-Hospital
de Seattle, Washington, 24/10/2015, 19h31min-
Mesmo que, agora, Washington estava caindo nas mãos dos zumbis, tudo estava
melhor para Anderson. Após ver que Ketlyn estava viva, sua esperança voltou e
sua consciência limpa também. Ela estava com uma roupa diferente, parecia um
uniforme policial. Seu cabelo estava amarrado, mas seu sorriso não mudara. Ela
estava ali, parada, com uma pistola em mãos.
- Como? Como você está aqui? - Anderson perguntava, enquanto Ketlyn chegava
mais perto.
- Calma, deixa eu te soltar daí. Logo, logo tudo ficará mais claro. Em que você
foi se meter para virar prisioneiro em hospital?
- É uma longa história. Logo, logo eu te conto tudo. Você consegue me soltar
daqui? - os dois deram risadas. Ela tinha um sorriso inexplicável. Seus lábios
eram carnudos e seus dentes eram perfeitamente brancos.
- Ok. Afaste bem seu braço. Vou disparar um tiro nesta algema que está presa à
cama. - Ketlyn mirou.
- O quê? Você tem certeza que vai conseguir? Você nem sabia segurar uma arma
antes!
- Eu precisei aprender algumas coisas sem você ao meu lado, Anderson. -
enquanto a jornalista falava, o som ensurdecedor de um disparo de pistola ecoou
no quarto hospitalar. Anderson gritou, pensando que sua mão tinha sido
"amputada" com o tiro. Mas Ketlyn foi certeira, e acertou exatamente
onde deveria. Anderson estava perplexo. Mattheus entrou correndo na sala, com
um sabonete em mãos. Quando se deparou com Ketlyn, ele não sabia se ficava
feliz ou se desmaiava de susto.
- Ketlyn? É você mesma? - o adolescente estava pasmo. Parecia um palmito de tão
branca que ficou sua pele.
- Se eu não tiver uma irmã gêmea, sim, sou eu. Agora chega de papo furado.
Anderson, tire esta roupa de paciente e vamos sair daqui. Mattheus, você
também. - Ketlyn estava diferente. Não era uma diferença ruim. Ela estava mais
independente. Anderson e Mattheus se trocaram rapidamente. Uma voz estranha
começou a ser ouvida, vinda dos corredores do hospital.
- Ketlyn, encontrou eles?
- Sim, Ricksonn. Já estou indo. - gritou Ketlyn. - Vamos pessoal?
O trio começou a descer as escadas. A enfermeira gorda e outros vários
pacientes zumbis estavam caídos pelo corredor. Alguém, que passou por ali, fez
uma chacina. Este alguém era Ketlyn, no pensamento de Anderson. Os gritos na
cidade não paravam. Washington já estava dominada pelos zumbis. Um homem
esperava-os no final do corredor. Ele tinha um facão em mãos, e uma espécie de
colete, cheia de granadas. Anderson deduziu que ele era Ricksonn.
- Você demorou, Ketlyn. Agora que salvou seus amiguinhos, vamos sair deste
inferno. - Anderson tentou cumprimentá-lo, mas o homem foi ríspido. Com um
olhar encarador, virou-se em direção a saída do hospital.
- Não liga pra ele. Ricksonn não é nem um pouco gentil. - Ketlyn sussurrou para
Anderson. Ela só estava diferente em sua dependência perante aos outros, mas suas
atitudes carismáticas continuavam sempre iguais.
O quarteto saiu do hospital. Ricksonn entrou em um carro prata, um pouco
amassado na traseira. Os outros entraram logo atrás. Ketlyn sentou ao lado de
Ricksonn, que estava na direção do carro. Eles saíram rapidamente dali. Alguns
zumbis apareciam na frente, e eram atropelados instantaneamente.
-Local desconhecido, Washington, 24/10/2015, 19h52min-
- Nossa, George! Hoje você estava inspirado. Eu mal consegui respirar! - disse
Candy, ofegante.
- Você acha isto porque fazia tempo que não tínhamos mais estes encontros. Mas
agora, que você será minha parceira, estes nossos atos carnais se repetirão
várias vezes. - George falava, enquanto a loura se levantava e colocava o
vestido que havia retirado facilmente, minutos antes.
- Então, agora que já nos divertimos, está na hora de trabalhar. Nosso querido
chefe me enviou-me para cá para te ajudar. Você é tão ineficiente assim? -
Candy foi sarcástica.
- Você sabe como ele é. Todo certinho, não pode haver um erro. Digamos que eu
não fiz tudo como ele queria.
- Eu sei. Mas está com você aquilo, né? Se não estiver, eu mesma te mato.
- Sim, Candy, estou. Vou pegar. - George levantou-se da cama e foi para o
banheiro. Voltou de lá com uma maleta preta. Colocou-a na cama e girou alguns
números, pois estava trancada com senha. Abriu-a e virou para Candy, para que
ela pudesse ver.
- Nossa! O chefe vai adorar ver isto. Você acabou com os outros frascos, não é?
- Candy estava fascinada com o conteúdo da maleta.
- Fiz tudo como ele mandou. Só guardei este frasco. É o único! Ele te disse
qual nossa próxima missão?
- Sim. Primeiro, matamos Anderson, aquele cara que sobreviveu em Wingstonn e
acabou trazendo o vírus para cá, e todos que estiverem junto com ele. Depois,
vamos para Dhaka, para levar esta maleta preciosíssima para o chefe. E depois é
só festejarmos com os bilhões e bilhões de dólares que iremos receber.
- Eu estava pensando... de que vai nos adiantar tanto dinheiro se o mundo
inteiro vai virar zumbi?
- George, não seja idiota. Ele disse que vai criar uma nova ordem mundial! Ele
disse que os zumbis irão acabar quando levarmos este frasco para ele! Eu confio
nele. Você não?
- Sim, claro que confio. Então vamos em busca do caipira e de seus amigos.
Vamos acabar com todos eles! Matar um por um! - George puxou Candy para perto
dele - E depois eu te mato de prazer, ok? - Candy o beijou sem parar. Abriram a
porta e saíram do quarto em que estavam.
-Shopping Center Crystal, Washington, 24/10/2015, 20h32min-
Finalmente o carro em que Ricksonn dirigia parou. Ele estava a toda por hora.
Alguém, dentro do shopping, viu o carro chegando e puxou um portão de ferro,
liberando a entrada do estacionamento. Ricksonn estacionou o carro lá dentro.
Todos saíram.
- Finalmente chegaram! - disse um homem seco, com cabelos castanhos, e
aparência velha, enquanto fechava o portão. - Vocês saíram a horas! Pensei que
não iam mais voltar! Ricksonn, sua namorada está estérica lá no andar das lojas
de roupas. Ela estava gritando sem parar. Até chamou a Ketlyn de vaca. Ela
pensou que você tinha fugido com a jornalista! - o homem seco começou a rir.
- Cale a boca, bastardo. - Ricksonn passou pelo homem e o empurrou, fazendo-o
cair. Começou a subir as escadas, em direção a saída do estacionamento. O homem
se levantou e estendeu a mão para Anderson.
- Desculpem-me, nem me apresentei! Sou Cristopher, mas pode me chamar só de
Cris. Fui eu quem salvei sua amiga e todos os outros que estão lá em cima!
Venham comigo, vou apresentá-los aos outros.
Quando Cris e os outros chegaram no andar em que todos os outros sobreviventes
estavam, se depararam com Ricksonn e a namorada brigando loucamente. Quando a
mulher viu Ketlyn chegando, apontou o dedo para ela e começou a gritar
novamente.
- Foi essa vagabünda que acabou com nosso namoro, Ricksonn! Vocês demoraram
demais para voltar para cá! Eu duvido que não houve nada entre vocês! Seu
canalha! - a mulher começou a dar socos no peito do namorado. Ricksonn a parou,
segurando-a pelo braço. Ketlyn estava sem graça.
- Pare já com isto. Seus showzinhos não me comovem mais! Eu só fui ajudar a
garota a achar os amigos dela, no hospital. Demoramos porque muitos zumbis nos
atrapalharam! Agora eu vou conversar melhor contigo! - Ricksonn continuou
apertando o braço da namorada, e foram em direção aos banheiros do shopping.
Dava para ouvir os gritos da mulher dizendo "Para! Você está me
machucando!". Depois que o casal entrou no banheiro, mais nada se ouviu.
- Bom, agora que já vimos um belo show de ciúmes, vou apresentar-lhes nossa
equipe! Ah, e como puderam ver, a namorada de Ricksonn chama-se Jenny. Mais
conhecida como "a ciumenta". - Cris levou Anderson e Mattheus para
cada um dos sobreviventes, enquanto falava sobre a mulher que havia feito um
escândalo minutos atrás. - Pessoal, cada um diga seu nome. Isto é só pra
quebrar o gelo com os novos integrantes de nosso grupo!
- Olá, é um prazer conhecê-los! Sou Luciana. Sou escritora de romances e
dramas. - disse uma mulher um pouco acima do peso. Tinha um belo rosto; olhos
verdes, lábios bem definidos e nariz arrebitado. Era percebível que sua perna
estava machucada, pois estava totalmente enfaixada.
- Desculpe a pergunta, mas o que você fez em sua perna? - perguntou Mattheus.
- Na correria de pegar o helicóptero, eu acabei caindo e torci a perna. Como
temos um médico no grupo, ele apenas colocou uma faixa para estabilizar o
ferimento. - Luciana apontou para um homem de cabelos brancos. Não era tão
velho, aparentava ter uns cinquenta anos. Anderson foi perto dele.
- Sou Felippo Watherson. Eu tinha um consultório no centro de Wingstonn, mas o
fechei, depois que, há dois dias, uma paciente tentou me morder. Realmente o
fim do mundo está chegando. No que eu puder ajudar, me chame! - o médico
parecia ser uma boa pessoa. Foram para perto de um casal de idosos.
- Que bom saber que mais pessoas ainda estão vivas neste mundo caótico! Sou
Horina Grinkestall, e este é meu marido, Romuel. - o senhor fez com a cabeça um
sinal de cumprimento. - Ele é mudo, por isso estou apresentando-o para vocês.
Mês passado completamos nossas bodas de ouro! E agora estamos aqui, presos em
um shopping porque criaturas horrendas querem nos comer. Nunca pensei que eu,
uma velha imprestável, serviria como alimento para alguém. - Anderson pensou que
Horina deveria amar muito o marido, pois seria muito difícil casar com alguém
que nunca poderia falar "eu te amo" para a mulher ou o marido. Todos
riram da idosa, que parecia ser muito simpática. Apenas o último sobrevivente,
um adolescente, que Anderson e Mattheus ainda não tinham cumprimentado, não
riu. Ele estava sério e não parava de olhar para Mattheus. Ele ainda não tinha
visto quem era o outro sobrevivente. Quando Mattheus virou-se e estendeu a mão
para ele, o garoto levantou-se de um banco em que estava e deu um murro em seu
rosto, fazendo-o cair. Todos se assustaram.
- Eu só encosto em você se for para te matar, seu assassino! Assassino! - o
garoto não parava de gritar. Anderson o segurou, para tentar apartar a briga.
Mattheus olhou melhor para o garoto e se assustou quando viu quem tinha lhe
dado um soco. Era William Dayon, um dos dois capangas de Rowl Anster que
presenciaram a fúria de Mattheus ao empurrar Rowl do precipício, que resultou
em sua morte. Mattheus suava frio. Agora todos saberiam o que ele tinha feito
em Wingstonn.
Continua...