Episódio 6: A SALA DO MEDO [PARTE 1] 

-Sede dos Laboratórios DELTA, Dhaka/Bangladesh, 29/10/2015, 04h22min-

Anderson abriu os olhos. Estava tudo muito escuro. A última coisa que se lembrava era estar dentro de um compartimento do jatinho, com Ketlyn em seu colo, com muitas pessoas ao redor. Lembrava também de Arthur aparecendo na porta, falando algo sobre "sala do medo" e vários soldados levando-os para fora do jatinho. Depois, um gás foi liberado e todos desmaiaram. Agora estava ali, naquela solidão. Estava sozinho, amarrado e com uma mordaça. Uma música começou a ser tocada, vinda de um pequeno rádio caído no chão. Parecia estar estilhaçado, mas ainda funcionava. "Video Games", da cantora Lana Del Rey, era a música que tocava. O som às vezes ficava com ruídos, mas a bela voz da cantora voltava a todo momento. Anderson olhou para cima, viu um grande céu escuro, cheio de estrelas. Olhou para os lados. O local parecia um matagal misturado com ferro-velho. Vários carros destruídos, envoltos com gramas altas e trepadeiras. Anderson conseguiu levantar-se, com um pouco de dificuldade. Caminhou até o pequeno rádio, que só estava com um som chiado, e pisou em cima, destruindo-o por completo. Suas mãos estavam amarradas para trás, evitando que ele fizesse qualquer coisa usando seus membros superiores. Um gemido vindo por detrás o assustou. Anderson olhou para trás e um zumbi tentou mordê-lo. Anderson conseguiu esquivar-se rapidamente, pulando para o lado. Percebeu que do seu lado tinha um cano quebrado, com sua ponta muito afiada. Com um chute certeiro, o zumbi foi lançado até o cano, que cravou em seu estômago no mesmo instante, imobilizando-o por alguns instantes. Uma faca caída no chão foi vista embaixo de um dos carros caindo aos pedaços. Anderson se deitou no chão para pegar a faca. O zumbi estava quase se soltando do cano que estava em sua barriga. Anderson conseguiu retirar as cordas que atavam seus braços para trás e, no mesmo instante que o zumbi conseguiu liberar-se e ir em direção a Anderson, acertou a ponta da pequena faca no cérebro do zumbi. Com suas mãos livres, retirou a mordaça.
- Ketlyn! Onde estão vocês? Onde está todo mundo? - gritava Anderson. Era percebível que estava em um lugar fechado, pois o eco de sua voz era ouvido a distâncias. Várias luzes acenderam-se, apontando para o teto. Uma espécie de sala, revestida por vidros, apareceu. Arthur Kellarius estava lá, com um pequeno microfone em mãos.
- Boa madrugada para todos vocês! Estamos no dia 29 de outubro de 2015, às 4 horas e 30 minutos, esperando para ver quem realmente sobreviverá na minha sala de testes! Vocês estão na Sala do Medo. É um local fechado, sendo que este cenário que vocês estão vendo não é totalmente real. O céu estrelado é um holograma digital. Digamos que as únicas coisas realmente concretas aí dentro são vocês e os zumbis. Todos acordaram amarrados e amordaçados. Só sobreviverão aqueles que tem sangue pulsando na veia. Existem várias chaves espalhadas nesta sala. Para ser mais exato, são cinco. Cada uma delas liberta um de vocês. - Anderson estava com nojo em ouvir a voz de Arthur, citando regras que iria acabar com a vida de muitos amigos. - É claro que nem tudo será tão fácil. Eu liberei centenas de zumbis aí dentro, e eles estão muito famintos. Após todas as cinco chaves serem encontradas, eu irei dar mais informações a estes sortudos. Que comece a minha brincadeira de mau gosto! - As luzes do teto se apagaram e o eco das risadas de Arthur eram ouvidas. Anderson tinha em sua cabeça que nove pessoas estavam ali: ele, Ketlyn, Harry, Denddia, Mattheus, Brenda e as três pessoas que estavam juntas com ele no jatinho. Ele só pensava em achar Ketlyn, sua amada, Mattheus e Brenda, por serem mais novas e Harry, que foi um bom amigo nos últimos dias. Um grito feminino ecoou pela sala. Anderson sabia que era de Ketlyn.


-Sede dos Laboratórios DELTA, Dhaka/Bangladesh, 29/10/2015, 04h32min-

A ex-jornalista deu um grande grito quando viu dois zumbis chegando perto dela. Havia conseguido tirar a mordaça, mas seus braços ainda estavam amarrados. Nenhuma arma por perto estava disponível para ela se proteger. Mas, como um milagre, ambos zumbis levaram uma machada na cabeça. Ketlyn foi salva por Dend, que já estava sem nenhuma corda no corpo.
- Muito obrigada, Denddia! Serei eternamente grata! Poderia soltar as cordas do meu braço... - Dend correu na direção de Ketlyn e tentou dar uma machadada nela, sem sucesso. Ketlyn foi mais rápida e saltou para o lado. - Por que está fazendo isso? Quer me matar? - Ketlyn estava assustada e surpresa. Não sabia por que Denddia tinha salvo sua vida para depois tentar matá-la.
- Eu acabei com estes zumbis porque eu não iria aceitar uma outra pessoa querendo matar você! Eu quero acabar com você com minhas próprias mãos! - Dend tentou dar mais uma vez com o machado na cabeça de Ketlyn, mas a esquiva da namorada de Anderson era perfeita. O machado de Dend ficou cravado em uma espécie de parede de concreto, deixando-o imóvel. 
- Por que você quer me matar, sua doida? É por causa deste joguinho insano do Arthur? Por causa de uma simples chave? - Ketlyn estava pulsando de raiva.
- Claro que não, sua vaca! Eu quero é ficar com o seu namorado! Mas ele ainda não me quer totalmente. Sabe por quê? Porque ele tem você atrapalhando o caminho! Você é apenas um entulho, que eu preciso chutar para bem longe!
- Você só pode estar drogada! Meu namorado nunca iria querer nada com você!
- É o que você pensa, Ketlyn! Quando pedi para você ir no mercado com meu irmão, seu namoradinho me beijou. Ele me disse que você não era nada para ele! E eu preciso fazer com que esta frase seja realmente verdadeira! Só preciso acabar com sua vida! - Dend conseguiu retirar o machado da parede. Quando foi atacar Ketlyn, Anderson empurrou-a, fazendo-a cair no chão. Ketlyn levantou-se, Anderson retirou as cordas que a amarravam e a beijou.
- Anderson? Por que fez isto comigo? Você não me ama mais? - dizia Dend, sem parar. - Me beije novamente, como naquela manhã! Me beije! - Dend falava, enquanto tentava se levantar do chão.
- Você me beijou de forma inesperada, naquele dia! Eu nunca te dei chances e oportunidades para pensar que eu ia querer algo com você! - gritou Anderson. Dend levantou-se, com o machado já em mãos.
- Terei que mostrar para você, Anderson, o quanto você vai me amar! - Dend correu em direção a Ketlyn e, quando ia acertar em cheio uma machadada na cabeça de sua rival, Anderson deu um chute em seu estômago, fazendo-a cair no chão novamente. Por outro lado, o machado foi jogado para cima e, graças a lei da gravidade, caiu bem no pescoço da irmã de Harry. O sangue da louca mulher jorrou nas roupas de Anderson e Ketlyn.
- Você está bem, Ketlyn? Você não acreditou em nada do que está mulher falou, certo? - Anderson apalpava o corpo de Ketlyn para ver se ela não sentia dor em nenhum local.
- É claro que não. Eu te conheço. Agora vamos procurar as chaves, Mattheus e Brenda! Eles devem estar desesperados! São apenas crianças! - Anderson fez que sim com a cabeça, puxou-a pelo braço e saíram correndo daquele local. Após alguns minutos, o corpo mutilado de Denddia serviu de banquete para dezenas de zumbis.


-Sede dos Laboratórios DELTA, Dhaka/Bangladesh, 29/10/2015, 04h47min-

Gabriel e Diana já estavam juntos. Estavam procurando por Ramon, o irmão de Diana, que estaria com muitas desvantagens. Além de estar fraco e sem um dos braços, estaria sozinho. Diana já pensava no pior.
- Precisamos encontrar seu irmão e três chaves. Caso contrário, nunca sairemos daqui. - Diana apenas ouvia o que Gabriel dizia, mas não falava nada. - Maldição! Eu não aceito! Chegamos tão longe para morrer na praia. Temos que sair daqui e bolar um novo plano! Precisamos pegar os ingredientes novamente!
- Você tem toda a razão, Gabriel. Mas antes de tudo, quero encontrar meu irmão. Se ele estiver morto, este tal de Arthur vai pagar muito caro. - Diana estava com uma raiva nunca antes percebida por Gabriel. A dupla viu um vulto vindo por detrás. Estavam apenas com madeiras cheias de pregos, em mãos, para se defenderem.
- Fique atenta, Diana. Pode ser tanto um sobrevivente quanto um desmiolado querendo nos comer. - enquanto Gabriel falava, uma pessoa apareceu pulando na frente deles. Gabriel quase acertou com a madeira na cabeça, mas parou quando viu o homem. Era Harry, que estava completamente amarrado, nas pernas, nos braços e amordaçado. Gabriel liberou-o de todas aquelas cordas.
- Muito obrigado. Eu me chamo Harry. - Gabriel olhou para Diana, como se quisesse dizer "ajudamos ele, ou acabamos com ele?". Querendo ou não, todos ali eram rivais para sobreviverem.
- Não precisa agradecer. Você viu um homem sem um braço? - perguntou Diana.
- Não vi não. Na verdade, vocês são as primeiras pessoas vivas que eu vi. Quando acordei, uns três zumbis tentaram me atacar. Mas consegui fugir sem receber nenhuma mordida. E só ouvi, também, o som de uma música daquela cantora famosa, Lana Del Rey. - Harry já estava de pé, andando do lado de Gabriel, enquanto procuravam por Ramon.
- Também ouvi esta música. Mas ela parou logo e um chiado veio em seguida. Isto não vem ao caso. Se quiser nos ajudar a procurar meu irmão, tudo bem, mas não faça nada de errado e não nos atrapalhe. Como você e todos nós ouvimos o Arthur dizendo, isto é uma brincadeira de mau gosto. Se você não souber brincar do nosso jeito, você estará fora do jogo! Entendeu? - Diana estava muito autoritária. Harry ficou em silêncio absoluto após ouvir aquele sermão. Gabriel sussurrou no ouvido de Diana para ela se acalmar, mas ela nem deu bola para ele. Estavam caminhando sem saber para onde irem.


-Sede dos Laboratórios DELTA, Dhaka/Bangladesh, 29/10/2015, 05h01min-

Brenda acordou desesperada. Alguém estava tocando-a. Felizmente, era Mattheus. 
- Nossa, que susto! Pensei que era um zumbi. Que bom que está aqui, ao meu lado, Mattheus! Onde estão os outros? - Brenda estava feliz por estar ali, junto com seu namorado.
- Você não ouviu as regras da sala do medo, Brenda? Arthur disse que tem cinco chaves aqui nesta sala. Os primeiros que encontrarem, poderão sair daqui. Existem muitos zumbis neste local. Precisamos encontrar estas chaves logo! - Mattheus desamarrou sua namorada e agora caminhavam em busca de duas chaves. 
Após alguns minutos de caminhada, Brenda avistou uma espécie de baú.
- Acho que ali está uma chave, Mattheus! Pegue-a para você. Depois procuramos outra para mim. - o casal de adolescente caminharam até o baú, Mattheus abriu-o e pegou uma chave com um pequeno bilhete.
- "Você encontrou uma das cinco chaves que estão na Sala do Medo! Mas cuidado! Tente sobreviver com ela até que todas as outras chaves sejam encontradas. Lembre-se: todos são seus inimigos, agora!". - Mattheus leu em voz alta.
- É melhor você esconder-se, Mattheus! Você está com a chave para salvar sua vida, e muitos outros querem-na! Deixe que eu me viro para achar outra! Mesmo que eu não encontre, não ficarei triste em morrer. Ficarei junta com meu pai e minha mãe e saberei que você conseguiu sair com vida, daqui. - Brenda deu um grande beijo na boca de Mattheus. Ele ficou sem palavras. Mas, assustadoramente, alguém puxou o cabelo de Brenda para trás. Com o braço que puxou-a, prensou-a pelo pescoço. Era Ramon, o irmão de Diana, quem estava fazendo Brenda de refém.
- Percebi que você e ela tem uma grande conexão afetiva, certo? - perguntou Ramon para Mattheus.
- Solte ela! Você é um daquele grupo que estava no jatinho, conosco! - Mattheus estava desesperado. Não sabia por que aquele homem musculoso, sem um dos braços, estava fazendo aquilo com Brenda.
- Eu solto sua amada se você me der sua chave! É uma simples troca! Jogue a chave para mim que eu libero ela sem nenhum arranhão!
- Não faça isso, Mattheus! Meu maior desejo é que você se salve! Não dê a chave a ele! Fuja, amor! Fuja! - Brenda gritava para Mattheus.
- Eu nunca iria te abandonar, Brenda! - Mattheus jogou a chave para perto do pé de Ramon. - Pronto, agora solte-a!
- Tudo bem, meu querido. Mas digamos que eu esteja em desvantagem! Eu tenho apenas um braço, e se eu liberá-la, serão quatro braços contra apenas um! Sei que quando soltar ela, vocês tentarão pegar a chave novamente. Mas, como eu sou um homem de palavra, irei soltá-la. - com um movimento brusco, Ramon torceu o pescoço de Brenda com seu único braço, fazendo-a cair de joelhos, com seu pescoço quebrado. Seus olhos meigos ficaram penetrados na mente de Mattheus. Ramon jogou o corpo da garota no chão, pegou a chave e saiu correndo. Mattheus caminhou até o corpo de sua namorada, que estava imóvel. A mesma raiva que ele teve quando matou Rowl o possuiu. Brenda estava ali, parada. O sangue começou a sair por seu nariz.
- Malditoooooooooooooooooooooo! - Mattheus soltou um grande berro. Aquele grito ecoou para todos os locais. Sua sede de vingança estava à flor da pele.


CONTINUA... 

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