-Local
desconhecido, Washington, 27/10/2015, 15h14min-
O helicóptero de George e Candy agora estava sendo comandado por Cris. Poucos
minutos atrás, Ketlyn havia sido mordida, mas Anderson não queria abandoná-la.
Todos já sabiam que dentro da maleta preta estava a cura para o vírus. Ali
estava a salvação de Ketlyn. Mas ninguém sabia a senha. Anderson tinha medo de
tentar abri-la de outro modo e acabar quebrando o frasco com a cura. Ketlyn
estava com a pele mais escurecida, seus lábios já estavam secos e seu olhar era
triste. Todos se distanciaram do casal. Tinham medo de que, quando Ketlyn
tornasse a virar um zumbi, contaminasse quem estivesse por perto. Ricksonn foi
o único que não queria deixar Ketlyn adentrar no helicóptero, mas Cris e Harry
convenceram-no de que não poderiam deixar Anderson ali, sozinho. Denddia, irmã
de Harry, não falava nada. Mattheus, Brenda e Alex estavam juntos, conversando.
- Às vezes fico pensando por onde deve estar William. - disse Brenda, após
lembrar que deixaram o adolescente para trás.
- Não pense neste inseto, Brenda. Ele tentou atacá-la. Temos que pensar agora
em Ketlyn. Como poderemos salvá-la? Se tivéssemos algum código, alguma pista...
- dizia Mattheus, enquanto Cris ouvia toda a conversa. No mesmo momento em que
Mattheus havia dito "pista", Cris teve uma grande ideia.
- Pessoal, pessoal! Anderson! Lembrei de uma coisa muito importante, que pode
salvar a Ketlyn! - Anderson olhou para Cris de forma assustada, mas com pouco
de esperança. - hoje, quando fomos a procura de Luciana, encontramos um bloco
de notas que era dela. Lá, ela contava tudo o que tinha feito e o que iria
fazer. Falava sobre sua missão em Wingstonn e sobre o vírus zumbi! Todos nós
pensávamos que os Laboratórios ALFA que haviam criado o vírus, mas na realidade
foi os cientistas dos Laboratórios DELTA! - dizia Cris, que não conseguia
resumir o assunto. Anderson já estava nervoso.
- E o que tudo isso tem haver com Ketlyn, Cris? Por favor, fale logo! - disse
Anderson.
- Enfim, no final do bloco de notas, havia uma sequência com vários números.
Será que pode ser a senha para abrir a maleta preta? - perguntou Cris, enquanto
Anderson já estava ao seu lado, perguntando onde estava este bloco de notas.
Cris retirou do bolso e entregou para Anderson. O ex-fazendeiro voltou
rapidamente para perto de Ketlyn, pegou a maleta preta, e começou a digitar os
números que estavam na última folha do bloquinho. Anderson apertou o botão de
"confirmar" a senha e, surpreendentemente, aquela pequena maleta
abriu-se. Ketlyn deu um sorriso, mas, em seguida, soltou um grande catarro com
sangue.
- Seja rápido, Anderson! - gritou Mattheus.
Anderson pegou a seringa que estava dentro da maleta, inseriu no pequeno frasco
e puxou o gatilho, para que enchesse com o líquido da cura. Logo depois,
injetou toda a substância no corpo de Ketlyn. Ela fixou seus olhos nos de
Anderson, disse um simples "obrigado" e fechou os olhos. Anderson
ficou pasmo. Tinha medo de que o antídoto fora dado muito tarde. Mas em poucos
segundos, Ketlyn voltou a si. Com um grande suspiro, ela abriu seus olhos e,
ofegante, perguntou "onde estou?". Anderson beijou-a no mesmo
instante. Estava mais do que feliz. Ele sentia que sua namorada tinha nascido
novamente.
- Está tudo bem, Ketlyn? Lembra-se do que aconteceu? - perguntou Anderson, com
Ketlyn envolvida em seus braços.
- Lembro que fui para dentro da casa de Dend pegar algo. Quando voltei, eu... -
Ketlyn ficou pensando, parou de falar por alguns segundos e, do nada,
assustou-se. Puxou a calça para verificar a mordida que George tinha dado em
sua perna. - Anderson, eu lembro! Fui mordida! Eu estou infectada! Pelo amor de
Deus, mate-me! Não quero ferir você, nem ninguém! E também não quero ficar como
estas criaturas. Mate-me, por favor! - Ketlyn estava desesperada.
- Acalme-se, amor! Está tudo bem! Lembra-se, também, da maleta preta? Que
dentro dela tinha a cura para o vírus? Então, eu usei a substância que tinha
num frasco dentro desta maleta para salvá-la! Você não está mais infectada! -
Anderson deu mais um beijo em Ketlyn. Dend olhou para eles com um olhar de
reprovação. - E o melhor, Ketlyn: temos uma nova e grande prova para
desmascarar os verdadeiros culpados pela criação do vírus! Graças a este bloco
de notas que Luciana deixou cair! - Anderson estava muito feliz.
- Nossa, mal acredito que fui salva! E que agora temos, novamente, como provar
que os Laboratórios DELTA são os reais culpados de todo este mal! Acho que... -
Ketlyn, com seu jeito jornalístico de falar, foi interrompida quando um sinal
estranho, vindo do rádio do helicóptero, começou a tocar. Em seguida, uma voz começou
a ser ouvida por todos, que ficaram em um silêncio instantâneo.
- "George, está aí? Candy?" - uma voz misteriosa começou a ser
ouvida. O grupo não sabia quem estava falando. Era Arthur Kellarius, o chefe
dos Laboratórios DELTA. - "Filha, você está por aí? Luciana, fale comigo!
Bom, enfim, se estiverem me ouvindo, eu estou esperando-os aqui no heliporto,
que fica no topo do Shopping Center Crystal. Se estiverem procurando Anderson e
os outros, desistam. Eu consegui os ingredientes. Venham para cá! Câmbio,
desligo." - a voz parou. Todos se assustaram. Anderson e Ketlyn tinham
certeza de que aquele homem era o culpado por todo o mal que o mundo estava
sofrendo.
- Este homem que estava falando é o pai da Luciana? E que ingredientes são
estes de que ele falou? - Cris perguntou, na esperança de que alguém o
respondesse.
- Vamos para o Shopping, Anderson! É nossa chance de acabar com o plano maldito
deste homem misterioso! Mesmo que não saibamos qual é este plano. - Ketlyn
estava com muita vontade de descobrir quem era aquele homem que estava falando.
- Então, Cris, nosso próximo destino é Shopping Center Crystal, aquele onde
estávamos! Ok? - disse Anderson, enquanto procurava algo útil nos fundos do
helicóptero. Todos ouviram um "ok" de Cris. Anderson encontrou umas
grandes caixas, trancadas por cadeados. Não foi difícil abri-los. Dentro,
haviam armas pesadas, muita munição e uma grande bazuca. - Pessoal, aqui tem
armas e munição para todos! Iremos bolar uma surpresinha de recepção para o
chefe dos Laboratórios DELTA! - em poucos minutos, cada um tinha sua arma. O
início da justiça poderia estar começando.
-Heliporto do Shopping Center Crystal, Washington, 27/10/2015, 15h42min-
- Eles estão demorando demais! Algo deu errado! Pressinto isto. - Arthur andava
para todos os lados, muito nervoso. Rodrigo, o falso pesquisador, era seu braço
direito e tentava acalmá-lo. O jatinho estava parado no heliporto, onde
Gabriel, Diana e Ramon ainda estavam trancafiados. Perto de Arthur, estavam uns
vinte homens, vestidos como soldados, esperando a chegada do helicóptero de
George, Candy e Luciana.
- Não se preocupe, chefe. Candy é esperta, George luta bem e sua filha,
Luciana, é muito inteligente. Teve a quem puxar. - dizia Rodrigo.
- Quem está puxando algo aqui é você! Odeio puxa-sacos. George é um idiota! Se
ele estragou a missão toda por uma burrice, eu mato ele! Rodrigo, vá ver se
aqueles três integrantes da Equipe ALFA estão vivos. Preciso deles, para meus
novos testes. - Rodrigo foi em direção ao jatinho. Abriu a porta onde o trio
estava. Todos estavam dormindo. Ele sentiu o pulso de todos. Ninguém estava
morto. O sangramento de Ramon havia parado, devido aos remédios que Arthur
havia pedido a Rodrigo dar a ele. A viagem do Brasil até Washington havia sido
cansativa. Gabriel tentou várias vezes fugir, sem sucesso, já que alguns
soldados o imobilizavam. Agora todos estavam ali, em um heliporto, esperando
por George, Candy e Luciana. Mal sabiam que estes já estavam mortos.
Um barulho de helicóptero começou a ser ouvido de longe. Arthur gritou para
Rodrigo voltar para perto dele. O chefe estava feliz. Pensava que iria
reencontrar sua filha.
- Finalmente poderemos voltar para Dhaka, para mim começar meu novo plano.
Iremos começar a produzir os antídotos para o vírus que nós criamos e que demos
a culpa para os Laboratórios ALFA. Ficaremos ricos! - dizia Arthur para
Rodrigo, que concordava em tudo. O helicóptero, comandado por Cris, estava
chegando cada vez mais perto.
- Todos prontos? - sussurrou Anderson para todos que estavam no helicóptero. Um
"sim" mútuo foi ouvido. Alex era o único que não estava junto deles.
Havia sido amarrado e colocado em um dos grandes baús que tinham armas e
munições. Anderson achou melhor fazer isto, já que ele era deficiente mental e
poderia estragar todo o plano. O helicóptero estabilizou-se no chão do
heliporto. A porta de saída abriu-se. Arthur começou a caminhar até ele, com um
sorriso de orelha a orelha.
- Filha! Finalmente vocês... - Arthur percebeu que ninguém saía de dentro do
helicóptero e estranhou. - chegaram?
- Aqui não está nenhum dos seus malditos capangas, cara! Muito menos sua filha,
aquela vädia! - Anderson apareceu na porta do helicóptero, com uma grande
bazuca. Arthur, ao ver o disparo da bazuca ser realizado, gritou
"emboscada" e pulou para o lado. A explosão foi certeira e acabou com
a maioria dos soldados de Arthur. Aos poucos, todos desceram. Os soldados que
haviam sobrevivido começaram a atirar no grupo de sobreviventes. Uma guerra
começou a ser realizada. Arthur correu para dentro do jatinho, puxando Rodrigo
junto. Pegou seu celular e digitou alguns números.
- Alerta 502! Alerta 502! Preciso de reforços! Não mate todos nossos inimigos!
Preciso de mais pessoas para meus novos testes! Câmbio, desligo! - Arthur havia
falado com alguém. O chefe olhou para Rodrigo. - Tenho que admitir: este
Anderson é muito bom em surpresas. - Arthur deu um sorriso.
A guerra estava interminável. Brenda e Mattheus ficaram atrás do helicóptero,
jogando bombas de fumaça nos soldados, para atrapalhá-los. Um dos capangas de
Arthur conseguiu mirar e disparar um tiro certeiro na cabeça de Ricksonn. Ele
caiu, morto, instantaneamente. Anderson percebeu a morte de Ricksonn, mas não
poderia parar para socorrê-lo, até porque já estava morto. Do nada, apareceu,
na porta do helicóptero, Alex, todo amarrado, mas com a mordaça fora da boca.
- Ei, eu aqui! Também quero brincar! Eu sou o ladrão e vocês são as polícias,
tudo bem? - Brenda viu o pai e tentou socorrê-lo. Um dos soldados não perdeu a
chance e atirou em Alex.
- Não! Não! Pai, acorde! Meu Deus! Seus malditos! - Brenda começou a ir em
direção aos soldados, mas Mattheus puxou-a novamente para perto dele.
- Acalme-se, Brenda. Seu pai pode estar vivo. Mas não saberás se você ficar
histérica e correr na frente destes homens! Vamos ficar parados aqui! - Brenda
não parava de chorar, enquanto Mattheus a confortava em seus braços.
Os tiros não paravam. Ketlyn conseguiu acertar alguns tiros em um soldado, mas
ele parecia ter uma roupa especial, que não o afetava de forma alguma. Dend
achou melhor correr para dentro do helicóptero, já que não estava ajudando em
nada. Harry, seu irmão, estava ao lado de Cris, atirando sem parar. Mas, do
nada, um barulho de helicóptero começou a ser ouvido. Um outro grupo de
soldados apareceu. Saltaram do helicóptero com cordas e começaram a atirar em
todos. Alguns tiros acertaram Cris, que o fez cair sangrando. Harry tentou
ajudá-lo, mas nada adiantaria. Ele já estava morto. Arthur saiu do jatinho.
- Chega! Parecem um bando de idiotas! É melhor vocês se renderem, ou mais
pessoas de seu grupo irão morrer, Anderson! - gritou Arthur.
- Melhor pararmos, amor. Seremos mais fortes se descobrirmos mais sobre este
novo inimigo. - disse Ketlyn. Aos poucos, quem havia sobrevivido se rendeu.
Arthur aplaudia sem parar.
- Soldados, coloquem todos em uma fileira. Amarrem-os! Tenho uma pergunta para
fazer a eles, antes de embarcarmos para Dhaka. - enquanto Arthur falava, os
soldados amarravam o grupo de Anderson. Após todos estarem imobilizados, ele
começou a falar. - Para início de conversa, eu sou Arthur Kellarius, o chefe de
todos os Laboratórios DELTA! Se estavam aqui tentando me destruir, é porque já
devem saber sobre meu plano. Enfim, vocês serão muito úteis para mim. Vamos
para Dhaka, em Bangladesh, onde fica minha sede, e vocês serão minhas cobaias.
Mas vocês são muitos! Não quero tantos. Vamos fazer uma seleção. Vou começar
com uma perguntinha: onde está George, Candy e minha filha, Luciana? - Anderson
levantou a cabeça e olhou diretamente para Arthur.
- Aquela gorda manca era sua filha? Sinto dizer-lhe, mas ela está morta. -
Arthur caminhou até a frente de Anderson.
- Quem a matou? - perguntou Arthur, calmamente. Anderson deu um sorriso. - Quem
a matou? - Arthur de um murro no rosto de Anderson, enquanto gritou sua
pergunta.
- Você. Você a matou. Os zumbis, sua criação, atacaram-na. - Anderson soltou um
cuspe cheio de sangue perto dos pés de Arthur.
- E os outros? Onde estão? Devem ter morrido também. - disse Arthur, que estava
nitidamente atordoado. Todos perceberam que Luciana era alguém importante para
ele. - Soldados, levem todos eles para dentro do jatinho. Minha seleção para
ver quem será útil para os testes será realizada mais tarde, em Dhaka. Joguem
eles junto com Gabriel e Diana. O resto dos soldados que vieram até aqui para
aumentar o reforço, podem voltar para suas bases.
Todos foram colocados juntos. Todos estavam amordaçados. Anderson pensava no
que iria acontecer, agora. Pensava o que seriam estes novos testes. Brenda
ainda chorava pela perda do pai. Mattheus estava bem pertinho dela. Dend e
Harry também estavam próximos, mas ambos estavam dormindo. A viagem já estava
quase completando um dia inteiro. Todos estavam com sede e fome. Gabriel e
Diana tentavam tirar as mordaças para perguntarem quem eram todas aquelas
pessoas. Ketlyn adormeceu no colo de Anderson.
Após algumas horas, a porta se abriu. Todos já estavam acordados. Arthur
apareceu, olhou para todos e deu um sorriso.
- Olá, meus queridos e queridas. Venho vos avisar que acabamos de chegar em
Dhaka, Bangladesh. E aqui é a sede dos Laboratórios DELTA, um laboratório que
era desconhecido e que, em breve, será o mais comentado no mundo inteiro, pelas
poucas pessoas que ainda estão vivas. Então, soldados, podem levá-los para a
sala do medo. É uma sala que eu nomeei deste modo porque, realmente, vocês
ficarão com muito medo de lá. Até mais. - Arthur saiu e vários soldados
entraram. Aos poucos, as pessoas iam sendo tiradas de dentro do jatinho.
Anderson não gostara nada do nome da sala. Algo muito ruim estava sendo
pressentido por todos.
CONTINUA...