Episódio 1: ALFA X 

-Laboratório ALFA, Wingstonn, 21/10/2015, 16h33min-

- Sr. Wolfin, está tudo pronto para a experiência final. Só falta chegar a cobaia.
- Entendido. Leve-me uma xícara de café na minha sala, George. Depois peça para alguém levar-me as seringas vazias, para que eu possa colocar a substância ALFA.
- Ok, senhor. Com pouco açúcar, certo? Senhor... ?

Sr. Wolfin havia deixado o estagiário da equipe farmacêutica ALFA falando sozinho. As farmácias ALFA eram as mais famosas do mundo. Criavam remédios mais eficazes e satisfaziam a todos, pois eram remédios baratos. Todos podiam comprar. Desde 2005 o laboratório já criava experiências para tentar conseguir um medicamento muito importante. Os cientistas nomearam o remédio como "ALFA X", pois era algo secreto diante as outras farmácias. A empresa ALFA era a mais famosa de todas, no mundo inteiro. Muitos diziam que o remédio ALFA X seria a solução de todos os problemas da humanidade. Mas estavam incorretos.

- Aqui está seu café, senhor. - George deixou o café em cima de alguns livros da mesa de Wolfin, e saiu da sala. Logo, abriu a porta novamente - Desculpe senhor, mas esqueci de falar que já avisei ao senhor Yatanomuho que trouxesse as seringas.
- Com licença. Boa tarde, Wolfin! - no mesmo momento que George falava, Yatanomuho, um cientista muito importante no mundo, entrou com uma caixa em mãos. O estagiário saiu de fininho, deixando os dois a sós.
- Boa tarde! Como vai sua esposa? Fiquei sabendo que estava com tuberculose.
- Já está melhor. Foi apenas um susto. Aqui estão as seringas que pediste. Bom, já vou indo agora. A cobaia já está chegando. Que horas será a experiência final?
- Às 17 horas. Não esqueça de vir para a cerimônia de amanhã! Você é meu convidado de honra! - Yatanomuho fez que sim com a cabeça, acenou para Wolfin e saiu da sala.
- Começarei a encher as seringas o quanto antes...

Quando Wolfin ia abrir o compartimento de fórmulas e substâncias do ALFA X, todas as luzes se apagaram. Mexeu no interruptor algumas vezes, mas nada mudou. Pegou uma lanterna na gaveta de sua mesa, porém estava sem pilhas.
- Melhor eu sair da sala e ver com os outros o que houve. - disse para si próprio, trancou o compartimento que antes abrira e saiu da sala. 

Parecia que todos haviam sumido. O laboratório contava com mais de mil cientistas, e agora parecia um local fantasma. Algumas janelas estavam entre-abertas, e como ainda era dia, a iluminação do sol tornava os corredores menos escuros. Wolfin estava indo em direção ao elevador, para encontrar o telefone mais próximo. Sabia que não estaria funcionando, já que tudo no laboratório era ligado por eletricidade. Mas não custava tentar. Quando começou a dar os primeiros passos, ouviu alguns gemidos. Andou mais cuidadosamente, para não fazer barulho. Encostou-se na parede, e ouviu os gemidos mais nitidamente. Virou-se rapidamente, e avistou Yatanomuho encostado em um bebedouro, com a mão na barriga, cheia de sangue.

- O que houve, cara? Estava tudo tranquilo! - falou sussurrando para o cientista asiático.
Quando Yatanomuho foi responder, mais sangue escorreu de sua boca. Wolfin conseguiu ver nitidamente que estava sem a língua. Alguém a tinha cortado. Yatanomuho foi se deslizando até o chão, onde deu um último suspiro. Wolfin sentiu seu pulso. Ele estava morto. Assustado, saiu correndo em direção ao elevador. Apertou muitas vezes o botão para o elevador chegar, sem sucesso.
- O senhor não tomou todo o café. É muito indelicado deixar um estagiário falando sozinho, Wolfin.

Quando Wolfin virou-se, levou uma facada no estômago. Olhou para cima e viu o rosto de George. Conseguiu empurrá-lo para longe e tentou correr de volta para sua sala, mas logo sentiu uma pontada na barriga. Caiu. Começou a se arrastar, deixando muito sangue pelo caminho.
- Irei procurar meus direitos, Wolfin. Um patrão não pode empurrar o empregado, muito menos um estagiário! - George andou lentamente em direção de Wolfin, mas para o cientista, parecia que George estava correndo. Deu três passos, e já estava ao lado de Wolfin.
- Para de se arrastar, senhor. Não é bonito ver um homem como você agindo como um bicho! Acho melhor matá-lo, você está ficando maluco! - George pisou nas costas de Wolfin, que soltou um grito desesperador. George se ajoelhou no chão, posicionou a faca na garganta do cientista e deu um sorriso.
- Hasta la vista... - a faca estava cheia de sangue, mas ficou muito mais depois que George a usou para matar Wolfin. - Vamos para a experiência final! Você mal sabia que a cobaia seria o senhor mesmo, Wolfin?

George começou a puxar o corpo de Wolfin até a sala de testes. Levou a caixa com seringas vazias, colocou o corpo do cientista sobre a maca e abriu uma mala que estava recostada na parede. Dentro da mala haviam vários frascos, com um líquido violeta dentro. Inseriu uma das seringas num frasco, puxou o engate, e a seringa encheu-se com aquele líquido. Deu umas batidinhas com o dedo indicador na seringa e dirigiu-se para a maca.
- Está na hora do teste! - George enfiou a agulha da seringa no pescoço ensanguentado de Wolfin e apertou o engate, liberando todo o líquido que estava na seringa para dentro do corpo do cientista. Foi andando para longe da cobaia, perto da porta. Puxou uma pistola Barak 9mm, e deixou apontada para o corpo. Passaram-se dois minutos. Uma das mãos de Wolfin começou a tremer do nada. George abriu novamente um sorriso maléfico. O cientista começou a tremer todo seu corpo, como se estivesse tendo uma convulsão. Logo depois, parou e virou-se para o lado, caindo no chão. Wolfin não estava mais ali. Aquela criatura não era mais o cientista. A pele dele começou a perder seu tom rapidamente. Começou a levantar-se sozinho. Seus olhos abriram. Deu alguns passos em direção a George. A criatura levantou os braços, como se quisesse agarrar algo, e atacou George. O som ensurdecedor da pistola foi acionada quando George atirou na perna do "morto-vivo", que ficou caído de joelhos. George pegou o celular, teclou alguns números e ligou para alguém.

- Tudo certo. Pode abrir as portas do laboratório. - desligou o telefone e olhou Wolfin conseguindo levantar-se como se não tivesse levado um tiro na perna e deu mais um sorriso.


Continua...

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