Episódio 13: TRAIÇÕES 

-Casa de Descanso dos Duyllians, Washington, 26/10/2015, 22h36min-

Dend trouxe uma xícara com chá de camomila e entregou nas mãos de Ricksonn, que agradeceu com uma falsidade imensa. Anderson tinha a vontade de expulsar Ricksonn da casa a pontapés, mas sabia que se fizesse isso estaria sendo igual a ele e estaria desrespeitando os donos da casa.
- E então, como vocês se conhecem? - perguntou Harry para Anderson.
- Eu era do grupo dele. Tínhamos muitas pessoas em nosso grupo de sobreviventes. Mas este cara não deixou continuarmos com ele. Ele nos expulsou do grupo. Este homem é um verme! - Anderson começou a alterar sua voz, e Ketlyn já segurou seu braço, para não fazer nada que depois se arrependesse.
- Você não disse tudo, Anderson! Esqueceu de falar o porquê de sua expulsão! - disse Ricksonn, encarando-o com um sorriso sarcástico e um olhar demoníaco. - Esqueceu de falar que tirei vocês dois do grupo porque foi culpa de vocês a morte de minha namorada!
- Não temos culpa de nada! George e Candy estavam atrás de mim e de Ketlyn para nos matar, mas não tínhamos como saber isso! Foram eles que mataram sua namorada, não nós! - Anderson pulou para cima de Ricksonn e o acertou com um soco, fazendo o cair da cadeira.
- Calma gente, calma! Dend, arrume um quarto para Ricksonn, ele ficará conosco enquanto sua perna estiver machucada. E Anderson, não se preocupe, eu confio em vocês dois e sei que não seriam capazes de matar ninguém, a não ser zumbis. Todos se acalmem, por favor! - disse Harry.
Todos subiram para seus quartos, Ricksonn com a ajuda de Harry, já que sua perna estava doendo muito. A noite tinha sido longa, para Anderson, que não conseguiu pregar o olho. Estava com muita raiva em ter que cruzar com Ricksonn todos os dias.


-Local desconhecido, Washington, 27/10/2015, 09h01min-

A noite tinha sido péssima para o grupo que seguia junto com Cris. Luciana roncava muito, Brenda não parava de pensar em Mattheus. Alex e William eram os únicos que tinham conseguido dormir normalmente. Agora, o sol batia no rosto de todos. Quem estava dormindo, acordou-se em um pulo.
- Pessoal, precisamos acampar aqui. Não adianta ficarmos andando, nesta floresta. Talvez estejamos andando em círculos. Ontem eu dei uma olhada rápida pelo local, e descobri que tem água potável num riacho um puco abaixo daqui. Quem quiser ir tomar banho, desça por aquela trilha. William, Alex e eu iremos em busca de madeira, para fazermos uma fogueira mais tarde. Até logo. - disse Cris, que parecia ser um novo "líder" do grupo. Os três homens saíram em busca de tocos de madeira.
- Eu vou ir me lavar. Você vem também, Luciana? - perguntou Brenda.
- Não, pode ir sem mim, vou depois. Ainda vou tentar dormir mais um pouco. - respondeu Luciana, virando-se para o lado, dando um bocejo.
Brenda não tinha medo de descer até o riacho. Talvez nem lembrasse mais que os zumbis ainda estavam atrás de carne para comer. Tudo que ela pensava era em Mattheus. Será que ele estaria atrás dela? Será que ele estaria morto? Seus pensamentos só a deixavam com mais sensação de culpa. Quando chegou no riacho, tirou sua camiseta e abaixou a saia, ficando apenas de calcinha e sutiã. Colocou o pé na água e sentiu um calafrio, pois ela estava muito gelada. Mas mesmo assim entrou no pequeno rio. Lavou primeiro o cabelo. Com o tempo, a água já estava melhor, nem parecia que ela estava congelando minutos atrás.
- Mas como você é gostosinha, Brenda! - gritou William, que estava perto do riacho, olhando-a tomar banho. Brenda se assustou na hora que viu William.
- O quê você quer aqui? Você deveria estar pegando madeira com Cris e meu pai! Me deixe tomar banho! 
- Não foi difícil deixar aqueles dois idiotas pegarem as madeiras sem perceberem que eu não estava mais ali. Um é retardado e o outro pensa que é novo líder!
- Você não ouse falar de meu pai! Ele tem uma doença, ele não é retardado! Saia logo daqui, antes que eu comece a gritar!
- Grita, mas grita mesmo! Isto só me excita ainda mais! - William tirou a camiseta e entrou no riacho. Brenda tentou sair, mas acabou sendo alcançada por William. Ele tapou a boca dela e tirou-a da água. Jogou-a no chão e começou a tirar seu calção. Brenda não parava de gritar por socorro, mas ninguém a ouvia.
- Relaxa, menina! Se você cooperar, eu juro que não faço você sentir muita dor! - quando William ia tirar sua cueca, Brenda deu um chute em seu órgão genital e começou a correr. William sentiu muita dor. Colocou novamente seu calção e começou a perseguir a garota também.
- Socorro, socorro! Pelo amor de Deus! Socorro! - Brenda gritava desesperada. Ela estava quase que totalmente nua. Sem olhar para o chão, acabou tropeçando e, quando foi se levantar, era tarde demais. William chegou por trás e a segurou pelo cabelo. Jogou novamente a garota no chão, subiu por cima dela e começou a dar socos em seu rosto.
- Vadia! Quem mandou você correr? Agora vou ter que te matar! - gritou William para Brenda, que já estava com o rosto sangrando.
- Pare com isso agora, seu covarde pervertido! - quando William ouviu aquela voz, parou de bater em Brenda. Quando olhou para trás, só conseguiu avistar uma pedra acertando seu rosto. Caiu desmaiado na mesma hora. Alguém tinha salvo a vida de Brenda. E esse alguém se chamava Mattheus.
- Não acredito! Deus ouviu minhas preces! Mattheus, ainda bem que você está vivo! Obrigada por me salvar! Obrigada mesmo! - Brenda levantou-se rapidamente. Sua testa estava sangrando, mas o sangue não ofuscava sua beleza.
- Eu escapei pela janela do ônibus e entrei na floresta o mais rápido possível. Acabei me perdendo. Felizmente, por causa de seus gritos, eu a encontrei! - Mattheus deu um sorriso para Brenda.
- Não precisa falar mais nada! Só me beija! - Brenda agarrou o pescoço de Mattheus e lhe deu um grande beijo. Os dois tinham uma grande sintonia. Mattheus ficou bobo depois do beijo. Nunca tinha recebido um selinho que fosse.
- Vamos sair daqui, Brenda. Temos que avisar aos outros que William não é quem todos pensam! - Mattheus deu a mão para Brenda, que correram até o riacho para pegar as roupas dela. As coisas estavam começando a melhorar, para Brenda.


-Casa de Descanso dos Duyllians, Washington, 27/10/2015, 10h43min-

Todos haviam acordado bem cedo, com exceção de Ricksonn, que ainda estava dormindo em seu quarto. Ketlyn e Dend foram até a estufa, pegar algumas folhas de alface para a salada do almoço. Anderson e Harry jogavam cartas na sala. Os dois pareciam irmãos, nem pareciam que tiveram algumas desavenças no dia anterior. 
- Nossa, esqueci completamente! - disse Dend., colocando a mão na cabeça.
- O que foi, Denddia? - Ketlyn perguntou, apreensiva.
- É que nós sabemos como é ruim quando estamos naqueles dias. Ontem começou minha TPM. E eu esqueci de pedir pro meu irmão pegar no mercado, ontem, absorventes. Você não iria junto com ele até o mercado pegar para mim? É que fico sem jeito de pedir para ele e seu namorado irem. Faria isto por mim? - perguntou Dend.
- Sim, sem problemas. Só precisamos deixar estas hortaliças na cozinha e pedir ao Harry para me levar até o mercado.
As duas foram até a cozinha. Deixaram lá todas as verduras e frutas que tinham pego na estufa e foram até a sala, falar com Harry. Anderson perguntou porque ele não podia ir com Harry, mas Ketlyn disse que era algo de que só as mulheres poderiam entender. A moto de Harry saiu rapidamente da casa de repouso, com Ketlyn na traseira, acenando para Anderson.
- Tomara que ela pegue o absorvente certo. Pedi para ela pegar um pra mim. Bom, me faz um favor, Anderson? Vá até a estufa. Eu esqueci meu cesto com cenouras lá. Enquanto isso vou para a cozinha cortar as frutas que usarei para fazer uma vitamina que levanta até defunto. Ricksonn irá melhorar logo.
- Tudo bem, vou até lá sim. Já te levo o cesto na cozinha. - Anderson foi falando e indo em direção a estufa ao mesmo tempo. Dend deu uma olhada para Anderson sem que ele percebesse. Ela entrou correndo na casa, subiu as escadas. Entrou em seu quarto e abriu o guarda-roupa. Tirou um fundo falso e retirou várias roupas para situações mais quentes entre um casal. Tinham acessórios eróticos também. Tirou sua roupa, colocou uma lingerie cinta-liga vermelha. Passou um batom preto que, no sol, tornava-se vermelho com tons em bordô. Voltou para baixo correndo. Sem querer ela tropeçou na escada e fez um baralho alto. Acabou acordando Ricksonn. Dend parecia uma mulher muito vulgar com aquelas roupas. Tinha rejuvenescido uns cinco anos com aquele traje. Ricksonn levantou-se assustado e olhou pela janela de seu quarto, que dava para enxergar claramente a estufa. Avistou Anderson saindo com um grande cesto. Logo em seguida, viu Dend chegando, com aquela lingerie provocante.
- Denddia! Por que você está vestida deste modo? - Anderson ficou surpreso com o estilo secreto de Dend.
- Querido Anderson, você não percebeu? Por que você acha que eu deixei vocês dois ficarem em minha casa, dois desconhecidos? Porque eu quero você! Quando te vi com aquela vadiä, eu pensei no mesmo instante que você seria meu! - Dend chegou perto de Anderson e passou sua mão em sua coxa, subindo mais para cima aos poucos. Anderson foi rápido e esquivou-se para trás.
- Você está louca, garota? Realmente você ficou mais bonita que antes, mas eu amo minha namorada! Eu não vou trair ela! Você só pode estar louca! - gritou Anderson. Ricksonn estava adorando ver tudo aquilo.
- Sim, Anderson! Estou louca por você! Ou melhor, mais do que louca: estou apaixonada! - Dend pulou para perto de Anderson e agarrou seu pescoço. Deu-lhe um beijo surpresa. Ricksonn queria ter uma câmera para poder filmar aquilo. 

- Parece que Ketlyn está criando alguns chifres em sua testa. Anderson, pensei que você amava sua namorada! Agora eu já sei como fazer este casal se acabar em brigas! Quem mandou eles me confrontarem? - Ricksonn falava sozinho. Mas de uma coisa ele tinha certeza: sua sede de vingança, por ter levado um soco de Anderson e por não ser considerado líder pelo casal quando estavam em grupo era o combustível para atear fogo na relação entre Anderson e Ketlyn... 


Continua...

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