Episódio 11: LADROAGEM 

-Local desconhecido, Washington, 26/10/2015, 17h40min-

Mattheus estava mais branco que neve. Suas pernas tremiam, enquanto via os dois homens armados chegarem mais e mais perto. Ricksonn e os outros começaram a se mexer. A maioria tinha caído no chão e batido forte alguma parte do corpo. A cabeça de Brenda estava sangrando. Mattheus correu para perto dela e pediu para que ela ficasse em silêncio. Puxou-a pelo braço e levou-a até o banheiro do trailer.
- O que está havendo? Por que me trouxe para cá? Precisamos ajudar eles! Precisamos ajudar meu pai! - disse Brenda, preocupada com o acidente e, ainda mais, com a estranha atitude que Mattheus havia tomado.
- Ricksonn atropelou uma criança de um outro grupo de sobreviventes, eu acho. Eu só vi que ele matou a criança. E dois homens que estavam junto com a mãe desta criança estão vindo para cá, armados! Eu acho que eles querem se vingar de nós! Eles vão nos matar! - sussurrou Mattheus, com o rosto totalmente suado.
- E meu pai! Temos que pegar ele! Não posso deixá-lo lá! - disse Brenda, tentando abrir a porta. Mas ela girava o trinco e nada.
- Eu tranquei, Brenda. A chave está comigo, mas só vamos sair daqui depois que eu ter certeza de que está seguro! Confie em mim! - disse Mattheus, mas antes de acabar sua frase, levou um tapa no rosto de Brenda.
- Você está maluco? Primeiro, salva meu pai no cinema e agora quer deixá-lo morrer para me salvar? Muito romântico! Se você não abrir, eu vou fazer um escândalo aqui dentro! Eu não me importo em morrer, neste mundo cheio de zumbis, se eu puder morrer ao lado de meu pai! Abra agora! - gritou Brenda. Mattheus olhou-a com sofrimento, colocou a chave na fechadura e girou-a. Brenda saiu rapidamente do banheiro. Deparou-se com todos sentados nos sofás da pequena sala, assustados, com um homem apontando na cabeça de Caetano uma grande espingarda.
- Olhem, mais uma pirralha no grupo! Parece que temos mais uma para matar! - disse um dos homens, com um tom sarcástico, mas com uma face que demonstrava muita raiva. - Sente-se, garota!
Brenda sentou rapidamente, ao lado do pai, que ainda estava desacordado. Ela o abraçou e começou a chorar baixinho. Mattheus ainda não tinha aparecido na sala.
- Quem atropelou Julian? Quem foi o maldito veado que matou meu filho? - gritou o outro homem, que andava de um lado para o outro, com os olhos vermelhos. Estava segurando as lágrimas. Seu ódio era tanto que nem chorar ele conseguia. O silêncio tomou conta do lugar. O homem pegou Luciana pela camiseta e começou a gritar.
- Se ninguém falar quem foi o assassino de meu pequeno Julian, eu vou acertar um tiro de metralhadora bem nos miolos desta baleia ambulante! - Luciana tremia de nervosismo. - Vou contar até três! Um... - Luciana ia abrir a boca, mas Ricksonn fez com o dedo para ela ficar em silêncio. - Dois...
- Foi o Ricksonn! Aquele ali! - gritou Caetano, apontando para Ricksonn, que estava perto de Cris. Ricksonn levantou-se para tentar bater em Caetano, mas o homem que segurava o dono do trailer largou-o e bloqueou Ricksonn.
- Então foi você... - o homem largou Luciana e olhou penetrantemente nos olhos de Ricksonn. - O maldito que matou meu filho! Você estava bêbado? Você estava drogado? Porque para você ter matado atropelado alguém numa estrada quase que deserta, cheia de obstáculos, só pode ser uma destas duas opções! - o homem deu um chute forte na perna de Ricksonn, fazendo o cair no chão e gritar de dor. - Seu filho de uma vaca! - mais um chute foi dado, agora na barriga de Ricksonn. O homem começou a chorar, mas não parava de bater no assassino de seu filho.
- Já chega, Fred! - o outro homem fez Ricksonn parar de apanhar.
- Você está certo, Diogo. É melhor eu acabar logo com isso! - Fred levantou sua espingarda e apontou para a cabeça de Ricksonn. Mas, antes que o tiro fosse disparado, um grito feminino foi ouvido de fora do trailer. William e Luciana correram para a janela e viram uma das duas mulheres que estavam chorando pela morte da criança sendo atacada por um zumbi. Muitos zumbis apareceram do nada.
- Zumya! Não pode ser! Não! - Diogo viu o ataque e saiu do trailer correndo. Ricksonn viu a perda de atenção de Fred e o derrubou com a perna que não estava machucada, pegou a espingarda do homem.
- Viu, seu idiota? Agora eu estou no controle novamente! - Ricksonn disparou a espingarda. O som foi aterrorizante. 

Todos que estavam no trailer ficaram ainda mais assustados com a frieza de Ricksonn. Todos saíram correndo do trailer, exceto Brenda, que correu para o banheiro em busca de Mattheu, mas se surpreendeu quando viu que a janela estava entreaberta e que o garoto não estava mais ali. Logo depois ela saiu correndo também para junto do grupo. Ricksonn também tinha sumido, entrou na mata fechada que ficava ao lado da estrada. A multidão de zumbis não parava de aparecer. Ninguém sabia como tantos deles haviam aparecido em questão de minutos. Zumya, a moça que foi atacada pelos zumbis, estava sendo medicada por Diogo, próximo do trailer. A mulher que estava com a camiseta da criança ainda não parava de chorar. Seu nome era Letícia, e era mãe de Julian, a criança atropelada.
O grupo que estava no trailer se reuniu para saberem o que iriam fazer. Os zumbis estavam chegando, mas não queriam deixar aquele trio desamparado. Ricksonn já tinha acabado com a felicidade deles, mas mesmo assim não queriam deixá-los ali, para serem comidos por zumbis.
- O que faremos? Se demorarmos muito, viramos petisco de zumbis! - disse Cris, para todos.
- Vamos, primeiro, perguntar se este Diogo e estas mulheres não querem vir conosco. É sempre melhor um grupo unido do que separado. - disse Caetano, que levou uma cotovelada da mulher logo em seguida.
- Seu imbecil! Olha como estamos, com sua maneira de ser bom homem! Sem nosso trailer e prontos para virar comida de morto-vivo! E ainda você quer chamar mais pessoas que querem nos matar? Vamos correr para o matagal, tentar, pelo menos, fugir dos zumbis! - disse Catherine, com Denis e Stephany agarrados em seu vestido. Seus filhos estavam com muito medo. Melissa, a sogra de Caetano, olhava feio para ele. - E digo mais! É melhor nos separarmos deste grupo que encontramos no Vilarejo Sunshine! Só seguiremos eu, você, nossos filhos e a mamãe! Entendido? - Caetano só fez que sim, com a cabeça. A família saiu correndo do local, adentrando na mata fechada. Alex, Brenda, Cris, Luciana e William correram para o outro lado, que também era uma floresta. Diogo, Zumya e Letícia foram para o trailer, já que Diogo pensava que Fred estaria lá, mas acabara, ficando com mais raiva ainda do grupo do trailer, quando viram Fred com o rosto totalmente desfigurado. O tiro de espingarda deformou totalmente a cabeça de Fred.
- Eu vou me vingar, Letícia! Vou me vingar destas pessoas que mataram seu filho e ainda fizeram Zumya ser mordida! Grave esta palavra: vingança!


-Rota 512, Washington, 26/10/2015, 18h02min-

A moto que Anderson havia roubado começou a parar. Não era por falta de gasolina. Talvez a moto estivesse com algum problema no motor. Mas Anderson não entendia nada de motos e achou melhor deixá-la no meio do mato, escondida. O casal começou a andar pela estrada, em um silêncio mórbido.
- Ainda está brava comigo? - Anderson iniciou a conversa. Ketlyn ficou uns segundos em silêncio, Anderson até pensou que tinha sido ignorado. Realmente era o intuito de Ketlyn, mas não conseguiu e acabou respondendo sua pergunta.
- Cara, você viu o que fizemos? Nós roubamos uma moto de um desconhecido, que, provavelmente, está no mesmo barco que nós! Talvez ele esteja morto, agora, por culpa nossa! Eu não deveria ter aceito subir na moto! - Ketlyn estava muito nervosa. Anderson parou de andar, virou-se para Ketlyn, colocou suas mãos em seu rosto.
- Amor, peço desculpas pelo que fiz, mas só fiz aquilo por sua causa! Por nossa causa! Era nossa única chance de tentar sobreviver! Já estávamos exaustos, nossa água já tinha acabado, quantos minutos você acha que ainda iríamos conseguir andar? Não digo que foi certo o que acabei de fazer, mas posso afirmar que foi necessário! Você me perdoa?
- É claro que sim, Anderson! Não tem como eu deixar de gostar de você! - os dois se beijaram e voltaram a andar. Tudo estava melhor agora. A sensação de peso na consciência é algo que amargura qualquer amor. Depois de alguns minutos, Anderson parou novamente, depois que percebeu algo em sua namorada.
- Ketlyn, você está sem um de seus brincos. Você não quer que eu volte para procurar a peça que você perdeu? - perguntou Anderson, quando viu que Ketlyn tinha apenas o brinco na orelha esquerda.
- Não, não precisa. Agora já estamos longe e seria perda de tempo voltar até lá. Vamos continuar andando. Precisamos encontrar alguma casa ou um automóvel para nos abrigarmos. Estou exausta! E eu nem gostava tanto assim daquele brinco. Estou tão cansada que nem vou tirar este brinco que está em minha orelha.
Os dois riram e continuaram a andar. Ketlyn levava a maleta preta nas mãos e Anderson a grande mochila nas costas. A noite caiu rapidamente. Os sons de corujas deixavam tudo mais assustador.


-Casa de Descanso dos Duyllians, Washington, 26/10/2015, 18h52min-

Ketlyn e Anderson estavam muito mais cansados que antes. Haviam caminhado quase uma hora. Mas ficaram com sorrisos reluzentes quando avistaram a poucos metros de onde estavam, uma casa com as luzes acesas. Uma placa dizia "Casa de Descanso dos Duyllians - A melhor idade no melhor lugar". Era uma casa para idosos.
- Aleluia encontramos algum lugar! Nossa, nem acredito! - Ketlyn começou a correr em direção a casa. Ela era grande e linda. Várias árvores cheias de flores deixavam a recepção do lugar ainda mais belo. Anderson bateu na porta da casa. Mas ninguém abriu a porta. Anderson foi para bater mais uma vez, mas uma voz saiu de dentro da casa.
- Peter? É você? - uma voz feminina perguntou, do outro lado da porta.
- Não, não é Peter. Me chamo Anderson e estou com minha namorada, Ketlyn. Estamos em busca de, pelo menos, uma noite de sono. Nós não queremos fazer mal algum, estamos fugindo dos zumbis. Por favor, eu impl...
- Está bem, está bem. Eu vou abrir a porta. Estou confiando em vocês! - disse a voz da mulher, interrompendo Anderson. Ketlyn e Anderson entraram na casa. Ela era linda por dentro e era bem grande. A mulher que estava os ajudando era magra, com um óculos estranho e roupas velhas. Mas ela aparentava ter uns 32 anos. - Sentem-se! Como vocês se chamam? 
- Eu sou Ketlyn, e este é meu namorado, Anderson. Estamos há horas tentando encontrar uma casa ou um carro, mas até agora só encontramos esta.
- Meu nome é Denddia, mas meu irmão me chama de Dend. Eu estou muito preocupada! Ele foi no mercado, que é a alguns quilômetros daqui, e ainda não voltou! E já faz um tempinho! Eu tenho medo que ele faça alguma coisa errada... - Anderson e Ketlyn se entreolharam na mesma hora. Seria possível o irmão de Dend ser o dono da moto que Anderson roubou?
- Como assim? Você tem medo que ele seja atacado por zumbis? - perguntou Anderson, com um pouco de remorso.
- Não, é que vai fazer uma semana que nossa... - um som de moto interrompeu Denddia. Logo que ela ouviu o barulho do motor roncando no jardim da casa, Dend saltou do sofá e abriu a porta. - Harry! Por que demorou tanto? Quer me deixar louca de nervosismo? - falou Dend, enquanto entrava com Harry na casa.
- É que dois filhos da püta roubaram minha moto e ainda quase a estragaram. Ainda bem que foi coisa simples e arrumei. Ela estava jogada no meio do mato, com este... - Harry avistou Anderson e Ketlyn na sala. Parou de falar no mesmo momento. - Nossa! Temos visitas? Quem são vocês? - Harry já abriu um sorriso no rosto. Ele parecia ser bem amigável.
- Eles pediram ajuda para mim, Harry. Não fique brava comigo, mas é que sou um coração mole. Ele é Anderson e ela é Ketlyn. Eles são namorados! - disse Dend. Enquanto ela falava, Harry ia em direção a Anderson. Apertou sua mão. E, quando foi dar um abraço em Ketlyn, parou no mesmo instante. Olhou novamente para Anderson, com raiva. 

- Seu imbecil! Então foram vocês que roubaram minha moto! - Harry deu um forte soco no rosto de Anderson. O silêncio tomou conta da casa. A verdade foi revelada rapidamente. Agora Anderson, com a boca sangrando, estava com Ketlyn, de joelhos, perto dele. Harry estava com muita raiva. 


Continua...

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