-Local
desconhecido, Wingstonn, 24/10/2015, 01h23min-
George Müller estava muito feliz. Por enquanto, tudo estava dando mais do que
certo. Pegou um champanhe, que estava num balde de alumínio com vários blocos
de gelo, virou a garrafa e encheu uma taça de cristal. Bebia como se fosse um
rei, com muita classe. O piloto do helicóptero em que George estava não falava
um pio. O celular de George tocou. Era seu chefe, o homem da "voz
misteriosa".
- George, como está indo? Pelo que eu sei, você conseguiu explodir o maldito
helicóptero que iria salvar a vida de Anderson e seu grupinho, certo? - disse
uma voz grossa.
- Olá, chefe! Sim, sim, tudo como o senhor mandou. Garanto que eles devem estar
escondidos, agora, tentando sobreviverem. Isto se já não morreram.
- Você está enganado. Eu tenho acesso a todas as câmeras de segurança de
Wingstonn e vi que eles foram no batalhão de exército da cidade para pegar um
tanque de guerra. Anderson já foi do exército e sabe comandar aquele trambolho.
Eles estão indo para o Farol dos Golfos, onde estão os barcos de luxo daquele
empresário. Eles estão planejando ir para Washington.
- Então o senhor quer que eu vá até o farol e derrube, um por um, estes barcos
do engomadinho? Faço isto com o maior prazer! - disse George, com aquele
sorriso maléfico de sempre.
- Não, claro que não. Deixe-os tentarem chegar até lá. Você vai, agora, para
Washington, está bem?
- Mas senhor! Washington não tem nenhum zumbi ainda! O governo deles pensa que
Wingstonn já está se estabilizando! Se este grupo for para lá, eles podem nos
contradizer, pois Anderson tem provas e...
- Cale a boca, seu histérico! - gritou o chefe de George - Faça o que estou
mandando e não me pergunte mais nada! Estou com muita dor de cabeça. Chamei a
minha secretária mais gostosa para, você sabe, "me curar". Então, não
faça nada contra o grupo, entendeu? - o homem desligou na cara de George.
- É claro que entendi, "senhor". - George não estava mais gostando de
como seu chefe o tratava. Mas não tinha como contrariá-lo - Piloto, dê meia
volta, vamos para a capital. Vamos para Washington! - um sorriso maléfico ficou
em seu rosto por alguns minutos.
-Estrada para o Farol dos Golfos, Wingstonn, 24/10/2015, 03h39min-
O caminho até as muralhas que bloqueavam a passagem foi muito longa. Além do
tanque ser pesado e andar lentamente, muitos zumbis apareciam, se penduravam no
tanque e subiam. Ficavam tentando entrar. Guilherme subia as escadas e acabava
com todos, enquanto Anderson comandava o grande carro de combate. Raquel não
parava de orar, Mattheus ainda sentia a dor do tapa que recebera horas antes da
beata. Mas agora estavam em frente ao grande muro de concreto. Se derrubassem-o
com sucesso, estariam a poucos minutos do farol.
- Todos tapem os ouvidos. O som do disparo é alto, ainda mais agora que estamos
muito perto de nosso alvo. - todos colocaram as mãos na orelha, menos Anderson,
que preparava a mira - Atenção... FOGO!
O som foi, realmente, muito alto. Raquel deu um grito de susto quando a
explosão aconteceu. A fumaça tomou conta do lugar. Aos pouquinhos, o grupo ia
saindo do tanque para ver se tinham conseguido derrubar o muro. A grande
muralha estava, quase que totalmente, derrubada. O grupo festejava de
felicidade. Anderson não com a mesma intensidade que os outros, mas também
estava feliz. Queria que Ketlyn estivesse ao seu lado. Até mesmo Guilherme
abraçou Raquel e Mattheus. Muitas pedras gigantes ainda estavam no caminho, o
tanque não iria conseguir passar por cima delas. Agora deveriam continuar o
caminho a pé. Pegaram as poucas armas que sobraram e saíram do tanque.
Começaram a ir em direção as pedras. Todos subiram rapidamente e desceram na
mesma velocidade. Estavam do outro lado do muro. O ar parecia diferente, com um
cheiro estranho.
- Devemos ter muita atenção, agora, pessoal! A floresta, à noite, já é
perigosa, imagine então com zumbis por todos os lados. Façam o menor barulho
possível! Entendido? - Anderson falava como o líder do grupo. Talvez fosse, de
fato, o líder. Começaram a andar por uma trilha que daria no farol.
A lua era cheia, e estava lindíssima. Anderson pensava a todo momento em
Ketlyn. Estava pensando mais na jornalista do que em sua ex-esposa. Talvez
sentia-se ainda mais culpado por isto. O grupo ia em fila indiana a caminho do
Farol dos Golfos. Raquel e Mattheus iam mais atrás, Guilherme e Anderson iam na
frente. Um zumbi, com roupa de cientista, apareceu na frente de Anderson. Saiu
por detrás de uma árvore. O zumbi tinha um machado cravado em seu pescoço, mas
ainda estava ali, firme e forte, tentando atacar Anderson. Guilherme acertou em
cheio um tiro na cabeça do cientista. Anderson agradeceu, pois estava no mundo
da lua, e se não fosse o empresário metidinho que ele tanto odiava ter matado o
zumbi, Anderson estaria sendo mordido pela criatura. Andaram um pouco mais. Em
mais alguns minutos estariam no farol.
- Eu preciso parar. - disse Raquel.
- Não podemos parar, Raquel. George pode aparecer a qualquer minuto para acabar
com nosso plano. - disse Anderson.
- Mas eu preciso parar! Preciso realizar minhas necessidades fisiológicas!
- Por que não fala logo que quer cagar, mulher? - todos riram do que Guilherme
disse, menos a própria beata.
- Cale a boca! Eu não estou pedindo para vocês me esperarem! Eu estou mandando!
Fiquem aqui, eu já volto! - a mulher saiu da trilha. Começou a andar em direção
a uma grande árvore, onde se recostou e abaixou as calças. - Cagar! Eu nunca
diria essa palavra na frente daqueles brutamontes. Não sei o que papai iria
pensar se visse eu rodeada por dois homens e uma bixa. Ele me mataria. - Raquel
pegou um lenço que tinha no bolso para limpar o excesso da lia. Levantou as
calças, jogou o lenço no chão, e começou a voltar para junto do grupo. Parou
quando ouviu passos perto dela. Virou-se para ver quem era. Não tinha ninguém.
- Eu e minha imaginação fértil.
Quando virou-se novamente, um grande cachorro perdigueiro rosnava na sua
frente. O cão estava totalmente machucado, algumas tripas estavam expostas e
sua boca pingava sangue escuro. Não haviam dúvidas: aquele animal estava
infectado. Era um cachorro zumbi. O cão saltou em cima da beata. Começou a
morder seu peito, onde rasgou seus vestido por inteiro.
- Socorro! Socorro! Aaahhhh! Deus! Não! - a beata gritava sem parar. O cachorro
começou a comê-la por inteiro. Deixou a mulher quase totalmente nua.
- Estão ouvindo? É Raquel! Vamos ajudá-la! - o grupo começou a correr em
direção a ela, mas logo parou. Cinco cães estavam na frente deles, rosnando sem
parar. Guilherme levantou a arma e atirou em um dos cães. Os outros cachorros
começaram a atacar. Anderson atirou em todos, mas um deles conseguiu pular em
Guilherme. Mattheus, que estava perto do empresário, deu um chute no cachorro
zumbi, que caiu para o lado.
- Obrigado, pirralho. - disse Guilherme, com um tom de agradecimento sem
falsidade. O empresário virou para o animal que tinha o atacado. Mirou bem na
cabeça e disparou. Acabaram com todos. Os gritos de Raquel pararam de ecoar.
Anderson correu até um corpo estirado no chão. Estava totalmente
desconfigurado. Raquel não teve uma morte calma. Parecia um castigo. Se ela
ainda pudesse falar, com certeza diria que foi um castigo de Deus.
- É melhor voltarmos para a trilha e corrermos o mais rápido que pudermos.
Estes tiros devem ter chamado a atenção de muitos zumbis. Com certeza, de
muitos cães, também! - Anderson e Guilherme começaram a correr. Mattheus foi
perto da beata e chutou sua cabeça.
- Eu disse que Deus não teria piedade de você, sua vadia. - Mattheus sentia-se
vingado. Voltou correndo para junto de Guilherme e Anderson, com um sorriso de
orelha a orelha.
-Farol dos Golfos, Wingstonn, 24/10/2015, 03h51min-
O grupo finalmente chegou no farol. Era um grande monumento turístico, que
havia sido reformado por ordens de Guilherme. Raquel não tinha sido uma perda
muito significante para o grupo. Mattheus adorou a morte da mulher.
- Ali estão meus barcos de luxo! Eu vou até aquele ali, o branco, o maior que
tem. Ele tem um grande convés! Vou com este barco porque ele tem mais
capacidade de combustível! Esperem por mim, enquanto eu vou ligando o barco. -
disse Guilherme, indo em direção ao barco.
- Calma aí, Guilherme. Eu não sou burro de cair na sua conversa novamente! Nós
vamos com você até o barco, não tem por que ficarmos aqui. - disse Anderson.
- Tudo bem, tudo bem. Eu não iria abandoná-los novamente. - o trio foi em
direção ao barco. Guilherme e Mattheus subiram no barco, que mais parecia um
navio, de tão grande que era. Mas quando Anderson ia subir, um zumbi apareceu.
Saiu de dentro do farol. Anderson olhou para ele. Guilherme ia atirar nele, mas
o fazendeiro disse que não. Anderson reconheceu o zumbi: era Lettwan, o senhor
da bengala, que o ajudou a sobreviver logo depois que caíra barranco abaixo. O
reconheceu porque estava usando o broche que sua mulher havia lhe dado, anos
antes.
- Vou lhe ajudar, Sr. Lettwan. Você voltará para sua mulher, agora. - o zumbi
parou na frente de Anderson. Não o atacou. Parecia que sabia quem Anderson era.
O disparo do fazendeiro foi certeiro. Lettwan caiu. Anderson sentia-se melhor,
agora. Conseguiu realizar o maior sonho do viúvo: levá-lo para junto da esposa
que tanto amava. Guilherme estendeu a mão para Anderson, que puxou-o para
dentro do barco.
- Como é que você vai ligar o barco? Você tem a chave? - perguntou Mattheus.
- Claro que não, garoto! Meus barcos são de luxo! Eles ligam apenas se eu
colocar a minha mão direita neste decodificador. - Guilherme colocou a mão em
uma telinha verde - Ele irá ler as minhas digitais e o barco ligará! Simples
assim!
- E em quanto tempo, mais ou menos, estaremos em Washington? - Anderson estava
ansioso.
- Em três horas. O barco é veloz, e isto ajuda muito! Agora, sentem-se nestes
bancos, comam e bebam o que quiserem! Tem caviar, vinhos italianos, champanhe e
muitas outras coisas! Vamos sair deste maldito lugar! Adeus, Wingstonn! - o
barco começou a se mover rapidamente. As águas do Rio das Antilhas estavam
calmas, para a alegria de Guilherme. Em algumas horas o grupo estaria na
capital norte-americana.
-Barco de Guilherme, próximo a Washington, 24/10/2015, 06h58min-
O trio estava quase chegando nas encostas do Rio Potomac, rio que banha a
capital estadunidense. Mattheus estava dormindo. Anderson não conseguira tirar
um cochilo que fosse. Ketlyn estava em sua mente a toda hora. O barco começou a
diminuir sua velocidade.
- O barco está parando ou é coisa da minha cabeça? - perguntou Anderson.
- O combustível está acabando. Espere aí, vou lá embaixo colocar mais gasolina.
- Guilherme desligou o barco e desceu umas escadas que iam até o fundo do
barco. Era muito escuro lá dentro. Anderson ficou olhando para o horizonte.
Pensando que agora estariam, finalmente, a salvo.
- Aaaaahhhhhh! - um grito de Guilherme fez Anderson parar de pensar e Mattheus
acordar. Os dois correram até lá embaixo, mas Guilherme já estava voltando, com
a mão encharcada de sangue.
- O que houve, Guilherme? - Anderson estava assustado.
- O maldito galão de gasolina caiu em cima de minha mão. Ele era pesado, quase
quebrou ela. Me deem um pedaço de pano, quero estancar o sangue. - Anderson
pegou um pano que tinha em cima do banco e deu para Guilherme.
- Precisamos levá-lo para um hospital logo! Você pode ter uma hemorragia. -
disse Mattheus, com um ar estudantil.
Guilherme amarrou o pano na mão machucada, foi até a direção do barco e ligou-o
novamente. A velocidade voltou ao normal. Em poucos minutos, estariam em
Washington. Quem sabe não conseguiriam recomeçarem suas vidas? A brisa era
ótima, o céu estava limpo e o sol parecia uma estrela que os convidava para voltar
a viver normalmente. Washington estava chegando, cheia de surpresas...
CONTINUA...