-Porto
de Seattle, Washington, 24/10/2015, 07h21min-
A capital americana era, realmente, belíssima. Muitos arranha-céus, edifícios
modernos e pessoas bonitas. Quando Guilherme ancorou seu barco no Porto de
Seattle, puderam perceber que em Washington tudo estava muito calmo. Muitas
pessoas caminhavam pela a areia, outras, vestidas com uniformes, corriam por
estarem atrasadas. Ônibus escolares passavam carregadas de crianças. Tudo
estava muito diferente de Wingstonn, felizmente. Anderson queria que Ketlyn
estivesse ali, junto a ele.
- Bom, o que iremos fazer primeiro? - perguntou Mattheus, que bocejou enquanto
falava.
- Vamos levar Guilherme ao hospital mais próximo. Olhe para o rosto dele!
Realmente este ferimento em sua mão pode estar infeccionando ou coisa parecida.
- disse Anderson, enquanto o trio desembarcava no porto.
- Nem pensar! Nunca fui a hospital algum, não é agora que vou ir. Temos coisas
mais importantes antes. Precisamos ir a algum lugar que tenha muita gente para
avisarmos sobre o que está acontecendo em Wingstonn! - Guilherme dizia como se
preocupasse com os outros. Ele não parava de tossir.
- Ok, ok. Vamos, então, avisar as pessoas e depois o levamos ao hospital. Isto
se elas acreditarem em nós.
O plano era simples. Precisariam chegar num local com muitas pessoas e começar
a gritar por ajuda, avisando a todos sobre o que Wingstonn estava passando. Era
um jeito doido de explicar às pessoas sobre os zumbis, mas era a única forma de
alguém os escutar. Muitos os achariam loucos, mas alguns, com certeza, iriam
acreditar. Pelo menos era o que Anderson pensava. Após alguns longos minutos,
chegaram até um Shopping Center gigante.
-Shopping Center Crystal, Washington, 24/10/2015, 08h00min-
As portas do Shopping Crystal abriam muito cedo. Mas isto era totalmente normal
em 2015, já que o tempo das pessoas só começou a diminuir para fazerem tarefas
indispensáveis, como malhar, sair para o cinema com a família ou até mesmo
comprar uma roupa para presentear a namorada. O trio estava imundo, mas não
havia tempo para tomar um banho. Entraram, e muitos já paravam para olhar.
Chamar a atenção de todos foi algo fácil. O trio subiu em uma espécie de palco,
onde se apresentavam bandas locais e músicos sem fama. Todos que estavam no
shopping começaram a prestar atenção em Anderson, que pegara um microfone e
começara a gritar.
- Bom dia a todos que estão aqui. Eu, Anderson Grindd, venho falar a todos
vocês sobre algo que o governo de todo o mundo está escondendo de nós. Algo
terrível! Eu era apenas um fazendeiro, o garoto era apenas um estudante e
aquele ali apenas um empresário. Mas em poucos dias tudo mudou. Pessoas
morreram, creio eu que quase a maioria. Casas pegando fogo e sendo destruídas
aos poucos. - As pessoas se olhavam, como se não estivessem entendo nada.
Anderson percebeu que várias pessoas estavam com celulares em mãos,
provavelmente ligando para a polícia. Deveriam achar que tudo não passava de um
ataque terrorista. Mattheus viu dois seguranças do shopping vindo em direção a
eles. Guilherme ainda tossia muito - Pessoal, é rápido o que preciso falar!
Vocês, ou melhor, nós, estamos sendo excluídos de uma informação muito
importante: está havendo um ataque zumbi em Wingstonn! - as pessoas começaram a
sussurrar alto, muitos riam e alguns chamavam o trio de loucos, malucos,
idiotas. - Parem, por favor! Gente, é verdade! Em breve, se não for feito algo,
eles vão acabar vindo para cá... - Guilherme caiu de joelhos no chão, começou a
tossir sem parar, seu rosto estava ficando com uma cor estranha. Os seguranças
estavam ainda mais perto, pessoas começaram a sair do shopping normalmente,
pensando que aquilo não passava de três idiotas querendo fama.
- Parados aí! Somos seguranças do shopping! Qualquer movimento brusco será
considerado como ataque contra o shopping, então é melhor ficarem parados! -
gritou um dos homens.
- Guilherme, o que está havendo? Você não está nada bem! - disse Anderson, com
um olhar assustado.
- Eu... eu... menti... - Guilherme não conseguia falar muito rápido. A tosse
era frenética.
- Como assim? Mentiu em que? - Anderson e Mattheus já estavam assustados.
- Não foi um... galão de... gasolina que caiu... em minha mão. Foi um zumbi...
que a mordeu. Eu coloquei o combustível... no barco, e quando eu... estava
saindo, um zumbi apareceu e mordeu minha mão. Desculpem-me. - Quando Guilherme
parou de falar, começou a tossir ainda mais, se esticou no chão e começou a
tremer sem parar. Um dos seguranças pegou Anderson e levou para baixo, Mattheus
correu para perto de Anderson. O outro segurança agarrou Guilherme por trás,
para que parasse de tremer. Ele já estava desacordado.
- Largue ele, senhor! É perigoso! Ele está infectado! - Anderson gritava. As
pessoas começaram a olhar para Guilherme. Mas, em poucos segundos, o empresário
abriu os olhos e virou-se para o segurança que o segurava. Pulou sobre ele e começou
a morder seu pescoço. Os gritos do segurança ecoaram pelo shopping, fazendo
muitas pessoas saírem correndo do local. Deixavam cair sacolas de compras,
bolsas, carteiras cheias de cartões de crédito.
- Preciso de ajuda no Setor 17, senhor. Alerta vermelho! Entendido. - o
segurança que cuidava de Anderson e Mattheus havia pedido ajuda. Saiu em
direção ao ataque, para tentar salvar o outro homem. Deu um chute em Guilherme,
que caiu para o lado mastigando alguns pedaços da carne do segurança. Tocou o
pulso do homem, que estava caído no chão, para ver se ainda estava vivo. Não
estava mais. Guilherme levantou-se e pulou sobre o outro segurança. Mordeu sua
nuca, mas o homem conseguiu fazer o zumbi soltá-lo. Saiu correndo em direção a
Anderson. Mirou uma arma no empresário e disparou. Era uma bala diferente, era
um cartucho de imobilização. Guilherme tremia, como se estivesse levando um
choque. E era de fato o que estava sofrendo. Uma descarga elétrica daquelas
fazia até um elefante desmaiar. O zumbi caiu do palco, desacordado.
- O que está havendo? Por que vocês trouxeram esta criatura para cá? - O
segurança passava a mão na nuca, que doía e sangrava muito.
- Nós não sabíamos que ele estava infectado! Se você visse como Wingstonn está,
não ficaria tão assustado com apenas isto. Lá tem muito mais zumbis do que... -
Anderson caiu desmaiado antes de acabar de falar. O segurança deu com a pistola
elétrica em seu cabeça, fazendo-o desmaiar. Mattheus ficou olhando assustado
para o que estava acontecendo.
- Você fique parado aí, garoto. A polícia já está chegando.
O som das sirenes da polícia eram nítidos. Várias viaturas chegaram ao local. O
shopping foi vasculhado por muitos policiais, que retiravam as pessoas que
ainda não tinham ido embora. Mattheus estava muito pasmo. Fazia tempo que não
comia e bebia. Acabou desmaiando também.
-Local Desconhecido, Washington, 24/10/2015, 19h22min-
George Müller estava em uma apartamento de luxo, no centro de Washington.
Brincava com uma bolinha de prata, jogando de uma mão para outra. Já faziam
algumas horas que havia chego de Wingstonn. Descansar em um hotel cinco
estrelas era uma ordem realizada pelo seu chefe. Foi a melhor ordem que George
tinha recebido nos últimos dias. O celular tocou. Era uma mulher.
- Olá, Candy! Como vai? Sim, estou sozinho. Pode subir, estou te esperando.
Preciso falar com você sobre aquilo. Sim, sim, podemos brincar depois. - George
deu um sorriso. - Ok. Beijos. - George desligou o celular.
Em poucos minutos, alguém batia em sua porta. George pulou da cama animado e a
abriu. Era Candy Stiwart, uma bela mulher. Estava com um vestido bem decotado,
cabelos louros soltos e um batom sedutor. Caminhou até George. Ninguém deu uma
palavra, apenas troca de sorrisos. Candy pegou a gravata de George e puxou sua
cabeça para perto de sua boca.
- Eu quero inverter as coisas. Primeiro brincamos, depois falamos daquilo. -
Candy jogou George na cama. Começou a tirar o vestido aos poucos, puxando o
zíper para baixo e para cima. Estava totalmente nuä, George começou a tirar o
cinto da calça, mas Candy segurou seu braço. - Pode parar. Eu vou tirar suas
calças. Com a boca! - em poucos minutos o prédio inteiro ouvia gemidos de
prazer vindos do quarto de George.
-Hospital de Seattle, Washington, 24/10/2015, 19h31min-
Anderson acordou assustado. Estava deitado em uma cama de hospital bem
desconfortável. Uma enfermeira roncava à sua direita e Mattheus ainda estava
desacordado em uma outra cama, à sua esquerda. A televisão do quarto estava
ligada, mas com pouco volume. Usou sua mão direita para pegar o controle, que
estava em uma espécie de criado-mudo, e aumentou o som.
- "Sou Esther Nullyan, do jornal WS! Estou aqui em frente ao Shopping
Center Crystal, onde nesta manhã aconteceu algo muito estranho. Pessoas que
estavam aqui no momento afirmam que um homem atacou um segurança do shopping.
Após alguns minutos, o local foi cercado por policiais e ninguém pôde mais
entrar. O homem que atacou o segurança está trancado em uma cela especial do
presídio da cidade. Um segurança morreu e outro está sendo tratado no Hospital
de Seattle. Para mais informações, acesse o site..." - Anderson desligou a
televisão. Estava pasmo.
- Enfermeira, enfermeira! Acorde! - Anderson gritava para a mulher. Tentou
levantar as mãos, mas percebeu que o pulso esquerdo estava preso à cama com
algemas. Em seu crachá dizia "Lilian Tonner - Enfermeira Geral". Ela
era gorda e usava um óculos estranho, que só a deixava ainda mais feia. -
Enfermeira! - A mulher deu um pulo da cadeira. Acordou assustada.
- Oh! Mil desculpas! Que horas são? Meu Deus, já passou a hora do seu remédio!
Aguarde aí, senhor! - a mulher se levantou em direção a saída do quarto.
- Não, senhora Lilian! Espere, tenho uma pergunta para fazer!
- Fale, senhor Anderson. Mas seja rápido, antes que o doutor chegue aqui e
descubra que ainda não lhe dei o remédio! A pancada que você recebeu na cabeça
foi muito grande e você está desnutrido. Seu amigo ali também já foi medicado.
Alimentou-se e voltou a dormir. - a enfermeira falava tudo muito rápido, não
deixava Anderson falar.
- Aqui, onde estou, é o Hospital de Seattle? O segurança que sobreviveu aos
ataques do zum... do homem, no shopping, está aqui? Aquele que levou uma
mordida na nuca.
- Sim, ele está. Ele foi medicado e parece estar bem, agora. Eu já volto,
senhor.
A mulher saiu do quarto, mas Anderson ficou gritando para soltá-lo. Tinha
certeza de que o segurança que tinha sido mordido por Guilherme já deveria ter
se tornado zumbi, agora. Um grito feminino atormentador vinha dos corredores do
hospital. Anderson sabia que era da enfermeira tagarela. Mattheus acordou no
mesmo instante. O garoto não estava preso à cama.
- Anderson! Precisamos sair daqui! Eles me sedaram, depois que eu fiquei
gritando para eles sobre o ataque zumbi em Wingstonn. Eles pensam que somos
loucos!
- Tente me tirar daqui, Mattheus! O segurança que foi mordido no shopping está
aqui. A enfermeira foi atacada por ele, eu acho. Mas eu estou preso na cama!
Tente encontrar um sabonete ou algo assim. E tenha muito cuidado! - Mattheus
levantou-se da cama e saiu da sala. As luzes do hospital se apagaram. Vários
gritos ecoavam na cidade. Era percebível que a quantidade de zumbis em
Washington estava aumentando rapidamente. Anderson estava muito apavorado. A
porta do quarto se abriu. Era um zumbi, com roupa de paciente. Anderson gritava
por socorro. Não conseguia se mexer. O zumbi chegou mais perto. Quando ele foi
atacar, a porta abriu-se novamente. Mas não era Mattheus. Um disparo de pistola
bem na cabeça do zumbi o fez cair nas pernas de Anderson.
- Eu demorei um pouco, não acha? - Anderson surpreendeu-se. Estava muito feliz.
Não acreditava no que estava vendo. Quem atirou no zumbi e salvou sua vida era
Ketlyn, que lhe correspondeu com um sorriso.
Continua...