Episódio 12: MACARRONADA, CARNE E SANGUE 

-Casa de Descanso dos Duyllians, Washington, 26/10/2015, 18h53min-

Dend estava assustada na porta de entrada da casa. Harry não tirava os olhos de Anderson, que, querendo ou não, tinha furtado a moto dele.
- O que você tem a dizer, paspalho? Sei que foram vocês que roubaram porque achei, perto de minha moto, este brinco. E ele é idêntico a este outro brinco que está na orelha desta mulher! - Harry deu um chute na perna de Anderson.
- Acalme-se, cara! Sei que eu e meu namorado não deveríamos ter roubado sua moto, mas é que pensamos que ela não tinha dono. Só depois que saímos com a moto é que percebemos que alguém tinha saído do mercado, com uma espingarda em mãos! Você acha que iríamos parar e dizer "olhe, desculpe, pegamos sua moto, mas pode ficar com ela" sabendo que você tinha todas as razões para nos matar? - gritou Ketlyn, que estava, também, assustada. Harry ficou em silêncio, mas ainda não tinha tirado os olhos de Anderson.
- Todos estão muito nervosos! Harry, suba para seu quarto. Tome um banho, esfrie as ideias! Enquanto isso, eu converso com esses dois. - disse Denddia, que falava calmamente.
- Eu não acredito que você vai dar poso para ladrões que me deixaram sozinho, a mercê de zumbis! - disse Harry, olhando para Dend. - Escutem, vocês dois! Minha irmã tem um grande coração, mas não achem que vão tirar proveito disso! Se ela der uma noite de descanso para vocês aqui, hoje, podem ter certeza que amanhã vocês já deverão ter saído daqui antes que meus galos acordem! - Harry voltou a olhar para Anderson e Ketlyn. Começou a andar em direção as escadas, que levaria para seu quarto. Antes de colocar o pé no segundo degrau, olhou novamente para Anderson. - E espero que não vão embora daqui com minha moto. - Harry subiu as escadas. Ele estava muito nervoso.
- Me desculpem, pessoal. Eu entendo a situação de vocês! Sei que, se soubessem que a moto tinha dono e que, ainda por cima, fosse meu irmão, vocês não teriam roubado ela. - Dend deu um sorriso. Ela era, realmente, uma pessoa muito boa. - Tentarei pôr na cabeça dele que vocês não fizeram por mal. Esta casa está tão só, depois que nossa mãe faleceu... - Dend ficou em silêncio. - Mas isto não é hora de falar sobre coisas tristes. Venham comigo, irei mostrar seus aposentos. - Anderson e Ketlyn começaram a seguir Denddia até o segundo andar da grande casa.
- Esta casa é de vocês, ou vocês encontraram por acaso, como nós? - perguntou Anderson, durante o caminho, enquanto limpava a boca, que ainda está com um pouco de sangue.
- Não, ela é nossa. Meu sobrenome é Duyllian, esta casa era um lugar de repouso para pessoas idosas ricas, em que os parentes destas pessoas traziam para cá, por falta de tempo para cuidar deles. Mas, com este caos zumbi, as famílias vieram buscar seus parentes e ficamos aqui eu, Harry e nossa mãe. - respondeu Dend.
- Então quer dizer que sua mãe faleceu a poucos dias, certo? Pois a catástrofe zumbi não faz muito tempo que começou. Na verdade, não faz nem uma semana... - perguntou Ketlyn, mas que percebeu ter feito uma pergunta incoveniente, já que Denddia ignorou-a. Chegaram em uma suíte belíssima, com uma cama feita sob medida e um grande armário. 
- Podem guardar suas roupas neste armário. O banheiro fica aqui ao lado, nesta porta. Qualquer coisa, é só me chamar. Estarei na cozinha, preparando o jantar. E desculpe pela fúria de meu irmão, mesmo ele tendo um pouco de razão. - Dend fechou a porta. 

Anderson ainda estava um pouco assustado com a maldita coincidência que havia acontecido.
- Nossa, que coisa! Quem diria que iríamos dormir na casa do dono da moto que roubamos! - disse Ketlyn, também assustada.
- Você estava certa, amor. Eu não deveria ter roubado a moto. Talvez tudo seria melhor se eu tivesse procurado o dono da moto dentro do mercado, e explicado tudo o que tinha acontecido. A irmã dele é muito boa. Ele também deve ser, pois ele estava muito bravo por causa da situação em que eu o envolvi. Quando formos jantar, irei pedir minhas sinceras desculpas a ele. Estou, realmente, arrependido. - disse Anderson para Ketlyn. 
Os dois se beijaram. Anderson levantou-se e começou a tirar as roupas da mochila. Ketlyn guardou a maleta preta dentro do armário. Anderson pegou algumas roupas e foi para o banheiro, tomar uma ducha. Ele estava imundo.
- Ketlyn, vem cá, tomar banho comigo. Sei que você também está sujinha! - Anderson chamou por Ketlyn. A ex-jornalista apareceu rapidamente na frente do namorado.
- Então agora você está me chamando de porca, amor? Vou mostrar, para você, como se limpa bem algumas partes do corpo! - Ketlyn começou a tirar sua roupa e entrou na ducha, junto com Anderson. Os dois se beijaram. Demoraram alguns minutos a mais no chuveiro, fazendo coisas que não eram segredo para nenhum casal apaixonado.


-Local desconhecido, Washington, 26/10/2015, 19h32min-

Cris e Luciana iam conversando sobre os últimos atos de Ricksonn. Ele tinha perdido totalmente a razão, nas últimas horas. Primeiro bateu em Catherine, depois ameaçou de atirar na cabeça de Caetano e por fim matou uma criança e um homem que só queria justiça. Agora não sabiam o que fazer. Estavam andando sem saber para onde. Brenda e Alex iam na frente. William ia perto de Brenda, para ouvir o que ela falava.
- Estou preocupada com Mattheus, pai. Eu fui muito dura com ele. Depois eu fui ver se ele ainda estava escondido no banheiro do trailer e ele tinha fugido pela janela. Ele deve estar sozinho, agora... - disse Brenda, com tristeza.
- Não fique assim, filha. Ele deve estar bem. Tomando sorvete na LePostichá! - Alex tinha dito mias uma maluquice. Falou sobre uma sorveteria que ele adorava ir com Brenda e sua esposa. William se aproximou mais ainda de Brenda.
- Você já pode esquecer o Mattheus, Brenda. Nesse instante ele já deve ter virado alimento de zumbis. E vamos e convenhamos que ele deve ter sido um péssimo alimento para eles, não é? - disse William.
- Cale a boca, William! Mattheus deve estar bem! Você é um grosso! - Brenda ficou muito irritada com o comentário de William. O grupo continuou andando, ainda sem rumo e sem destino.


-Casa de Descanso do Duyllians, Washington, 26/10/2015, 20h47min-

Anderson e Ketlyn desceram juntos até a cozinha, depois que Dend chamou por eles. Quando sentaram à mesa, Harry não disse uma palavra. Denddia trouxe duas panelas e colocou-as sobre a mesa. O cheiro estava excelente.
- Bom, antes de jantarmos, eu queria falar algumas coisas para você, Harry. - Anderson se levantou da cadeira, enquanto Harry olhou para ele. - Sei que fizemos muitas coisas erradas. Sei que roubar sua moto não foi um ato muito correto, mas na situação em que eu e minha namorada estávamos foi necessário. Peço que aceite as minhas sinceras desculpas. - Anderson estava sendo mais sincero do que nunca. Ele estava, realmente, arrependido. Harry levantou-se, com uma cara fechada. Mas estendeu a mão para Anderson e abriu um sorriso.
- Está tudo certo, cara! Desculpe a mim também pelo soco que lhe dei antes. É que vocês me tiraram do sério! Mas não sou uma pessoa má e que guarda rancor. E podem ficar conosco o tempo que precisarem, claro, nos ajudando no que precisarmos. Eu e minha irmã passamos uns maus bocados nos últimos dias, mas estamos tentando nos recuperar. Enfim, está tudo bem! - Anderson e Ketlyn ficaram muito felizes com a atitude de Harry. Certamente ele era uma boa pessoa.

Todos comeram muito. A janta estava farta. Dend era uma cozinheira de mão cheia, tinha feito uma macarronada ao molho de cogumelos e carne cozida com aspargos. Harry, logo depois do jantar, disse que estava morto de cansaço e que iria se deitar. Anderson foi ao banheiro, escovar os dentes. Dend foi lavar as louças e Ketlyn se prontificou a secá-las.
- Eu tenho uma pergunta para fazê-la, Dend. - disse Ketlyn.
- Se eu puder respondê-la! Sou toda ouvidos! - falou Dend, enquanto colocava detergente em um pedaço de pano.
- Hoje, quando chegamos aqui e batemos na porta de sua casa, você perguntou se era Peter quem estava batendo. Quem é Peter?
- Aaah! - Dend deum um sorriso. - É que o segundo nome de Harry é Peter. Então, às vezes, chamo ele de Peter invés de Harry. Mas não se preocupe, não estou ficando louca! - Dend deu mais um sorriso.
- Entendi. Não achei que você estava louca. Só pensei que tinha mais alguém morando aqui, com vocês.
As duas continuaram a conversar, enquanto Anderson já estava deitado e Harry também. A noite tinha passado rapidamente. Quando Ketlyn foi se deitar, Anderson abriu os olhos.
- Eu estava te esperando, amor. E então, o que conversou com a Dend? - perguntou Anderson.
- Coisas sobre a casa, perguntei sobre o mercado em que Peter estava, quando roubamos a moto dele...
- Peter? Não seria Harry? - Anderson ficou surpreso.
- Denddia disse que Peter é o segundo nome de Harry. Lembra-se que, quando chegamos aqui, ela perguntou se era Peter quem estava batendo na porta?
- É verdade. Bom, vamos dormir. Estou exausto e creio que você também esteja. Boa noite, Ketlyn.
- Boa noite, amor. - Ketlyn deu um grande beijo em Anderson e o abraçou por trás para dormirem. Mas, em poucos minutos, um grande barulho vindo do andar debaixo da casa fez Ketlyn e Anderson pularem da cama. Anderson pegou sua metralhadora e saiu do quarto. Ketlyn veio logo atrás. Dend e Harry também saíram de seus quartos, ela com um taco de beisebol e Harry com sua espingarda.
- O barulho veio lá da cozinha! Alguém está tentando entrar pela porta dos fundos! - sussurrou Dend. Harry desceu rapidamente, mas cauteloso. Quando todos entraram na cozinha, Harry levantou a arma para o indivíduo que tinha entrado na casa. Anderson e Ketlyn se surpreenderam com o que viram. Ou melhor, para quem estavam olhando.
- Não atirem, não atirem! Eu não estou infectado! Eu não estou! - dizia o homem que havia arrombädo a porta, com as mãos para cima.
- Não atire, Harry. Nós conhecemos ele. - disse Anderson. Dend acendeu a luz. Ricksonn estava ali, totalmente sujo e mancando. Sua perna, que foi ferida por resultado do tiro que levou na briga entre Candy e George, estava em péssimo estado. Ricksonn tinha tido a sorte de encontrar uma casa com pessoas que poderiam lhe ajudar. E Anderson e Ketlyn tiveram o azar de reencontrar com aquele que tinha expulsado-os do grupo. Dend pediu que ele sentasse em uma das cadeiras que estavam na cozinha. Foi para o fogão e começou a aquecer uma água numa chaleira de inox, para fazer um chá. Harry perguntou para Ricksonn seu nome e ele respondeu. Ricksonn olhou para Anderson e Ketlyn e, com um sorriso boçal, começou a falar.

- Já estava com saudade de vocês, meus grandes amigos! - disse Ricksonn, com tamanho sarcasmo. Talvez as poucas horas de descanso que Ketlyn e Anderson tiveram na casa de Dend seriam as últimas.


Continua...

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