estava mais escurecida. Ramon sentiu seu pulso e virou-se para sua
irmã.
- Ele está morto, Diana. - mas, no mesmo instante em que Ramon respondeu sua
irmã, os olhos de Aroldo se abriram. Diana gritou, mas Aroldo foi mais rápido e
mordeu o braço de Ramon. Ele tinha se tornado um zumbi! Diana puxou o irmão
para trás e disparou um tiro na cabeça do ex-piloto. Gabriel correu até o
banheiro, assustado. Diana estava abraçada em Ramon, chorando.
- Ele foi mordido, Gabriel! Aroldo estava infectado! Garanto que aquele sangue
que estava no exterior do jatinho era dele! Não pode ser! Gabriel, o que
podemos fazer para salvar meu irmão? - Diana estava desesperada.
- Só há um jeito. - Gabriel virou-se, pegou uma corda que estava em uma mochila
que o grupo havia levado junto, e amarrou no braço esquerdo de Ramon. Amarrou
muito forte. - Coloque o braço infectado dele sobre aquela mesa, Diana. - Ramon
olhou assustado para Gabriel.
- Você vai amputar meu braço? É isso? - gritou Ramon, apavorado.
- É o único jeito do vírus não se apoderar totalmente de seu corpo, Ramon. Sei
que será dificílimo para você, mas será o único jeito de você sobreviver! Seja
forte, amigo! Eu também terei que ser! - gritou Gabriel, com um tom de amizade.
Diana não parava de chorar e Miguel gritava da cabine para saber o que estava
acontecendo. Ramon ficou com o braço esticado na mesa. Diana colocou um pedaço
de pano na boca do irmão. Gabriel quebrou um vidro que tinha na parede do
jatinho e tirou um machado de dentro. Gabriel caminhou até a mesa, levantou o
machado e piscou para Ramon, como se quisesse dizer "vai ficar tudo
bem". O grito foi aterrorizante. Gabriel teve de acertar duas vezes no
local, para retirar o braço, já que o osso não tinha nem trincado na primeira
machadada. O sangue jorrava muito. Gabriel amarrou um pano para fazer o
sangramento parar o mais rápido possível. Diana temia que o irmão não
aguentasse a dor ou que uma hemorragia acontecesse. Ramon estava quase
desmaiando de dor. O grito ainda estava impregnado nos ouvidos de todos que
estavam no jatinho. Agora era torcer para que chegassem bem em Manaus e que
Ramon sobrevivesse. Diana abraçou Gabriel, e agradeceu-o. O grupo estava quase
chegando em seu destino: a Floresta Amazônica.
CONTINUA...