-Interior
da Floresta Amazônica, Amazonas/Brasil, 25/10/2015, 20h29min-
Gabriel estava desesperado. Seus gritos não chamavam a atenção nem dos macacos
zumbis. Os índios infectados estavam cada vez mais perto. Seu corpo estava cada
vez mais imóvel, naquele lamaçal. Um dos zumbis que estavam mais próximos se
prontificou para o ataque mortal. Mas, por algum milagre, um tiro foi ouvido. O
disparo acertou em cheio a cabeça do zumbi, que caiu próximo ao pescoço de
Gabriel. Mais tiros começaram a serem disparados, e mais zumbis caíam, com seus
cérebros expostos para quem quisesse ver. Gabriel sentiu a presença de alguém
vinda do alto do barranco onde caiu, minutos atrás. Esta presença começou a
descer o barranco rapidamente e ficou em frente a Gabriel. Era um homem, com
barba e cabelo acastanhados, olhos verdes e vestido com uma roupa imunda,
estilo Indiana Jones. O homem estendeu a mão para Gabriel, que a segurou
imediatamente. Na outra mão do atirador misterioso estava um Rifles M4A1.
- Muito obrigado, senhor! Devo minha vida à você! Meu nome é Gabriel, e o seu?
- Gabriel estava muito grato ao homem, que não parecia se importar muito com a
vida de Gabriel.
- Que seja. Eu me chamo Rodrigo Sttartfow. Sou um amante da fauna e flora
brasileira, e venho sempre que posso para pesquisar novas fontes de vidas,
mesmo que agora só consiga achar fontes de mortes. Estou acampado na Floresta
Amazônica há dois meses e comecei a encontrar criaturas diabólicas a poucos
dias. Não consigo mais voltar para Washington, onde eu realmente moro. -
Rodrigo era americano e por isso entendera o idioma de Gabriel. Todos os
integrantes da Equipe ALFA deveriam falar a língua universal.
- Então, caso você me ajude a encontrar uma planta específica, que está por
aqui, eu o levo para Washington. Minha missão é encontrar a planta Nethyddus
Alfae e meu mini-computador que acabei de quebrar informou que esta planta
está perto daqui. - disse Gabriel, que sabia que poderia ajudar o homem a
voltar para sua casa.
- Eu aceito sua proposta. Sei onde esta planta está. mas não irei junto com
você para pegá-la. É muito perigoso. Temo que você não saia de lá vivo, caso vá
a sua procura. - Rodrigo falava com um tom grosso, parecendo não querer ajudar
muito. - Venha comigo.
O pesquisador foi na frente, enquanto Gabriel apenas o seguia. Em poucos
minutos chegaram até um rio escuro. Era o famoso Rio Negro, um dos rios que
banham a Floresta Amazônica.
- Esta planta é um tanto quanto rara em qualquer ecossistema do mundo, mas é
estranho como aqui nesta floresta brasileira é fácil encontrá-la de noite. Ela
tem uma composição que a faz iluminar-se na escuridão. Ou seja, se você souber
nadar bem e ter uma boa visão, encontrará facilmente a planta Nethyddus
Alfae. - Rodrigo falava tão certinho como um cientista de laboratório.
- Eu sou um ótimo nadador e meus olhos nunca atrapalharam uma missão minha. Não
será nada difícil entrar nesse rio e pegar a planta. - Gabriel estava
convencido de que conseguiria.
- Mas tem duas coisas que fazem sua "missão" ficar mais difícil: uma
delas é a correnteza, que é muito forte. Você terá que ser muito ágil. E a
outra é que dentro desta água escondem-se um dos animais mais temidos pelo ser
humano; jacarés. E o pior, eles estão infectados com o vírus zumbi. Creio que a
correnteza será a coisa mais simples para você, comparado a estes jacarés
famintos por carne humana. Boa sorte para você. - o homem virou-se para trás e
começou a mexer em sua grande mochila de acampamento, que estava em suas
costas. - E leve isto com você. É um óculos aquático com lanterna. Irá lhe
ajudar a encontrar a flor e seu predador marinho. Estarei esperando-o aqui. -
os óculos foram colocados imediatamente por Gabriel. Ele retirou algumas de
suas vestimentas mais pesadas e mergulhou no imenso rio.
Aquela água estava forte demais, mas Gabriel estava aguentando normalmente. Ele
conseguia ficar embaixo da água alguns bons minutos, sem precisar voltar para
cima e respirar. Uma coisa esbranquiçada, a alguns metros de distância, fez
Gabriel fixar sua atenção nela. Era uma planta, uma espécie de flor. Era muito
bela e só podia ser aquilo o ingrediente para a ALFA X. Gabriel nadou
rapidamente até ela e a puxou com toda a força. Não foi difícil retirá-la. No
mesmo instante, subiu novamente até o topo do rio, onde conseguiu dar uma boa
respirada. O ingrediente que faltava estava agora, em suas mãos. Mas ele
percebeu que estava longe de onde ficou Rodrigo, a sua espera. Rodrigo avistou
Gabriel e começou a gritar para voltar logo para junto dele. Mas Gabriel sentiu
uma presença estranha vinda por detrás de seu corpo. Quando olhou de lado,
avistou dois olhos de jacarés, que foram iluminados pela pequena lanterna.
Gabriel se desesperou, mas não parou de nadar. A planta era resistente, e não
sofria nenhuma danificação. Um dos jacarés abriu a boca para tentar morder
Gabriel. Mas Rodrigo o salvou novamente. Um tiro certeiro atravessou a
mandíbula do jacaré e furou sua cabeça. Mas o outro jacaré também estava
chegando muito perto.
- Eu estou sem munição, Gabriel! Nade o mais rápido possível! - gritava
Rodrigo, agora parecendo mais preocupado.
O líder da equipe de missões dos Laboratórios ALFA conseguiu um impulso sem
igual e escapou do ataque do jacaré. Segurou-se em uma raiz aquática de uma das
árvores que estavam próximas e conseguiu subir para chão firme. O jacaré parou
de tentar atacá-lo e voltou para o fundo do rio. O sangue do outro jacaré,
morto por Rodrigo, ainda era visível de longe.
- Muito obrigado, de novo! - disse Gabriel, estendendo a mão para Rodrigo. O
pesquisador olhou para sua mão estendida e ignorou-a.
- Só espero que cumpra sua parte no acordo, agora! - falou rispidamente
Rodrigo, que deu as costas para Gabriel. - Vamos, leve-me até seu jato.
- Como sabe que eu estou com um jatinho? - Gabriel estranhou o que Rodrigo
havia dito, no mesmo instante.
- Se quer me levar até Washington o mais rápido possível, deve estar com um
jatinho. Qualquer retardado saberia. - Gabriel ainda ficou parado. Rodrigo
virou-se para ele. - Não faça-me pedir "por favor".
Em poucos minutos, Gabriel já levava um sermão de Diana, que já estava acordada
e preocupadíssima com seu parceiro de missão. Tudo foi explicado, Diana
agradeceu Rodrigo, que fez pouco caso, e agradeceu a Deus por terem conseguido
os dois ingredientes.
- Ele vai conosco então? Nada mais justo. - disse Diana, que levantou-se,
colocou em sua mochila o segundo ingrediente e começou a ir em direção ao jato.
- Não vamos desmontar a barraca antes, Diana? - perguntou Gabriel, enquanto
Rodrigo já a seguia.
- Já estamos muito atrasados, Gabriel. E uma barraca não é algo que iremos
precisar de agora em diante. - Diana parecia a líder do grupo, naquele momento.
Ela estava tão nervosa por quase ter perdido seu amigo que nem percebeu o quão
autoritária estava.
-Base Aérea de Manaus, próxima a região da Floresta Amazônica, Amazonas/Brasil,
25/10/2015, 21h43min-
A caminhada tinha sido longa. Graças a uma bússola de Rodrigo, o grupo
conseguiu achar a Base Aérea rapidamente. Alguns zumbis apareceram para
atrapalhar, mas nada foi muito difícil. Gabriel ainda pensava como poderia
estar vivo após o ataque dos jacarés infectados. Na frente, iam Diana e
Rodrigo, conversando como bons amigos. Gabriel estranhava o aparecimento
repentino daquele homem. Mas já parava de pensar em besteiras, quando lembrava
que havia sido ele o salvador de sua vida.
- Vão na frente, vou amarrar meus calçados. - disse Rodrigo. Gabriel e Diana
continuaram andando. Já conseguiam ver o jatinho a poucos metros.
- Você não acha este Rodrigo um pouco estranho? - perguntou Gabriel, ainda
desconfiando do americano pesquisador.
- Pare de pensar estas coisas, Gabriel. Ele salvou você duas vezes, e em um só
dia! Você deveria ter vergonha de falar uma coisa dessas... - um tiro disparado
para cima interrompeu Diana, que olhou assustada para frente. Gabriel e Diana
ficaram pasmos com o que viram. Um homem, com uma pistola em mãos e o braço
apontado para cima os encarava.
- Vergonha vocês deveriam ter pela demora para conseguir dois ingredientes tão
insignificantes, não é mesmo Rodrigo? - o homem misterioso estava com uma roupa
social de alto padrão, com óculos escuros. Rodrigo apareceu por detrás de
Gabriel e Diana e usou uma arma imobilizadora para paralisar os dois. Ambos
caíram no chão, não conseguiam mexer um músculo que fosse. Mas a arma não os
deixavam desacordados. Os dois ainda conseguiam entender tudo o que o homem
dizia. Gabriel já tinha visto aquele rosto em algum lugar, mas não sabia onde.
- Chefe, coloco-os no jatinho, junto com o cara amputado? - perguntou Rodrigo
para o homem.
- Não antes de apresentar-me. Bom, Diana e Gabriel, tudo ficará mais
esclarecedor com o tempo, enquanto estivermos viajando para Washington. Mas
quero que saibam que não farei nada de ruim para nenhum de vocês, caso não
atrapalhem meus planos. Enfim, meu nome é Arthur Kellarius! Sou o dono dos
Laboratórios DELTA! E claro, o criador deste belíssimo vírus zumbi! Rodrigo,
pode jogá-los para dentro do jatinho. - Arthur teclou alguns dígitos em seu
celular. Logo, uma mulher atendeu-o.
- Olá, chefe! O que deseja? - a voz feminina era de Candy, a parceira de George
Müller.
- Senhorita Candy Bunllit, Apenas quero avisar que o mais rápido possível estarei
indo para Washington. Continuem procurando Anderson e seu grupo. Ainda não
consegui novas informações de onde eles podem ter ido. - Arthur desligou o
celular. A voz misteriosa era daquele homem sombrio, que não tinha piedade de
ninguém. Após todos entrarem no jatinho, Gabriel e Diana foram amarrados juntos
com Ramon, que estava desmaiado. - Desejo uma boa viagem para todos nós!
Rodrigo, podemos ir! - gritou Arthur, que fechou a porta e deixou o grupo ALFA
na escuridão. Gabriel se odiava ao pensar que toda a missão tinha sido
arruinada no final, quando já estavam com todos os ingredientes. Um sentimento
de revolta e vingança começou a remoer sua mente. Gabriel não poderia deixar
aqueles homens acabarem com todo o sofrimento e esforço que tiveram.
CONTINUA...